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quinta-feira, 18 de abril de 2013

No caminho certo

(Foto: Cleber Mendes / Lance Press)
Enquanto vai caminhando na direção certa fora de campo, o Flamengo ainda procura o norte dentro das quatro linhas. O primeiro passo foi dado no clássico contra o Fluminense. O segundo, contra o Remo, pela Copa do Brasil. Apesar de ainda ser muito cedo para garantir, o rubro-negro vem dando sinais de que pode encontrar o rumo que a torcida tanto espera.

Esse rumo parece passar pelos pés de Gabriel e pelas fases iluminadas de Hernane. O meia-atacante novamente comandou o ataque com intensa movimentação, inversões, boas jogadas individuias e passe para um dos gols. Hernane, por sua vez, parece ter encontrado o caminho das redes novamente. Nos últimos dois jogos, foram quatro gols. Sempre é bom pontuar que o Brocador não prima pela técnica, mas é um jogador voluntarioso e, uma curiosidade, faz gols dando apenas um toque na bola. 

O que poderia ser apenas folclore, na verdade, deflagra uma situação. Se os companheiros conseguirem arquitetar a jogada e colocarem Hernane em boas condições de marcar, a bola tem boas probabilidades de parar dentro do gol. Nos três gols de hoje e no marcado diante do Flu, Hernane estava em ótimas condições para anotar os tentos. E foi exatamente o que fez. Quatro toques na bola, quatro gols.

Outro ponto positivo é Rafinha. A jovem revelação voltou aos trilhos e jogou bem nos três últimos jogos. Com o camisa 7 fazendo companhia a Gabriel e Hernane, o Flamengo voltou a jogar bem. Claro que não são apenas os três. A defesa e o meio-campo, apesar de alguns erros, também estão se acertando. E obivamente que as vitórias ajudam. Além da confiança, diminuem a pressão em cima de Jorginho e dos jogadores.

A procura é pelo rumo certo, tanto dentro quanto fora de campo.

E o Flamengo parece estar encontrando a direção. 

Para dar tudo certo é simples.

Basta continuar seguindo o caminho.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Igual, mas diferente

(Foto: Ney Marcondes / VIPCOMM)
O Flamengo entrou em campo com mudanças em relação ao último jogo (de novo), mas apresentou os mesmos problemas de sempre. Time bagunçado, movimentação desorganizada, improviso na lateral-direita depois da saída de Léo Moura, falhas na marcação, falta de criatividade...

De bom mesmo teve as atuações de Rafinha e Gabriel. Longe de ser brilhante, o camisa 11 marcou um bonito gol, arriscou mais jogadas e apresentou um futebol melhor do que vinha mostrando nos últimos jogos. No eterno looping que atinge as jovens promessas, Rafinha jogou demais quando apareceu, começou a receber mais atenção dos marcadores e deu aquela sumida natural. Hoje voltou a arriscar jogadas individuais e foi mais insinuante, o que pode ajudar a subir novamente de produção.

Gabriel, pelo segundo jogo consecutivo, foi o principal jogador de ataque. Se movimentou, procurou o jogo, arriscou chutes de fora da área, tão raros nesse atual Flamengo, e contribuiu na recomposição. Depois de ser promessa no Bahia, começa a dar sinais de que pode ser uma das soluções do rubro-negro carioca.

De resto, como dito, o time foi o mesmo. Confuso e com substituições que não surtiram efeito. A fase iluminada de Hernane parece ter passado, Rodolfo, apesar de mostrar qualidades, ainda não se achou totalmente, Elias foi mediano, assim como o resto do time. Mas deu para o gasto, mesmo sem eliminar o jogo de volta.

Na repetição de erros o Flamengo foi o mesmo.

Pelo menos o resultado foi diferente.

domingo, 31 de março de 2013

Crise de identidade

(Foto: Ruy Trindade / Ag. Estado)
"Quem sou eu? O que quero?"

Duas perguntas que o Flamengo deve se fazer dentro de campo. Fora dele, tudo está decidido. Dirigentes procurando agir, entre erros e acertos, como o tradicional clube rubro-negro merece. Pés no chão, salários em dia, sem loucuras financeiras para trazer jogadores, plano de sócio torcedor, algo que há muito não se via na Gávea. Tudo em prol da reconstrução total do clube, principalmente econômica.

O coirmão paulista pode ser um bom exemplo. O Corinthians se reergueu depois de uma rápida visita ao inferno. Hoje é espelho e modelo para os outros clubes. O Fla resolveu se mexer antes de chegar ao fundo do poço total. A caminhada é longa, muito longa, mas o clube sabe o que quer. Se reerguer. Se reiventar. Se reafirmar. 

Mas o discurso e as atitudes fora de campo não estão sintonizados com o time dentro dele.

Jorginho não define uma escalação. Ele chama de testes. Eu chamo de pressão. Entra em campo um time, perde, muda uma peça, ou mais de uma. Entra outro time, empata, nova mudança. Depois, outra, outra e mais outra. É a necessidade de provar que algo está sendo feito, que não há ninguém confortável com a situação. Mas se o técnico não sabe o que quer, imagine os jogadores...

Quem é titular? Quem é reserva? Por que substituir um jovem jogador aos 43 minutos do 1° tempo? A insegurança pede licença, começa a circular pelo elenco e isso obviamente também atrapalha. Fora a pressão da torcida que, apesar de saber as limitações do elenco, exige que ele jogue como o Flamengo merece. Nada mais natural.

Técnico e time precisam achar um caminho. Escolher um norte e segui-lo, assim como fez a diretoria. Podem errar e acertar, mas têm que saber o que querem e quem são. Quando os responsáveis pelo time dentro de campo tomarem uma decisão, aí a situação pode mudar.

Até lá,

"Quem sou eu? O que quero?"

Nem você sabe, Flamengo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Camisa


No futebol existe uma ordem natural. Quando um clube grande enfrenta um pequeno, o grande vence. É assim que funciona na maioria das vezes. A tradição, a história e a camisa falam mais alto. Claro que em algumas ocasiões a ordem é invertida e o pequeno consegue tirar uma casquinha. No Carioquinha 2013 esse cenário vem acontecendo mais do que os grandes esperavam, ou estão acostumados. Principalmente nos jogos envolvendo a dupla Flamengo e Vasco, que estão passando um sufoco fora do normal por vários motivos.

Flamengo 2 x 1 Bangu foi mais um exemplo desse cenário. O Bangu saiu na frente logo no começo do jogo e o rubro-negro só conseguiu virar no fim, com um golzinho chorado, chorado. Troca de técnico, clube se reorganizando, time pouco qualificado, ausência de um jogador decisivo. Essas são algumas razões que fizeram o time de Jorginho penar para vencer o modesto Bangu.

Sem craques como Leandro, que sofria ao ver o jogo nos estúdios da Rede Globo, fica difícil atropelar qualquer adversário que seja. Nessa hora a torcida se apega à raça, à tradição. "Aqui é Flamengo, tem que ganhar", vão dizer. E é mais ou menos isso mesmo. 

Nelson Rodrigues, apesar de tricolor, dizia: "há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável".

E assim, mesmo sem time, sem qualidade, sem craques, o Flamengo venceu.

A camisa bastou. Não "aberta no arco"

Mas dentro de campo.

domingo, 17 de março de 2013

Quase

(Foto: Paulo Sergio / Lancepress)
No intervalo do jogo entre Vasco e Volta Redonda, Bruno Mazzeo foi preciso. "O Vasco é o time do quase. O Nei é quase um bom lateral, o Éder Luis é quase um bom atacante", brincou o comediante. E não é que ele tem razão?

No primeiro tempo o Vasco quase não atacou.
O goleiro Gatti quase não teve trabalho. 
No gol do Voltaço Dedé quase alcançou a bola e Alessandro quase conseguiu espalmar.
Dakson tentou cruzar e quase fez um golaço. A bola parou no travessão.
Depois foram quase chutes, quase cruzamentos, quase gol.
No último lance, quase Carlos Alberto conseguiu empurrar para o barbante.

Quase.

No intervalo o Gaúcho quase soube explicar os motivos do Vasco jogar tão mal.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo o Éder Luís quase marcou.
Dois minutos depois o Wendel quase acertou um chutaço.
Bernanrdo entrou e quase fez um gol.
Éder Luís continuou no quase. Quase acertou alguma coisa.
Carlos Alberto quase fez bons lançamentos.
Yotun quase teve sucesso nas jogadas que tentou.
Romário quase cabeceou para o gol.
Gaúcho quase conseguiu mudar o resultado com as substituições.

Mas, como disse Bruno Mazzeo, foi mesmo o dia do quase.

Quase que o Vasco teve dia de Vasco.

Quase que o Vasco não perdeu para o Volta Redonda.

Quase, né?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Realidade

(Foto: Celso Pupo / Agência Estado)
Vamos fugir do clichê. Nada dizer que o Flamengo sofreu um apagão no intervalo e levou três gols em 25 minutos. A situação é simples e precisa ser encarada de forma simples. Finalmente, depois de uma Taça Guanabara impecável, o rubro-negro jogou aquilo que se esperava dele no começo do ano. Ou seja, nada. Mesmo no primeiro tempo, quando abriu dois gols de vantagem, a equipe de Dorival não apresentava um grande futebol. Para ficar claro, a expectativa no começo do ano era praticamente nenhuma, e o desempenho surpreendeu, por isso afirmo que ninguém esperava nada do Flamengo.

Para ser mais simplista ainda, o Fla perdeu levando gols por conta de seu ponto mais fraco, as bolas aéreas. Não é de hoje que a equipe tem dificuldade com as bolas alçadas na área. Contra o Resende, os três gols sofridos foram assim. Um em bola lançada e outros dois em lances de cruzamentos. E isso tudo dentro de um sistema defensivo democrático. Uma falha de Alex Silva e duas de González. Aqui é importante ressaltar uma certa culpa do técnico Dorival Júnior para que ela não passe despercebida. Por que as constantes trocas na zaga? Há mesmo motivo para fazer um rodízio entre os zagueiros?

Renato Santos vinha bem, agradando a torcida. Dorival o tirou para colocar Wallace, que não passou a mesma segurança. Agora sacou Wallace e promoveu Alex Silva à titularidade. Obviamente que o desentrosamento pesa e as falhas de posicionamento no jogo de hoje evidenciam essa situação. Então, é hora do professor escolher uma dupla e deixá-la jogar.

No mais, começar ganhando do Resende por 2 a 0 e perder por 3 a 2, ainda mais da forma como foi, realmente é para se lamentar. Mas não é o fim do mundo, muito menos algo inesperado. Após três meses, o Flamengo não só ratifica que tem um elenco carente, como mostra que o caminho a ser percorrido é longo. Se a torcida começava a criar esperanças demais, pode baixar um pouco a bola.

Por mais dura que seja, a realidade é essa.

E ela finalmente bateu à porta.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Casa da mãe Joana

(Foto: Marcelo Theobald / Ag. O Globo)
Quando você recebe um visitante na sua casa, o mínimo que se espera é que ele seja educado. Sente direitinho no seu sofá, não abra a sua geladeira, não pegue nada sem sua permissão. A casa é sua, há regras e o convidado precisa respeitá-las. O jogo começou assim. O dono da casa impondo o ritmo, mostrando ao visitante quem manda. Era tanta gente gritando que o convidado ficou assustado. Até resolveu dar um presente para ver se o dono da casa ficava mais tranquilo.

E ficou. O Flu aceitou o presente de bom grado dado por Veloso, goleiro do Huachipato. Fred fez 1 a 0, a casa toda ficou feliz e tranquila, e a festa estava ensaiada, só faltavam outros presentes. Mas eles não vieram. Aí, como de praxe, o dono da casa tricolor resolveu dar aquela acalmada, cozinhar o jogo em água morna. Tirou o pé do acelerador, deixou o visitante começar a se sentir íntimo demais. 

O folgado se esparramou no sofá, abriu a geladeira, pegou a cerveja do dono da casa e ainda bebeu no copo preferido dele. Que abuso! E deu outro presente. Só que dessa vez o presente foi de grego. O dono da casa tem que impôr as regras mas também precisa cobrá-las. Como relaxou, o visitante aproveitou para tomar conta do pedaço.

Depois, o Flu, tentando manter a pose de mandante furioso, ainda quis arrumar a bagunça, mas era tarde demais. O tal do Huachipato, o visitante bagunceiro da vez, já tinha aprontado muito.

Com mais um resultado negativo, o Fluminense mostrou que tem casa.

Mas é a casa da mãe Joana.

domingo, 3 de março de 2013

Números

(Foto: Alexandre Loureiro / Lancepress)
O Flamengo vinha de 17 jogos de invencibilidade, contando a reta final do Brasileirão 2012, não perdia para o Botafogo há 3 anos, o equivalente a 11 jogos, não levara gol nas últimas 4 partidas, ou 360 minutos, e teve a melhor campanha da Taça Guanabara, com 22 pontos em 24 possíveis. Mas bastou apenas 1 minuto, 60 segundos, o menor valor entre todos os citados anteriormente, para tudo isso ruir. E aí acabou. Já era. O culpado? Julio César, lateral-esquerdo do Botafogo, que desfilou no meio da defesa adversária e fez um golaço.

Com a vantagem na mão, talvez o Flamengo tenha entrado em campo ainda dormindo. Já não é de hoje que o rubro-negro tem dificuldade para usar as vantagens que consegue. O alvinegro não tinha nada com isso e tratou de acabar com ela assim que o jogo começou. E graças ao gol relâmpago, a segunda semifinal da Taça Guanabara foi decidida no primeiro instante.

Flamengo mal em campo? Sim. Por quê? Porque o Botafogo esteve muito bem e simplesmente anulou a equipe de Dorival. Oswaldo soube armar um meio-campo criativo e pegador ao mesmo tempo. Conseguiu o gol no início e recuou para tirar a principal arma do adversário, o contra-ataque. Obrigado a criar, o Fla se viu amarrado, já que Carlos Eduardo demonstrou, mais uma vez, estar completamente fora de forma e condições de jogo. Depois, Dorival mexeu mal. Como o Botafogo esperava em seu próprio campo, o técnico poderia ter tirado Cáceres ao invés de Elias, que sabe sair mais para o jogo e é um meio-campista mais dinâmico.

Com o Flamengo mais em cima, Oswaldo, ao contrário de Dorival, mexeu bem. Colocou Vitinho nas costas de Léo Moura. O jovem não só incomodou a defesa rubro-negra, como também sacramentou a vitória depois que Felipe foi à área alvinegra tentar, no desespero, o gol no fim do jogo.

Os números são muito utilizados no futebol. Podem expressar vantagem para um ou outro.

Mas não podem ser determinantes.

Afinal, 1 minuto pode se tornar mais valioso que todo o resto.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Deu nó

(Foto: Paulo Sérgio / Lancenet)
O Fluminense começou a perder o jogo logo na escalação. Com Deco, Thiago Neves e Felipe como opção, Abel entrou com Wágner, que até hoje não fez jus ao investimento depositado nele. Luxemburgo armou um time traiçoeiro, mantendo duas linhas de 4 muito próximas - uma na intermediária e uma na entrada da área - tirando os espaços de Sóbis e Nem, e obrigando o Flu a fazer passes em profundidade, ora errados ora interceptados. A parede do tricolor gaúcho funcionou e ainda conseguiu jogar, já que Souza, Fernando, Elano e Zé Roberto se aproximavam para trocar passes e iniciar as jogadas de contra-ataque.

Barcos começou o jogo perdendo todas as disputas para Leandro Euzébio, mas recuava até o meio de campo e abria espaços para a velocidade de Vargas, que entrava às costas de Anderson e Carlinhos. Não bastasse isso, os laterais tricolores, principalmente Bruno, subiam mal e deixavam muito espaço para as descidas do Grêmio. O primeiro tempo ainda foi equilibrado, com o Fluminense tentando empurrar o Grêmio para trás. Mas com a adversidade no placar, todos sabiam que Abel iria trocar Wagner por Deco no intervalo. Dito e feito.

A mudança não surtiu o efeito esperado. Pouco depois do segundo gol gremista - nas costas de Bruno - Abel colocou Thiago Neves e Samuel. Ao tentar acertar, errou. Com a saída de Nem, o Flu perdeu profundidade e velocidade, se tornando ainda mais previsível. Além disso, liberou mais o lado esquerdo do Grêmio. Em jogada parecida com o segundo gol, mas do lado inverso, Barcos lançou Vargas nas costas de Carlinhos. O chileno fuzilou Cavalieri para aumentar ainda mais a vantagem do tricolor gaúcho.

O jogo foi até atípico, muitos esperavam um placar mais equilibrado, e não pode servir como base para dizer que o Fluminense virou uma porcaria e o Grêmio favorito ao título. Mas a partida pode ser usada para uma reflexão de ambos os lados.

Abel precisa acordar.

E, ao contrário do que muitos imaginam,

Luxemburgo não está dormindo.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Verdadeiro clássico

Léo Moura comemora o gol de Hernane
Um clássico jogado como clássico. Lá e cá, dois times atacando, procurando o gol e dando espetáculo para as torcidas. Tirando a vergonhosa carga de ingressos colocados à venda, Botafogo e Flamengo podem se orgulhar de terem feito um jogo que possui a alcunha de clássico, um jogo pelo qual valeu a pena parar durante 90 minutos e assistir.

Seedorf e Fellype Gabriel pelo lado do Botafogo e Rafinha e Ibson pelo lado do Flamengo foram os principais destaques. Muito bem assessorados e coadjuvados por Hernane (que fase, até com a canela está fazendo gol), Rodolfo (que perdeu um gol incrível mas foi muito bem) e Lodeiro (sempre regular). Claro que o resultado foi mais positivo para o Flamengo, que garantiu a melhor campanha da primeira fase e o direito de empatar na fase final. Para o Glorioso, faltou um pouco mais de pontaria, principalmente no começo do jogo, quando teve duas boas chances desperdiçadas. Depois, a maioria dos chutes foi em cima de Felipe.

E se os clássicos precisam ter um ingrediente a mais, a canela de Hernane deu o gosto da vitória para os flamenguistas. Do lado alvinegro, faltou entender a invenção de Oswaldo, colocando Julio César como volante, que não funcionou. Também não ajuda o Botafogo a má fase de Bruno Mendes. Se ano passado o jovem atacante conquistou o coração da torcida anotando gols, esse ano a seca está presente. Quando voltar a melhor forma, certamente esse time estará mais forte.

Se a torcida andara com saudades de clássicos que realmente pudessem ser chamados assim, os rivais fizeram questão de acabar com ela. Quem não viu, perdeu.

Independentemente do resultado, valeu o jogo.

Não importa quem perdeu, não importa quem ganhou.

Como nos velhos tempos,

O clássico orgulhou a todos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A apoteose de Rafinha

(Foto: Rudy Trindade / VIPCOMM)
Quem diria que um pequeno e magrelo garoto, disputando o seu primeiro clássico, poderia fazer o que fez? Ninguém esperava que Rafinha pudesse decidir o jogo contra o maior rival. Provavelmente nem ele esperava isso. O jogo superou todas as expectativas e o camisa 11 rubro-negro tratou de chamar a atenção para si sem a menor timidez ou embaraço. 

Talvez nem fosse o melhor dia para dar um show. Clássico em uma quinta-feira, horário insólito, ainda nas rodadas iniciais, e ambos os clubes em reconstrução. Seria o típico jogo para empate. Seria, quem sabe, se Rafinha não estivesse em campo. Se Rafinha não corresse tanto. Se Rafinha não participasse dos quatro gols. Se Rafinha não marcasse um golaço. Se Rafinha não fosse Rafinha. Mas, afinal, quem é Rafinha?

Ao sair do CFZ para o Fla, o jogador serviu como muleta para uma polêmica. Capitão Léo acusou Zico de prejudicar o clube da Gávea no acordo CFZ-Flamengo (relembre aqui). À época, um dos jogadores que chegou ao rubro-negro foi o atacante. Na base, Rafinha teve bom desempenho, mas sempre chamou atenção pelo aspecto franzino. E pela velocidade, claro.

Nos profissionais, era difícil imaginar que ele seria titular e, mais ainda, começaria a fazer a diferença. Jogo após jogo, o rendimento de Rafinha vem crescendo e isso culminou com uma grande atuação justamente contra o Vasco. Ao participar de todos os gols e infernizar a defesa adversária, inclusive Dedé, Rafinha se transformou em um pequeno notável. Ainda há muito o que fazer? Sim, mas o começo é animador, principalmente para a torcida do Flamengo, que anda tão carente de ver jogadores vindos da base fazerem sucesso e, ao mesmo tempo, pode ter esperança em ter um time qualificado.

O Carnaval é só na semana que vem, mas Rafinha antecipou a festa rubro-negra.

Desfilou pelo gramado do Engenhão como se fosse sua apoteose particular e fez um baile de proporções inversas.

Pequeno artista,

Grande Carnaval.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quando o resultado pouco importa


Fluminense e Botafogo entraram em campo hoje pelo Campeonato Carioca. O Glorioso goleou o frágil Audax por 4 a 0 enquanto o Flu apenas empatou com o Friburguense por 2 a 2. Pelo elenco que têm, ambos sempre serão favoritos contra os pequenos, assim como Flamengo e Vasco, mesmo que esses dois ainda contem com elencos pouco confiáveis. Fato é que nos jogos de hoje o Botafogo fez valer o favoritismo. O Flu, não.

Mas isso pouco importa. Para o tricolor, o Cariocão 2013 serve como pré-temporada. Os jogos praticamente viram treinos para que os jogadores readquiram o ritmo de jogo e os contratados se entrosem com o restante do elenco. O time que vem sendo escalado não é considerado o ideal, os principais jogadores são poupados e, assim mesmo, o Flu estará nas fases finais, óbvio. Pouca importa se empatou com o Friburguense e pouco vai importar se empatar ou perder para qualquer outro time pequeno. O planejamento é a Libertadores, naturalmente. Torcida, técnico, jogadores, diretoria, todos pensam somente na taça ainda inédita.

Já o Botafogo, talvez, tenha apenas um motivo para se preocupar com os resultados do cada vez menos importante Campeonato Carioca. Melhor: Oswaldo tem um motivo para querer vitórias e mais vitórias contra os pequenos. Apesar do bom trabalho e das raras opções no mercado, parte da torcida insiste em questionar o treinador, muito por conta das polêmicas de Oswaldo com Loco Abreu, ídolo e ex-atacante do alvinegro. A loucura dos torcedores - com perdão do trocadilho - pode jogar uma pressão desnecessária em cima de jogadores e técnico, obrigando o time a passar o trator em todos os adversários. Ao menor sinal de tropeço, vaias, manifestações contrárias ao treinador e todo aquele blá blá blá vão acabar acontecendo.

Mais importante do que os resultados é o torcedor, seja do Fluminense ou do Botafogo, entender que o Cariocão é nada mais nada menos do que um laboratório. O campeonato deve ser utilizado para testar, errar, acertar, colocar tudo em seus devidos lugares para fazer um bom papel nas outras competições do ano, essas sim, muito mais relevantes.

Ser campeão até pode ser bom para o torcedor, que certamente vai estar ávido para sacanear os rivais, mas isso não precisa se tornar uma obrigação para ninguém, ainda mais para quem já tem elenco encorpado, como é o caso dos dois clubes.

Caso um dos dois seja campeão, torcedor, aproveite e goze o rival. Mas se perder, não faça disso o fim do mundo.

Fim do mundo é se importar com aquilo que não vale nada.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mudança, seja bem-vinda


Flamengo e Palmeiras têm algumas coisas em comum. O cenário político dos dois clubes é sempre muito tumultuado e acaba influenciando os resultados em campo. Os bastidores são repletos de armadilhas, manobras ardilosas, ou seja, são verdadeiros caldeirões. Não bastasse isso, os dirigentes eleitos sempre chegaram com discurso de mudança, garantindo, até o fim do mandato, que os clubes estariam mais fortes, brigando por títulos, recheados de craques e ocupando o lugar que merecem. Mas quase nunca essas ações realmente foram concretizadas. O reflexo disso é o atual estágio calamitoso no qual os dois se encontram, principalmente no que diz respeito ao aspecto financeiro.

Mas, agora, a situação parece mudar. Eduardo Bandeira de Mello e seu qualificado grupo de executivos chegou ao Flamengo, em dezembro, agindo diferente. Pés no chão, assumindo dívidas publicamente e tentando fazer tudo às claras. Mesmo sem dinheiro e sofrendo com penhoras, o rubro-negro vem conseguindo reforçar o elenco dentro das possibilidades, com boa atuação de Paulo Pelaipe, diretor de futebol, no mercado. Ainda é muito cedo para dizer onde tudo isso irá levar? Sim, mas o caminho escolhido parece ser o mais correto.

Como também foi correta a primeira atitude do novo presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, que ocupa o cargo há três dias. Ao lado do novo diretor executivo, José Carlos Brunoro, o mandatário confirmou que desistiu da contratação do argentino Riquelme, inicialmente tentada pela antiga diretoria. O meia elevaria a qualidade do meio-campo alviverde, mas há a questão financeira e o fato do ex-jogador do Boca Juniors não atuar desde a final da Libertadores do ano passado, dia 4 de julho. Certamente o salário de Riquelme seria altíssimo, onerando ainda mais os vazios cofres palestrinos. Primeiro gol de Paulo Nobre.

Mesmo estando em estágios iniciais de mandato, as duas diretorias dão claros sinais de que procurarão fazer uma administração mais austera, se preocupando primeiro em arrumar a casa para depois correr atrás do prejuízo. Fazer contratações milionárias para conquistar a torcida pode até adiantar em um primeiro momento, mas será que isso é válido mesmo, pensando a longo prazo? Óbvio que não.

Ambas diretorias parecem caminhar na mesma direção, fazendo o que é certo para o futuro dos clubes.

Mesmo que seja com passos pequenos, dia após dia, tudo indica que vão chegar ao final feliz.

O tempo mostrou que as direções passadas estavam erradas

E, provavelmente, vai mostrar que as atuais estão certas.

Basta esperar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Família Scolari - Parte II


Eis que temos a primeira versão da nova Família Scolari. Como toda lista de convocação, há os questionamentos, os elogios, o famoso "chamou fulano mas deixou sicrano de fora? Que absurdo!" entre outras demonstrações de contento ou pesar. Lembrando que a mudança de técnico também implica mudança de filosofia, conceitos, variação tática e, claro, jogadores. Afinal, cada um de nós tem as suas preferências e não poderia ser diferente com os técnicos. Sem enrolação, vamos aos nomes e o que penso sobre cada um deles fazer parte dos convocados para o amistoso contra a Inglaterra, dia 6 de fevereiro, em Wembley.

Goleiros

Diego Alves (Valencia) - Sempre gostei dele e continuo gostando. Precisa ter mais chances como titular. Pela idade, 27 anos, pode ser dono da vaga na Copa de 2018. Até lá, pegar experiência na Seleção é importante.

Julio Cesar (QPR) - Depois de um tempo no banco, voltou a figurar entre os titulares do clube inglês. O momento de Jefferson e Diego Cavalieri é melhor? Sim, mas vale lembrar que goleiro é posição de confiança e Felipão gosta muita de Julio Cesar. Em tempo: não é o caso agora, mas estando em forma, Julio Cesar é superior a todos os goleiros brasileiros.

Laterais

Adriano (Barcelona) - Reserva de Marcelo. Como o lateral do Real Madrid está machucado, nada mais natural do que ele continuar na lista. Nenhuma surpresa.

Daniel Alves (Barcelona) - Com o esquema do Barça nem sempre faz, efetivamente, a função de lateral. Mas o Brasil carece de jogadores tanto para o lado direito quanto esquerdo da defesa. Assim, é o nome mais indicado.

Filipi Luís (Atlético de Madrid) - Vem se destacando no futebol espanhol há um tempo. Adriano é o reserva imediato mas não é absoluto. Vale o teste.

Zagueiros

Dante (Bayern de Munique) - Confesso que não conheço. Mas as primeiras informações que obtive são positivas. Zagueiro de 28 anos, titular, foi escolhido o melhor da posição no Campeonato Alemão. Quer saber mais sobre o cabeludo Dante? Acesse o post do Pedro Venancio no Blog da Trivela clicando aqui.

David Luiz (Chelsea) - Natural estar na lista. Continua bem no Chelsea e ainda é novo, tem muito para evoluir.

Leandro Castán (Roma) - Saiu bem do Corinthians e segue bem na Roma, apesar de jogar muitas vezes improvisado na lateral-esquerda. Bom nome.

Miranda (Atlético de Madrid) - Titular do clube espanhol que no momento é o 2° colocado no campeonato nacional, atrás apenas do Barcelona. Isso não credencia ninguém, mas é um bom começo. Miranda é bom zagueiro mas não é midiático, fazendo com que muita gente não se lembre dele. Ótima novidade.

OBS: Thiago Silva, titular absoluto, está machucado.

Volantes

Arouca (Santos) - Já esteve em melhores fases, mas não chega a ser um nome contestável.

Hernanes (Lazio) - Vive seu melhor momento no clube italiano, sendo um dos líderes do time. Bola dentro de Felipão.

Paulinho (Corinthians) - Melhor volante brasileiro na atualidade. E isso basta.

Ramires (Chelsea) - Não pode ficar fora.

Meias

Oscar (Chelsea) - Por questões táticas, nem sempre é titular no clube inglês mas, sem dúvida, é o melhor jogador que temos na posição hoje, mesmo sendo um garoto.

Ronaldinho (Atlético Mineiro) - Se jogar como o meia-atacante do Galo, merece a vaga. Agora, se for o Ronaldinho desinteressado e displicente de Flamengo e Seleção Brasileira, não precisa ser chamado na próxima.

Atacantes

Fred (Fluminense) - Gastou a bola no Brasileirão 2012. Um dos melhores centroavantes do Brasil. Precisa corresponder na Seleção.

Hulk (Zenit) - Foi comprado pelo clube russo por pouco mais de 60 milhões de euros (!) e ainda não justificou o alto valor. Entrou em rota de colisão com o técnico da equipe e falou até em sair do clube. No lugar dele, eu convocaria Kaká, tendo, assim, mais uma opção para o meio.

Lucas (PSG) - Jovem, excelente jogador e muito para contribuir. Assim como nas convocações anteriores, merece.

Luis Fabiano (São Paulo) - Sabe fazer gols e foi muito importante na Era Dunga. Com a cabeça no lugar, pode contribuir bastante.

Neymar (Santos) - O nome já fala por si.

Comentários finais

Como colocado acima, gostaria de ver Kaká no lugar de Hulk, até pelo que ele apresentou nas últimas convocações de Mano Menezes. Tirando isso, não vejo muito o que questionar. Talvez a convocação de Julio Cesar mas, como disse, goleiro é posição de confiança, cada treinador tem o seu. No mais, acho que é uma convocação correta e coerente com o estilo de Felipão. São jogadores que ele conhece e confia e, apesar do envelhecimento do grupo, pode dar liga.

Lembrando também que essa é apenas a primeira convocação. Alguns vão sair e outros vão entrar até que se chegue no grupo considerado ideal pelo treinador. Fato mesmo é que, ao menos esse ano, os testes pelos quais a Seleção irá passar são duros. Além da Copa das Confederações, amistosos contra grandes equipes, como Itália, Argentina, Alemanha entre outras estão no calendário.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Com razão, sem coração


Fiquei por alguns segundos pensando em um jeito criativo para fazer o texto sobre a saída do Love. Não consegui imaginar nada além dos clichês mais batidos do mundo como "acabou o amor", "o amor se foi" e coisas afins. Depois pensei o porquê de não ter conseguido criar uma metáfora para essa situação e a conclusão a qual cheguei foi: Vagner Love não instiga minha criatividade e isso tem uma explicação.

Ele é apenas um bom jogador. Média 6, 7, e é isso. Assim mesmo. Objetivo, direto, frio. O agora ex-atacante do Flamengo faz bons jogos aqui e ali, mete uns gols, perde tantos outros e fim de papo. Boa parte da torcida não gostou da saída do jogador por dois motivos: ele é ídolo dos rubro-negros e, querendo ou não, foi aquele pequeno oásis de técnica em meio ao deserto rubro-negro durante todo o ano de 2012. A saída dele enfraquece o time? Sim, e muito. Mas, como dito acima, isso acontece simplesmente pelo fato do Flamengo ainda não ter jogadores, muito menos atacantes, que possam servir como referência dentro de campo.

O torcedor é imediatista. Obviamente os flamenguistas gostariam que a nova diretoria chegasse e montasse um elenco estelar, que brigasse por todos os títulos e pudesse ser campeão de tudo. Depois de um pífio 2012, ninguém quer mais um ano na seca. E a torcida tem razão, vencer campeonatos é a melhor coisa que tem. Mas a proposta dos novos diretores é outra. É vencer, mas a longo prazo. É fazer um clube forte que consiga se manter sempre no topo. Só que isso demanda tempo, e nem sempre o torcedor entende. 

Por que gastar um dinheiro que não tem, aumentar as dívidas e criar mais um problema, apenas para manter um jogador nota 7? Por que não se livrar dele, dos salários e da dívida com o clube russo, pensando em manter os salários dos outros jogadores em dia e dando credibilidade ao clube? A filosofia mudou. Passou do "não tenho dinheiro e compro mesmo assim" para "não tenho dinheiro e não vou comprar". Bola dentro da diretoria, que agiu com a razão e sem o coração.

Seja paciente, torcedor. São atitudes como essa, profissionais, que o Flamengo precisa para voltar a ser bem visto no mercado por empresas, jogadores, treinadores e todos aqueles que fazem parte do meio futebolístico. São atitudes assim que levam qualquer clube a sair de um momento ruim e tornar a ser grande. 

Quem quer ser campeão carioca todo ano e ganhar um título importante a cada 10, 20 anos, vai sentir falta de Vágner Love e criticar a postura da diretoria.

Quem espera um clube forte, capaz de atrair mais jogadores acima da média e que esteja no topo sempre, vai entender.

A saída de Vágner Love pode significar a perda do Cariocão 2013 ou a conquista de inúmeros troféus mais importantes daqui a alguns anos.

São duas possibilidades. Uma pequena tristeza momentânea ou imensas alegrias futuras. Só depende de como cada torcedor enxerga a questão.

E para não desperdiçar o clichê,

Acabou o amor.

Começou o profissionalismo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

FMH Entrevista - Rica Perrone - Parte 2


Na continuação da entrevista, Rica fala sobre a simpatia pelo Flamengo, idolatria por Zico, Messi, Lucas, Neymar e muito, muito mais.

Confira abaixo os principais trechos:

Simpatia pelo Flamengo

"A culpa é do Zico. O Zico é meu ídolo. Eu sou
da geração das Copas de 86 e 82 e o 10 era o Zico. A molecada hoje não tem noção do que a Seleção representava. Em 82, 86 nós adorávamos a Seleção, a gente discutia a semana inteira e o Zico era o cara, era o salvador da pátria. Ai veio o lado do pai que eu tenho. Perguntei para ele por que o Zico jogava tanto e não jogava no São Paulo. Meu pai podia dizer qualquer coisa, mas me explicou sem ódio nenhum e eu olhei aquilo com simpatia. Então eu sempre quis ver jogo do Flamengo na TV porque queria ver meu ídolo jogar. A torcida do Flamengo é do cacete, sempre me encantei com a combinação Maracanã e torcida do Fla, sempre quis conhecer. Foi o time que me fez olhar futebol fora do meu time. E a torcida do Flamengo, queira ou não, me fez aqui no Rio. Eu era um jornalista de São Paulo, odiado pelos paulistas porque sempre falei bem dos times do Rio, mesmo sem ter público aqui. Até que o Flamengo teve aquela arrancada em 2007 e alguns flamenguistas começaram a ler e colocar no orkut. Ai comecei a ter publico aqui".

Futebol europeu

"Não tenho nada contra o futebol europeu, eu assisto, desde que sejam dois times grandes. Chelsea x Manchester é um jogo legal. Agora, não precisa terminar o jogo comemorando ou chorando pelo time, quem faz isso é idiota. Os caras não se importam, o site deles não é traduzido para o português e neguinho fica igual uma gazela gritando. Você pode gostar, mas não exagera. Eu torço para o Real Madrid, gosto do Real, mas não muda nada para mim se ele perde ou ganha. Ele não mexe com minha paixão, mexe com o meu lado de quem gosta de futebol. Não gosto daquela história de "aqui é assim, mas se fosse na Europa...". Lá também tem problema, xingam jogador de macaco, tem briga, invadem o campo, mas aí é perfeito. Aqui o cara joga um copinho de plástico e no dia seguinte tem uma coluna inteira no jornal falando disso. Isso me incomoda, essa mania que temos de ser colônia. Tem coisa na Europa que é melhor, mas tem coisa aqui que é melhor que o deles. O americano não faz isso com o esporte dele, o europeu também não, só a gente. Os caras lá fora cagam para a gente. E eu não dou moral para quem não me dá moral, é simples".

Messi

"O Messi é um puta jogador. Para mim, não é melhor que o Zico, nem chega perto, até porque ele tem só 25 anos, não seria justo. Se um dia for, de fato não vou assumir, isso não é piada. O Ronaldinho jogou mais bola, o momento dele no Barcelona era igual, por isso acho que é precipitado. Em algum momento o Messi vai cair e ai, como ele vai administrar esse momento, ninguém sabe. O Ronaldinho caiu, afundou. O Adriano caiu, afundou. O Messi pode estourar um joelho, tomara que não aconteça, mas pode, pode separar da mulher, jogador é influenciado pela vida pessoal. Nessas horas a gente vai saber se ele vai arrebentar ou vai afundar. Pode acontecer com o Neymar também, ninguém sabe. Quando o Ronaldinho jogava no Barcelona a gente jurava que estava diante do novo Pelé, e não estava. Agora é a mesma coisa".

Rivalidade com Argentina

"Eu não posso ser torcedor contra o Fluminense, contra o Vasco. O que me resta? O Brasil. E aí eu fomento para caralho, porque eu posso debochar, extravasar. Com a Seleção me sinto totalmente no direito de não gostar do argentino, e tentar colocar como uma coisa racional, ponderada, é uma burrice do caralho. Quero pegar a Itália, Argentina, eles são meus inimigos dentro do campo, fora do campo não tenho nada contra ninguém. Agora, o que pode ser melhor do que torcer contra a Argentina? Eles não ganham nada, os jornalistas que eu mais odeio gostam da Argentina, então é um prato cheio. Na medida que a Copa for chegando, as pessoas que dizem que não estão nem ai para a Seleção vão mudar de ideia. Hoje o torcedor não sente aquela relação apaixonada porque você não tem com quem discutir. Na Copa nós vamos ter, a gente vai ver o adversário e essa relação vai mudar".

Saída do Lucas

"100 milhões, cara. Não tem o que fazer, não dá para discutir. O que eu vou falar para o moleque? Não vai? Impossível. Vai jogar numa liga mais fraca, mas é um time grande, com jogadores muito famosos, um time que vai estar em evidência, está jogando a Champions League, o que vou falar? Vamos dizer que ele não faça nenhuma loucura, ele passa 4 anos jogando no PSG e fica livre para fazer o que quiser. Como vou imaginar que o clube vai recusar 100 milhões e ele vai recusar a parte que cabe a ele? Não tem como discutir".

Neymar melhor do mundo

"Para a FIFA ele tem que sair, para mim, não, de jeito nenhum. No Brasil se joga mais jogos difíceis por ano que nos campeonatos europeus. Claro que o time grande europeu está acima do time grande brasileiro, não discuto isso. Mas ao final do ano, você fez 30 jogos contra times grandes, e o cara lá fez 9, 12. Nós somos muito mais competitivos. Acho que o Neymar poderia ser o cara a quebrar o tabu, ser o melhor do mundo jogando no Brasil, porque esse menino é uma coisa que eu nunca vi. Tenho 34 anos e nunca vi, na minha vida, nada parecido. Ele é um ET. Romário e Ronaldo são monstros mas, com 20 anos, não faziam o que esse moleque faz. Ele dribla para os dois lados, chuta, cabeceia, se posiciona, é um marqueteiro do caralho, uma presença, um carisma desgraçado, resolve jogo sozinho. É um puta jogador, mas não adianta jogar tudo nas costas dele. Fui ver o Neymar algumas vezes em estádio e percebi o senso de colocação, o quanto ele procura o jogo. Nós estamos diante de um negócio que não sei o tamanho, mas é bom".

Ídolos brasileiros

"Ninguém supera o Pelé, porque ele foi o primeiro e ninguém tira isso. Sabe quando um piloto vai superar o Senna? Nunca, porque ele morreu na pista. Sabe quando um jogador do Flamengo vai ser melhor que o Zico? Nunca, porque ele foi o primeiro a ganhar tudo pelo Flamengo. Tem coisas que não têm dimensão, que são definitivas. Não é um numero que vai mudar. O Brasil não tem um ídolo de todo mundo. Em outros esportes não têm. No futebol tem ídolos de clubes, como o Rogério Ceni. Mas, no geral, acho que é isso mesmo, não tem. O Ronaldo parou e ficou só o Neymar de extraterrestre. O Ronaldinho joga para cacete mas é um mongol falando, ele não consegue desenvolver, não tem carisma. Isso é dele, não tem o dom da comunicação, então não vai se tornar um ídolo. Poderia, mas não vai".

Relação ídolos x torcedor brasileiro

"O brasileiro debocha demais dos ídolos. Em qualquer lugar do mundo o Zagallo seria Deus, aqui ele é piada. Brasileiro tem dificuldade de lidar com o sucesso alheio. Todo ator famoso é viado, toda atriz é puta. Jornalista tem uma dificuldade maior ainda. O jornalista é o cara que não conseguiu jogar bola.  Eu sou um frustrado, porque todo jornalista esportivo, em algum momento da vida, quis ser jogador e não conseguiu. Aquela dose de tentar diminuir o cara para colocar ele no seu patamar, é um mal do caralho. Se o jogador arrebenta, bate palma, não veja o porém. O Zagallo é um Deus do futebol. Você não gosta? Foda-se. Esse cara é tetracampeão do mundo pela Seleção, tem que bater palma de joelho para ele, é um ícone nacional. O Ronaldo é um fora de série e hoje neguinho lembra de travesti, não da recuperação, da Copa de 2002, do que ele representou economicamente para o futebol brasileiro com a vinda para o Corinthians. O Zico foi um monstro e as pessoas falam em pênalti perdido Foda-se o pênalti, tem que olhar o que o cara representou e representa para o futebol. Prefiro 10 Zicos perdendo pênalti, mas com a personalidade de entrar machucado e pedir para bater, do que 10 covardes. O que acontece no Brasil é uma inversão de valores".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FMH Entrevista - Rica Perrone - Parte 1


Ele jura que não, mas é um dos blogueiros mais reconhecidos do momento, principalmente entre o público jovem que utiliza redes sociais. As opiniões dele fogem ao senso comum e, muitas vezes, é tido como polêmico. Fã do futebol brasileiro, é um dos principais críticos a bajulação que fazem ao futebol europeu. Seus textos sempre veem o lado positivo dos jogos e times, valorizando todos eles, desde que façam parte do seleto grupo dos 12 grandes, como ele mesmo diz. Em 1h30 de entrevista - quase um bate-papo- concedida em sua própria casa no Rio de Janeiro, Rica Perrone não fugiu de nenhum assunto e foi o mesmo cara de sempre. Autêntico, direto e objetivo. Nessa primeira parte da entrevista ele falou sobre o novo programa na BEAT 98, amizades na imprensa, polêmicas com outros jornalistas, vantagens de ter um blog autônomo e muito mais. 

Confira abaixo os principais trechos:

Ter um rosto famoso

"Eu não gosto mesmo, não tenho paciência de estar no restaurante e neguinho ficar olhando para mim. Tenho muito amigo famoso e quando saio para almoçar com eles eu vejo os caras e não me sinto a vontade. Sei que as pessoas estão apontando, falando, eles sabem, estão acostumados, mas eu não sei se me acostumaria. Mas isso é muito menor aqui no Rio de Janeiro, talvez porque todo mundo famoso more aqui, então o carioca está acostumado. A minha proporção de fama também é ridícula, uma coisa é a internet, outra é televisão".

Programa na BEAT 98

"Eles abraçaram o programa (BEAT Bom de Bola), a equipe da rádio foi sensacional comigo, me tratam como se eu fosse da casa há 10 anos. Sou um paulista falando em uma rádio carioca e todos me abraçaram. Meu jeitão de fazer, de falar, encaixa muito mais aqui. Não é que o paulista não tenha senso de humor, mas ele cobra muito o resultado do jogo. Aqui no Rio tem resultado, mas tem todo o resto. O carioca gosta de se iludir com o futebol e é do cacete, porque o futebol é uma grande ilusão. Talvez por terem sido criados com Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, lendo isso, você tem uma forma de ver futebol, e o paulista nunca teve isso, nunca teve a forma lúdica. Como sou muito brincalhão, encaixo aqui, a BEAT é uma radio popular, o meu jeito encaixa na rádio também".

Respeito de todas as torcidas

"Primeiro que eu tenho muito respeito por todos os grandes e escrevo igual para todos. Não tiro a grandeza do Atlético-MG por que ele está 40 anos sem ganhar. Acho que Botafogo e Atlético vão voltar a ganhar tudo. Eu sigo uma linha, o torcedor até pode ficar irritado com a brincadeira, mas ele não pode dizer que eu desrespeito o time dele, só se for pequeno (risos). Se eu fosse torcedor do Guarani, da Ponte Preta, esses times pequenos, eu iria preferir um cara que tirasse sarro do meu time do que um hipócrita da TV que diz: "Me preocupa a defesa do Náutico, porque o Náutico está mal". Preocupa o quê, irmão? Os caras nem sabem quem joga na defesa do Náutico. Se o Náutico cair, vão dar graças a Deus porque um pequeno caiu. O Náutico só preocupa a torcida do Náutico. O São Paulo preocupa, por exemplo, a imprensa, a mídia, patrocinador, televisão, audiência. O Náutico, a Ponte Preta, eles não preocupam ninguém, isso é um fato. Então eu prefiro ser prático e dizer que o time dele não me preocupa em nada, que ele é insignificante para mim, do que ser hipócrita".

Abismo financeiro entre os clubes

"O futebol brasileiro chegou em um nível de grana, não tão forte quando os tops europeus, mas dos médios para cima, e se a grana é desse tamanho, a divisão é de acordo com o que você vende. Um time do Nordeste tem muito menos poder de compra e influência de pessoas com poder aquisitivo alto do que um time do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais ou Porto Alegre. Portanto, ele vai fazer o ano dele com 20 milhões e o time daqui vai fazer com 200, que foi o que o Corinthians operou ano passado. Não tem mais nenhuma possibilidade disso se juntar, não dá mais. Até por uma questão social, demográfica. Infelizmente os estados do Nordeste são mais pobres e os clubes de lá valem menos, eu lamento muito mas não tenho culpa disso".

Fama de polêmico

"Muito disso é por que alguns colegas da imprensa insinuam isso para me menosprezar. Para mim, existem várias formas de polêmica. Tem gente que olha para mim, falando palavrão, brincando e pensam que eu sou o novo Kajuru. Cara, eu nunca levei um processo, e não vou levar. Se levar, vou ganhar, porque nunca ofendi ninguém, acusei ninguém de nada, simplesmente levo o futebol na brincadeira. Minha linha é outra, eu quero saber de futebol, de bola no campo, quero que se foda o político. Vou ficar dando cartaz para esses caras? Tudo que eles querem é isso. Esse lado murcha a paixão do torcedor e eu preciso da paixão dele para vender, se eu fizer isso, sou burro. Eu sou polêmico por ser diferente, mas não sou irresponsável e isso é difícil de entender. Já ouvi isso de editor de site grande. Os caras me veem falando palavrão, de bermuda e chinelo e acham que eu vou escrever alguma merda a qualquer momento. Não vou. Eu sou muito mais inteligente do que parece no twitter, lá é um bonequinho, um personagem que as pessoas tem que odiar ou amar".

Blog na Globo.com x autonomia

"Na Globo eu não podia fazer um texto como fiz outro dia falando um foda-se. Eu sei que para um jornalista de um site grande, TV, rádio, não pode falar palavrão, eu entendo totalmente, porque nesses lugares não está te ouvindo ou vendo quem te procurou, tem gente que está ali por estar. Agora, o cara que vai no meu blog, ele sabe o que quer ler e o que vai encontrar lá. Não vou mudar isso, o palavrão é uma coisa que me libera. Durante o ano que passei lá, eu sabia que ia sair, então o que fiz foi usar ao máximo a Globo.com para me dar audiência. Eu sai de lá com o dobro de audiência que cheguei. Mas foi bom para mim e para eles, porque dei muita audiência no site também. Mas nunca ninguém me mandou tirar nada do ar, se eu falasse isso, seria injusto. A única vez foi quando o Poli (NR: Gustavo Poli, editor-chefe do GE.com), me chamou e falou para eu diminuir o palavrão, ai eu zerei, só falava um porra e um merda de vez em quando. A independência é diferente porque me permite falar no tom que eu quero".

Amizades na imprensa

"Lógico que dá para fazer amizade na imprensa, mas a questão não é essa. Posso dizer que tem muita gente na imprensa, que por eu fazer uma coisa diferente e funcionar, fica muito incomodada, então tenho meus amigos, as pessoas que me conhecem, pessoas que não gostam do que faço mas me respeitam, o que é totalmente diferente. Só que tem gente que não gosta e não respeita e fica dando indiretinha. E ai eu respondo com diretas. 99,9% dos casos, eu estou revidando. Nunca partiu de mim, nunca. Eu nunca abri minha boca para falar deles. Quando teve a campanha no twitter para o Ricardo Teixeira  sair da CBF eu estava conversando com o Tiago Leifert (NR: apresentador do Globo Esporte SP) dizendo que não cabia a jornalistas participarem do protesto, e sim divulgar. Ai começaram a jogar indiretinha pelo twitter, e desde então passei a tirar sarro desses caras. Se manda indiretinha, e eu sei que é para mim, não finjo que não é, vou lá e mando tomar no cú. Briguei umas 3 ou 4 vezes publicamente, mas nenhuma fui eu quem começou".

Divulgação dos times por parte dos jornalistas

"Eu respeito o cara que assume que tem um time mas diz que não vai divulgar. Acho ridículo quando um cara inventa um pequeno, e aqui, pelo amor de Deus, não me refiro ao Alex Escobar (NR: apresentador do Globo Esporte RJ), o Escobar é América mesmo, e fica carregando o time o resto da vida só para fazer média com todo mundo, ai não dá, acho uma baixaria do cacete, não gosto. Mas está na hora do torcedor amadurecer, da relação amadurecer, o torcedor tem que entender que o jornalista é um ser humano e o jornalista tem que entender que o torcedor é um ser irracional na hora do jogo Os dois lados têm que se entender. Não consigo acreditar que ainda tenha animal que pense em agredir jornalista por causa de time. O Neto é corintiano e ninguém agride o cara. O torcedor é ignorante e tal, mas é ignorante com o cara que é muito exagerado. Eu assumo o time, entendo quem não assume, mas têm uns caras que todo mundo sabe para quem torcem e eles negam. Aí eu acho que o cara está fazendo papel de bobo".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tudo azul no Flamengo

Eduardo Bandeira, Zico e integrantes da Chapa Azul
(Foto: O Dia Online)
2013 vai chegar e, com ele, chegará também um novo presidente no Flamengo. Eduardo Bandeira de Mello (Chapa Azul) foi escolhido pela maioria dos sócios e deixou para trás Patrícia Amorim (Chapa Amarela) e Jorge Rodrigues (Chapa Rosa).

O carro-chefe de Eduardo Bandeira e da Chapa Azul foi a palavra modernização. Modernizar o Flamengo com uma gestão profissional é o que propõe o novo presidente e seus pares. Alguns cargos já têm seus nomes definidos e o que se espera é um grau de competência maior na administração do Fla. Todos os indicados são empresários reconhecidos em suas áreas e, assim, parecem ser os mais capacitados para levantar um clube inundado em dívidas e sucessivas gestões calamitosas. Em um ano de tantas notícias negativas, soa até estranho a melhor delas ter vindo logo da política, que na Gávea, como todos sabem, é um mar de lama.

O torcedor precisa ser realista e manter os pés no chão. Não adianta enxergar o vencedor como um Messias, como o salvador da pátria que vai transformar o Flamengo no Barcelona, Real Madrid ou Manchester United. Isso foge à realidade. Eduardo vai errar e acertar em todos os setores, até porque vai pegar um clube que vem sendo maltratado nos últimos anos. O trabalho, por mais competente que todos sejam, vai ser duríssimo. Há muito o que arrumar, principalmente nas finanças e no futebol. Nem de longe é das tarefas mais fáceis.

Mas se o trabalho vai ser duro, pelo menos há uma esperança na renovação. Renovação de pensamento, de filosofia, de nomes, de conduta. Os anos passam e as pessoas que se perpetuam no Flamengo são sempre os mesmos. Sopros de um vento renovado podem fazer bem ao Mais Querido. Além da renovação, há uma esperança no renascimento rubro-negro, não apenas como time de futebol, mas também como instituição. A instituição Flamengo precisa mudar, evoluir, voltar a ser referência de coisas boas e não de chacotas intermináveis. Clubes grandes, independentemente de ser o Flamengo ou não, precisam estar bem, no topo. É salutar para o futebol brasileiro como um todo.

E a chance do rubro-negro se reerguer parece ter chegado. Pode dar certo ou errado. São possibilidades que sempre vão existir.

Só o fato de tentar uma mudança já é altamente positivo.

Se vai funcionar, só o tempo dirá.

Uma coisa é inegável.

O céu vermelho e preto, que andou tão cinza em 2012, mudou de cor.

Agora tem uma pincelada de azul.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Carta aberta ao Palmeiras


É, Palmeiras, o que fizeram contigo...

Tantas e tantas glórias passadas, ídolos eternos, boas histórias para contar... e um presente de se envergonhar. Mas a culpa não é sua, Palestra, não. A culpa é deles. Senhores engravatados fingindo saberem de tudo quando não sabem de nada. E daqueles outros também, que usam suas cores e seu nome mas, na verdade, só querem balbúrdia e algazarra, brigas e violência, ameaças a dirigentes, jogadores e torcedores de verdade. Os culpados são todos eles, que não sabem te valorizar, não sabem cuidar, não sabem incentivar nem torcer, mas sabem destruir.

E como eles destruíram você, não é? O alviverde não é mais tão imponente assim e a torcida não canta nem vibra como antes. Você sabia o que vinha pela frente, como bem diz o hino, mas agora não sabe mais. Tudo é incerteza, como uma cortina de fumaça que chega trazendo com ela intermináveis interrogações. No fim das contas, quem sofre é você, quem paga é você... e os seus fiéis seguidores, amantes verdadeiros, que não pensariam duas vezes antes de gastar o último centavo do mês para lhe dar um buquê de rosas. Ah, os amantes à moda antiga. Se você só vivesse deles, Palmeiras, estaria em melhores mãos.

Mas não está. Hoje quem te conduz são interesseiros. Os senhores que nada entendem de amor, futebol e tradição, e também os machões, que sugam a sua alma, sua vida, em prol de camisas que carregam pouco Palestra e muitas manchas. E o que pode você fazer? Nada. Nada. Nada. Quando você depende de outros para evitar um vexame, quando depende de outros para evitar uma vergonha em sua história, esse é o sinal mais claro do poço de decadência que te colocaram. A situação chegou a tal ponto, que teve um tal de Clóvis Rossi dizendo que não te quer mais e que a culpa é sua. Que desfaçatez!

Mas não se preocupe, Palmeiras. Ainda há salvação, sempre há. Os bons, os verdadeiros, os heróis da sua história, que já foram tantos em várias épocas, chegarão de novo e te colocarão de volta no seu lugar. E não me refiro apenas ao primeiro escalão do futebol brasileiro. Me refiro também ao manejo, ao cavalheirismo, ao trato repleto de romantismo que os atuais responsáveis não sabem te dar. Os torcedores reais, aqueles que riem, pulam, cantam e comemoram as vitórias, que caem, choram, sofrem e sentem a derrota, te abraçarão. E vão exibir orgulhosos, seja hoje, amanhã ou depois, a sua camisa, sua verdadeira camisa, para mostrar ao mundo quem é o alviverde imponente. 

Assim, Palmeiras, eles vão mostrar também

Quem é de fato o Campeão.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cores quentes, frias e um tricolor campeão


No universo das artes existem cores quentes e frias. E elas não são flexíveis, não mudam de lado ao bel prazer do artista. Cor quente é cor quente, cor fria é cor fria. As quentes são vermelha, amarela e laranja, enquanto as frias são verde, azul e violeta. Branco e preto são cores neutras. Deixemos a aula de artes de lado e passemos ao campo de jogo.

Se o futebol tem a mania de subverter a ordem natural da vida em diversas situações, o Fluminense fez o mesmo com a regra das cores para ser o Campeão Brasileiro de 2012. Misturou as três cores que traduzem tradição (licença poética do autor para substituir o vermelho pelo grená), cada qual pertencente a um grupo, e criou um ser híbrido. Um time quente e frio ao mesmo tempo (grená e verde), além de ser neutro (branco), chegando a fingir certo desinteresse em alguns momentos das partidas. 

E a equipe só conseguiu atingir, digamos, esses estados térmicos, graças a alguns jogadores específicos. Diego Cavalieri e Gum, provavelmente os melhores goleiro e zagueiro do Brasileirão, respectivamente, abusaram da frieza ao defender o Flu tantas e tantas vezes. Assim como Deco e Jean, que comandaram o meio-campo tricolor com maestria e eficiência tática em muitas oportunidades. No extremo oposto, Fred e Wellington Nem esquentaram as defesas adversárias. O jovem atacante infernizou zagueiros, volantes e laterais com seus dribles rápidos, condução de bola veloz e até passes para gols, sendo extremamente importante na proposta tática do Fluminense, que era contra-atacar.

O que falar de Fred? Fred foi o mais puro vermelho, ou grená, no sistema de cores do Flu. A cor mais vibrante, mais explosiva, a cor quente mais importante. O centroavante já marcou 19 gols no campeonato e é o artilheiro isolado da competição. Foi decisivo para que o time das Laranjeiras conquistasse 31 dos 76 pontos que tem até o momento, ou seja, em jogos que o Flu empatou ou venceu por um gol de diferença, Fred marcou. O único que parece não enxergar que Fred está pegando fogo é Mano Menezes, que insiste em não convocá-lo para a Seleção Brasileira.

Além desses jogadores, outras peças foram fundamentais para o Tetracampeonato do Fluminense. No sistema de cores, eles seriam as quentes e frias secundárias. Thiago Neves, Carlinhos, Rafael Sóbis, Edinho, Samuel, Leandro Euzébio... em um jogo ou outro esses jogadores acabaram sendo os destaques, mas nada que alterasse o protagonismo dos citados anteriormente.

No Brasileirão 2012, temos um Tetracampeão. Um tetra em três cores.

E se são frias, quentes ou neutras, no fim das contas, tanto faz.

O que importa é que o verde, o grená e o branco são as cores campeãs.
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