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quinta-feira, 18 de abril de 2013

No caminho certo

(Foto: Cleber Mendes / Lance Press)
Enquanto vai caminhando na direção certa fora de campo, o Flamengo ainda procura o norte dentro das quatro linhas. O primeiro passo foi dado no clássico contra o Fluminense. O segundo, contra o Remo, pela Copa do Brasil. Apesar de ainda ser muito cedo para garantir, o rubro-negro vem dando sinais de que pode encontrar o rumo que a torcida tanto espera.

Esse rumo parece passar pelos pés de Gabriel e pelas fases iluminadas de Hernane. O meia-atacante novamente comandou o ataque com intensa movimentação, inversões, boas jogadas individuias e passe para um dos gols. Hernane, por sua vez, parece ter encontrado o caminho das redes novamente. Nos últimos dois jogos, foram quatro gols. Sempre é bom pontuar que o Brocador não prima pela técnica, mas é um jogador voluntarioso e, uma curiosidade, faz gols dando apenas um toque na bola. 

O que poderia ser apenas folclore, na verdade, deflagra uma situação. Se os companheiros conseguirem arquitetar a jogada e colocarem Hernane em boas condições de marcar, a bola tem boas probabilidades de parar dentro do gol. Nos três gols de hoje e no marcado diante do Flu, Hernane estava em ótimas condições para anotar os tentos. E foi exatamente o que fez. Quatro toques na bola, quatro gols.

Outro ponto positivo é Rafinha. A jovem revelação voltou aos trilhos e jogou bem nos três últimos jogos. Com o camisa 7 fazendo companhia a Gabriel e Hernane, o Flamengo voltou a jogar bem. Claro que não são apenas os três. A defesa e o meio-campo, apesar de alguns erros, também estão se acertando. E obivamente que as vitórias ajudam. Além da confiança, diminuem a pressão em cima de Jorginho e dos jogadores.

A procura é pelo rumo certo, tanto dentro quanto fora de campo.

E o Flamengo parece estar encontrando a direção. 

Para dar tudo certo é simples.

Basta continuar seguindo o caminho.

domingo, 14 de abril de 2013

Vai entender

(Foto: Guilherme Pinto / Ag. O Globo)
O futebol é realmente um esporte imprevisível.

Se baseando nas últimas atuações, quem diria que o Flamengo ganharia o Fla-Flu jogando com tanta facilidade em todo o primeiro tempo e no começo do segundo? Mesmo com alguns desfalques do lado tricolor, o mínimo que se esperava era um jogo equilibrado. Mas o Flamengo surpreendeu. Trocou passes com velocidade, contou com muita movimentação de todos os setores, além de encaixar um forte esquema de marcação.

A construção do resultado e da boa partida dos rubro-negros tem uma explicação. Gabriel. O camisa 10 foi a principal peça do esquema rubro-negro. Começou as jogadas do primeiro e do terceiro gols com ótimos passes, e deu muito trabalho ao sistema defensivo do Fluminense. Renato, com dois gols, Léo Moura e Elias também se destacaram, principalemente no primeiro tempo.

Depois, bem que Jorginho tentou estragar tudo. Não é novidade para a torcida rubro-negra as constantes invenções que o técnico vem fazendo. Mas, hoje, ele se superou. Ninguém entendeu a troca de Gabriel, o melhor jogador em campo, e um meia-atacante, para a entrada de João Paulo, lateral-esquerdo. Em seguida, Hernane, centroavante, por Cléber Santana, meio-campo. Ou seja, o time ficou sem um homem fixo na frente e com dois laterais-esquerdos. Inexplicável.

Quanto ao Fluminense, um resultado que pode mexer com a confiança do time para o confronto que realmente importa, o jogo contra o Caracas, pela Libertadores. A equipe que entrou no campo do Raulino de Oliveira deve ser a mesma que entrará no gramado de São Januário, na próxima quarta. Sem jogar um futebol convincente esse ano, inclusive nos jogos em casa pela competição continental, é preciso ligar o alerta. Se o elenco é tão falado como um dos melhores do Brasil, é nessa hora que precisa mostrar sua força. Mas o primeiro tempo do clássico foi de assustar.

O Flamengo que suou para vencer o Remo, empatou com Duque de Caxias e perdeu para o Audax, venceu o Fluminense com facilidade.

O tricolor, com um dos elencos mais caros do país, perdeu para um rubro-negro ainda em formação.

E Jorginho, incompreensível, resolveu bagunçar o que estava certo.

Isso é futebol.

Vai entender.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Igual, mas diferente

(Foto: Ney Marcondes / VIPCOMM)
O Flamengo entrou em campo com mudanças em relação ao último jogo (de novo), mas apresentou os mesmos problemas de sempre. Time bagunçado, movimentação desorganizada, improviso na lateral-direita depois da saída de Léo Moura, falhas na marcação, falta de criatividade...

De bom mesmo teve as atuações de Rafinha e Gabriel. Longe de ser brilhante, o camisa 11 marcou um bonito gol, arriscou mais jogadas e apresentou um futebol melhor do que vinha mostrando nos últimos jogos. No eterno looping que atinge as jovens promessas, Rafinha jogou demais quando apareceu, começou a receber mais atenção dos marcadores e deu aquela sumida natural. Hoje voltou a arriscar jogadas individuais e foi mais insinuante, o que pode ajudar a subir novamente de produção.

Gabriel, pelo segundo jogo consecutivo, foi o principal jogador de ataque. Se movimentou, procurou o jogo, arriscou chutes de fora da área, tão raros nesse atual Flamengo, e contribuiu na recomposição. Depois de ser promessa no Bahia, começa a dar sinais de que pode ser uma das soluções do rubro-negro carioca.

De resto, como dito, o time foi o mesmo. Confuso e com substituições que não surtiram efeito. A fase iluminada de Hernane parece ter passado, Rodolfo, apesar de mostrar qualidades, ainda não se achou totalmente, Elias foi mediano, assim como o resto do time. Mas deu para o gasto, mesmo sem eliminar o jogo de volta.

Na repetição de erros o Flamengo foi o mesmo.

Pelo menos o resultado foi diferente.

domingo, 31 de março de 2013

Crise de identidade

(Foto: Ruy Trindade / Ag. Estado)
"Quem sou eu? O que quero?"

Duas perguntas que o Flamengo deve se fazer dentro de campo. Fora dele, tudo está decidido. Dirigentes procurando agir, entre erros e acertos, como o tradicional clube rubro-negro merece. Pés no chão, salários em dia, sem loucuras financeiras para trazer jogadores, plano de sócio torcedor, algo que há muito não se via na Gávea. Tudo em prol da reconstrução total do clube, principalmente econômica.

O coirmão paulista pode ser um bom exemplo. O Corinthians se reergueu depois de uma rápida visita ao inferno. Hoje é espelho e modelo para os outros clubes. O Fla resolveu se mexer antes de chegar ao fundo do poço total. A caminhada é longa, muito longa, mas o clube sabe o que quer. Se reerguer. Se reiventar. Se reafirmar. 

Mas o discurso e as atitudes fora de campo não estão sintonizados com o time dentro dele.

Jorginho não define uma escalação. Ele chama de testes. Eu chamo de pressão. Entra em campo um time, perde, muda uma peça, ou mais de uma. Entra outro time, empata, nova mudança. Depois, outra, outra e mais outra. É a necessidade de provar que algo está sendo feito, que não há ninguém confortável com a situação. Mas se o técnico não sabe o que quer, imagine os jogadores...

Quem é titular? Quem é reserva? Por que substituir um jovem jogador aos 43 minutos do 1° tempo? A insegurança pede licença, começa a circular pelo elenco e isso obviamente também atrapalha. Fora a pressão da torcida que, apesar de saber as limitações do elenco, exige que ele jogue como o Flamengo merece. Nada mais natural.

Técnico e time precisam achar um caminho. Escolher um norte e segui-lo, assim como fez a diretoria. Podem errar e acertar, mas têm que saber o que querem e quem são. Quando os responsáveis pelo time dentro de campo tomarem uma decisão, aí a situação pode mudar.

Até lá,

"Quem sou eu? O que quero?"

Nem você sabe, Flamengo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Camisa


No futebol existe uma ordem natural. Quando um clube grande enfrenta um pequeno, o grande vence. É assim que funciona na maioria das vezes. A tradição, a história e a camisa falam mais alto. Claro que em algumas ocasiões a ordem é invertida e o pequeno consegue tirar uma casquinha. No Carioquinha 2013 esse cenário vem acontecendo mais do que os grandes esperavam, ou estão acostumados. Principalmente nos jogos envolvendo a dupla Flamengo e Vasco, que estão passando um sufoco fora do normal por vários motivos.

Flamengo 2 x 1 Bangu foi mais um exemplo desse cenário. O Bangu saiu na frente logo no começo do jogo e o rubro-negro só conseguiu virar no fim, com um golzinho chorado, chorado. Troca de técnico, clube se reorganizando, time pouco qualificado, ausência de um jogador decisivo. Essas são algumas razões que fizeram o time de Jorginho penar para vencer o modesto Bangu.

Sem craques como Leandro, que sofria ao ver o jogo nos estúdios da Rede Globo, fica difícil atropelar qualquer adversário que seja. Nessa hora a torcida se apega à raça, à tradição. "Aqui é Flamengo, tem que ganhar", vão dizer. E é mais ou menos isso mesmo. 

Nelson Rodrigues, apesar de tricolor, dizia: "há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável".

E assim, mesmo sem time, sem qualidade, sem craques, o Flamengo venceu.

A camisa bastou. Não "aberta no arco"

Mas dentro de campo.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Realidade

(Foto: Celso Pupo / Agência Estado)
Vamos fugir do clichê. Nada dizer que o Flamengo sofreu um apagão no intervalo e levou três gols em 25 minutos. A situação é simples e precisa ser encarada de forma simples. Finalmente, depois de uma Taça Guanabara impecável, o rubro-negro jogou aquilo que se esperava dele no começo do ano. Ou seja, nada. Mesmo no primeiro tempo, quando abriu dois gols de vantagem, a equipe de Dorival não apresentava um grande futebol. Para ficar claro, a expectativa no começo do ano era praticamente nenhuma, e o desempenho surpreendeu, por isso afirmo que ninguém esperava nada do Flamengo.

Para ser mais simplista ainda, o Fla perdeu levando gols por conta de seu ponto mais fraco, as bolas aéreas. Não é de hoje que a equipe tem dificuldade com as bolas alçadas na área. Contra o Resende, os três gols sofridos foram assim. Um em bola lançada e outros dois em lances de cruzamentos. E isso tudo dentro de um sistema defensivo democrático. Uma falha de Alex Silva e duas de González. Aqui é importante ressaltar uma certa culpa do técnico Dorival Júnior para que ela não passe despercebida. Por que as constantes trocas na zaga? Há mesmo motivo para fazer um rodízio entre os zagueiros?

Renato Santos vinha bem, agradando a torcida. Dorival o tirou para colocar Wallace, que não passou a mesma segurança. Agora sacou Wallace e promoveu Alex Silva à titularidade. Obviamente que o desentrosamento pesa e as falhas de posicionamento no jogo de hoje evidenciam essa situação. Então, é hora do professor escolher uma dupla e deixá-la jogar.

No mais, começar ganhando do Resende por 2 a 0 e perder por 3 a 2, ainda mais da forma como foi, realmente é para se lamentar. Mas não é o fim do mundo, muito menos algo inesperado. Após três meses, o Flamengo não só ratifica que tem um elenco carente, como mostra que o caminho a ser percorrido é longo. Se a torcida começava a criar esperanças demais, pode baixar um pouco a bola.

Por mais dura que seja, a realidade é essa.

E ela finalmente bateu à porta.

domingo, 3 de março de 2013

Números

(Foto: Alexandre Loureiro / Lancepress)
O Flamengo vinha de 17 jogos de invencibilidade, contando a reta final do Brasileirão 2012, não perdia para o Botafogo há 3 anos, o equivalente a 11 jogos, não levara gol nas últimas 4 partidas, ou 360 minutos, e teve a melhor campanha da Taça Guanabara, com 22 pontos em 24 possíveis. Mas bastou apenas 1 minuto, 60 segundos, o menor valor entre todos os citados anteriormente, para tudo isso ruir. E aí acabou. Já era. O culpado? Julio César, lateral-esquerdo do Botafogo, que desfilou no meio da defesa adversária e fez um golaço.

Com a vantagem na mão, talvez o Flamengo tenha entrado em campo ainda dormindo. Já não é de hoje que o rubro-negro tem dificuldade para usar as vantagens que consegue. O alvinegro não tinha nada com isso e tratou de acabar com ela assim que o jogo começou. E graças ao gol relâmpago, a segunda semifinal da Taça Guanabara foi decidida no primeiro instante.

Flamengo mal em campo? Sim. Por quê? Porque o Botafogo esteve muito bem e simplesmente anulou a equipe de Dorival. Oswaldo soube armar um meio-campo criativo e pegador ao mesmo tempo. Conseguiu o gol no início e recuou para tirar a principal arma do adversário, o contra-ataque. Obrigado a criar, o Fla se viu amarrado, já que Carlos Eduardo demonstrou, mais uma vez, estar completamente fora de forma e condições de jogo. Depois, Dorival mexeu mal. Como o Botafogo esperava em seu próprio campo, o técnico poderia ter tirado Cáceres ao invés de Elias, que sabe sair mais para o jogo e é um meio-campista mais dinâmico.

Com o Flamengo mais em cima, Oswaldo, ao contrário de Dorival, mexeu bem. Colocou Vitinho nas costas de Léo Moura. O jovem não só incomodou a defesa rubro-negra, como também sacramentou a vitória depois que Felipe foi à área alvinegra tentar, no desespero, o gol no fim do jogo.

Os números são muito utilizados no futebol. Podem expressar vantagem para um ou outro.

Mas não podem ser determinantes.

Afinal, 1 minuto pode se tornar mais valioso que todo o resto.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Verdadeiro clássico

Léo Moura comemora o gol de Hernane
Um clássico jogado como clássico. Lá e cá, dois times atacando, procurando o gol e dando espetáculo para as torcidas. Tirando a vergonhosa carga de ingressos colocados à venda, Botafogo e Flamengo podem se orgulhar de terem feito um jogo que possui a alcunha de clássico, um jogo pelo qual valeu a pena parar durante 90 minutos e assistir.

Seedorf e Fellype Gabriel pelo lado do Botafogo e Rafinha e Ibson pelo lado do Flamengo foram os principais destaques. Muito bem assessorados e coadjuvados por Hernane (que fase, até com a canela está fazendo gol), Rodolfo (que perdeu um gol incrível mas foi muito bem) e Lodeiro (sempre regular). Claro que o resultado foi mais positivo para o Flamengo, que garantiu a melhor campanha da primeira fase e o direito de empatar na fase final. Para o Glorioso, faltou um pouco mais de pontaria, principalmente no começo do jogo, quando teve duas boas chances desperdiçadas. Depois, a maioria dos chutes foi em cima de Felipe.

E se os clássicos precisam ter um ingrediente a mais, a canela de Hernane deu o gosto da vitória para os flamenguistas. Do lado alvinegro, faltou entender a invenção de Oswaldo, colocando Julio César como volante, que não funcionou. Também não ajuda o Botafogo a má fase de Bruno Mendes. Se ano passado o jovem atacante conquistou o coração da torcida anotando gols, esse ano a seca está presente. Quando voltar a melhor forma, certamente esse time estará mais forte.

Se a torcida andara com saudades de clássicos que realmente pudessem ser chamados assim, os rivais fizeram questão de acabar com ela. Quem não viu, perdeu.

Independentemente do resultado, valeu o jogo.

Não importa quem perdeu, não importa quem ganhou.

Como nos velhos tempos,

O clássico orgulhou a todos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A apoteose de Rafinha

(Foto: Rudy Trindade / VIPCOMM)
Quem diria que um pequeno e magrelo garoto, disputando o seu primeiro clássico, poderia fazer o que fez? Ninguém esperava que Rafinha pudesse decidir o jogo contra o maior rival. Provavelmente nem ele esperava isso. O jogo superou todas as expectativas e o camisa 11 rubro-negro tratou de chamar a atenção para si sem a menor timidez ou embaraço. 

Talvez nem fosse o melhor dia para dar um show. Clássico em uma quinta-feira, horário insólito, ainda nas rodadas iniciais, e ambos os clubes em reconstrução. Seria o típico jogo para empate. Seria, quem sabe, se Rafinha não estivesse em campo. Se Rafinha não corresse tanto. Se Rafinha não participasse dos quatro gols. Se Rafinha não marcasse um golaço. Se Rafinha não fosse Rafinha. Mas, afinal, quem é Rafinha?

Ao sair do CFZ para o Fla, o jogador serviu como muleta para uma polêmica. Capitão Léo acusou Zico de prejudicar o clube da Gávea no acordo CFZ-Flamengo (relembre aqui). À época, um dos jogadores que chegou ao rubro-negro foi o atacante. Na base, Rafinha teve bom desempenho, mas sempre chamou atenção pelo aspecto franzino. E pela velocidade, claro.

Nos profissionais, era difícil imaginar que ele seria titular e, mais ainda, começaria a fazer a diferença. Jogo após jogo, o rendimento de Rafinha vem crescendo e isso culminou com uma grande atuação justamente contra o Vasco. Ao participar de todos os gols e infernizar a defesa adversária, inclusive Dedé, Rafinha se transformou em um pequeno notável. Ainda há muito o que fazer? Sim, mas o começo é animador, principalmente para a torcida do Flamengo, que anda tão carente de ver jogadores vindos da base fazerem sucesso e, ao mesmo tempo, pode ter esperança em ter um time qualificado.

O Carnaval é só na semana que vem, mas Rafinha antecipou a festa rubro-negra.

Desfilou pelo gramado do Engenhão como se fosse sua apoteose particular e fez um baile de proporções inversas.

Pequeno artista,

Grande Carnaval.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mudança, seja bem-vinda


Flamengo e Palmeiras têm algumas coisas em comum. O cenário político dos dois clubes é sempre muito tumultuado e acaba influenciando os resultados em campo. Os bastidores são repletos de armadilhas, manobras ardilosas, ou seja, são verdadeiros caldeirões. Não bastasse isso, os dirigentes eleitos sempre chegaram com discurso de mudança, garantindo, até o fim do mandato, que os clubes estariam mais fortes, brigando por títulos, recheados de craques e ocupando o lugar que merecem. Mas quase nunca essas ações realmente foram concretizadas. O reflexo disso é o atual estágio calamitoso no qual os dois se encontram, principalmente no que diz respeito ao aspecto financeiro.

Mas, agora, a situação parece mudar. Eduardo Bandeira de Mello e seu qualificado grupo de executivos chegou ao Flamengo, em dezembro, agindo diferente. Pés no chão, assumindo dívidas publicamente e tentando fazer tudo às claras. Mesmo sem dinheiro e sofrendo com penhoras, o rubro-negro vem conseguindo reforçar o elenco dentro das possibilidades, com boa atuação de Paulo Pelaipe, diretor de futebol, no mercado. Ainda é muito cedo para dizer onde tudo isso irá levar? Sim, mas o caminho escolhido parece ser o mais correto.

Como também foi correta a primeira atitude do novo presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, que ocupa o cargo há três dias. Ao lado do novo diretor executivo, José Carlos Brunoro, o mandatário confirmou que desistiu da contratação do argentino Riquelme, inicialmente tentada pela antiga diretoria. O meia elevaria a qualidade do meio-campo alviverde, mas há a questão financeira e o fato do ex-jogador do Boca Juniors não atuar desde a final da Libertadores do ano passado, dia 4 de julho. Certamente o salário de Riquelme seria altíssimo, onerando ainda mais os vazios cofres palestrinos. Primeiro gol de Paulo Nobre.

Mesmo estando em estágios iniciais de mandato, as duas diretorias dão claros sinais de que procurarão fazer uma administração mais austera, se preocupando primeiro em arrumar a casa para depois correr atrás do prejuízo. Fazer contratações milionárias para conquistar a torcida pode até adiantar em um primeiro momento, mas será que isso é válido mesmo, pensando a longo prazo? Óbvio que não.

Ambas diretorias parecem caminhar na mesma direção, fazendo o que é certo para o futuro dos clubes.

Mesmo que seja com passos pequenos, dia após dia, tudo indica que vão chegar ao final feliz.

O tempo mostrou que as direções passadas estavam erradas

E, provavelmente, vai mostrar que as atuais estão certas.

Basta esperar.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Com razão, sem coração


Fiquei por alguns segundos pensando em um jeito criativo para fazer o texto sobre a saída do Love. Não consegui imaginar nada além dos clichês mais batidos do mundo como "acabou o amor", "o amor se foi" e coisas afins. Depois pensei o porquê de não ter conseguido criar uma metáfora para essa situação e a conclusão a qual cheguei foi: Vagner Love não instiga minha criatividade e isso tem uma explicação.

Ele é apenas um bom jogador. Média 6, 7, e é isso. Assim mesmo. Objetivo, direto, frio. O agora ex-atacante do Flamengo faz bons jogos aqui e ali, mete uns gols, perde tantos outros e fim de papo. Boa parte da torcida não gostou da saída do jogador por dois motivos: ele é ídolo dos rubro-negros e, querendo ou não, foi aquele pequeno oásis de técnica em meio ao deserto rubro-negro durante todo o ano de 2012. A saída dele enfraquece o time? Sim, e muito. Mas, como dito acima, isso acontece simplesmente pelo fato do Flamengo ainda não ter jogadores, muito menos atacantes, que possam servir como referência dentro de campo.

O torcedor é imediatista. Obviamente os flamenguistas gostariam que a nova diretoria chegasse e montasse um elenco estelar, que brigasse por todos os títulos e pudesse ser campeão de tudo. Depois de um pífio 2012, ninguém quer mais um ano na seca. E a torcida tem razão, vencer campeonatos é a melhor coisa que tem. Mas a proposta dos novos diretores é outra. É vencer, mas a longo prazo. É fazer um clube forte que consiga se manter sempre no topo. Só que isso demanda tempo, e nem sempre o torcedor entende. 

Por que gastar um dinheiro que não tem, aumentar as dívidas e criar mais um problema, apenas para manter um jogador nota 7? Por que não se livrar dele, dos salários e da dívida com o clube russo, pensando em manter os salários dos outros jogadores em dia e dando credibilidade ao clube? A filosofia mudou. Passou do "não tenho dinheiro e compro mesmo assim" para "não tenho dinheiro e não vou comprar". Bola dentro da diretoria, que agiu com a razão e sem o coração.

Seja paciente, torcedor. São atitudes como essa, profissionais, que o Flamengo precisa para voltar a ser bem visto no mercado por empresas, jogadores, treinadores e todos aqueles que fazem parte do meio futebolístico. São atitudes assim que levam qualquer clube a sair de um momento ruim e tornar a ser grande. 

Quem quer ser campeão carioca todo ano e ganhar um título importante a cada 10, 20 anos, vai sentir falta de Vágner Love e criticar a postura da diretoria.

Quem espera um clube forte, capaz de atrair mais jogadores acima da média e que esteja no topo sempre, vai entender.

A saída de Vágner Love pode significar a perda do Cariocão 2013 ou a conquista de inúmeros troféus mais importantes daqui a alguns anos.

São duas possibilidades. Uma pequena tristeza momentânea ou imensas alegrias futuras. Só depende de como cada torcedor enxerga a questão.

E para não desperdiçar o clichê,

Acabou o amor.

Começou o profissionalismo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tudo azul no Flamengo

Eduardo Bandeira, Zico e integrantes da Chapa Azul
(Foto: O Dia Online)
2013 vai chegar e, com ele, chegará também um novo presidente no Flamengo. Eduardo Bandeira de Mello (Chapa Azul) foi escolhido pela maioria dos sócios e deixou para trás Patrícia Amorim (Chapa Amarela) e Jorge Rodrigues (Chapa Rosa).

O carro-chefe de Eduardo Bandeira e da Chapa Azul foi a palavra modernização. Modernizar o Flamengo com uma gestão profissional é o que propõe o novo presidente e seus pares. Alguns cargos já têm seus nomes definidos e o que se espera é um grau de competência maior na administração do Fla. Todos os indicados são empresários reconhecidos em suas áreas e, assim, parecem ser os mais capacitados para levantar um clube inundado em dívidas e sucessivas gestões calamitosas. Em um ano de tantas notícias negativas, soa até estranho a melhor delas ter vindo logo da política, que na Gávea, como todos sabem, é um mar de lama.

O torcedor precisa ser realista e manter os pés no chão. Não adianta enxergar o vencedor como um Messias, como o salvador da pátria que vai transformar o Flamengo no Barcelona, Real Madrid ou Manchester United. Isso foge à realidade. Eduardo vai errar e acertar em todos os setores, até porque vai pegar um clube que vem sendo maltratado nos últimos anos. O trabalho, por mais competente que todos sejam, vai ser duríssimo. Há muito o que arrumar, principalmente nas finanças e no futebol. Nem de longe é das tarefas mais fáceis.

Mas se o trabalho vai ser duro, pelo menos há uma esperança na renovação. Renovação de pensamento, de filosofia, de nomes, de conduta. Os anos passam e as pessoas que se perpetuam no Flamengo são sempre os mesmos. Sopros de um vento renovado podem fazer bem ao Mais Querido. Além da renovação, há uma esperança no renascimento rubro-negro, não apenas como time de futebol, mas também como instituição. A instituição Flamengo precisa mudar, evoluir, voltar a ser referência de coisas boas e não de chacotas intermináveis. Clubes grandes, independentemente de ser o Flamengo ou não, precisam estar bem, no topo. É salutar para o futebol brasileiro como um todo.

E a chance do rubro-negro se reerguer parece ter chegado. Pode dar certo ou errado. São possibilidades que sempre vão existir.

Só o fato de tentar uma mudança já é altamente positivo.

Se vai funcionar, só o tempo dirá.

Uma coisa é inegável.

O céu vermelho e preto, que andou tão cinza em 2012, mudou de cor.

Agora tem uma pincelada de azul.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não basta ser Imperador

(Foto: Ivo González)
Adriano vai parar de jogar futebol ou não? Talvez isso nem importe mais.

Adriano tem um talento indiscutível, que o levou a jogar no futebol europeu, ser ídolo na Inter de Milão, se tornar Imperador. Também conseguiu disputar uma Copa do Mundo, ser campeão da Copa América e da Copa das Confederações pelo Brasil sendo decisivo nos dois torneios. Em 2009, voltou para o clube que o revelou, o Flamengo, para ajudar o time a ser Campeão Brasileiro e sair da fila após 17 anos. Adriano fez tudo isso mesmo envolvido com polêmicas, bebidas alcoólicas, depressão, amigos traficantes, fotos comprometedoras, festinhas com anões e jumentos e muito, muito mais.

Por algum motivo, todas as coisas boas ficaram para trás, mas as ruins... Desde 2010, o Imperador só convive com lesões, mudanças de um clube para o outro, tentativas e mais tentativas de recuperação. Há quem acredite, entre dirigentes e torcedores, que Adriano ainda é solução. Mas, faça-se a pergunta. Como resolver os seus problemas com alguém que não consegue resolver a própria vida? Adriano simplesmente é incapaz, hoje, de ser um atleta. É incapaz de levar uma vida normal. Mas como é jogador de futebol e jogadores de futebol costumam ser elevados a deuses e ter os seus pecados perdoados, ele continua por aí, aprontando das suas, pedindo desculpas e novas oportunidades.

O maior problema é que o Imperador é uma criança grande. E uma criança grande com muito dinheiro e súditos. Consegue o que quer, a hora que quer, do jeito que quer e tem os seus fiéis seguidores para aplaudir tudo o que faz. Enquanto brinca de ser jogador e leva a sério a vida de boêmio inveterado, Adriano vai afundando em um lamaçal que parece, cada vez mais, sem fundo. Um dia, talvez realmente acorde e perceba onde está enfiando não somente a carreira, como também a própria vida.

Quem torce para que Adriano volte a jogar, seja rubro-negro ou não, deveria mudar o foco. A torcida precisa ser pelo ser humano, não pelo jogador. Adriano, como muitos brasileiros, tem os seus problemas e precisa cuidar deles. Mas o status, a condição financeira, os "amigos" e, talvez, até a profissão, o façam pensar que sairá dessa a qualquer hora. Mas nunca funcionou assim com ninguém, e duvido que algum dia funcionará com qualquer indivíduo.

Mesmo que ele seja um Imperador.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pontos de Vista


O resultado de um jogo pode ser analisado de diferentes formas. Vai depender de que lado está e quais são os interesses de quem estiver fazendo a análise. Altético-MG 1 x 1 Flamengo pode ter três avaliações diferentes. Uma de atleticanos, outra de flamenguistas e, ainda uma terceira, dos tricolores.

Para o Atlético o resultado foi péssimo. Jogando em casa, estádio lotado, torcida fazendo pressão contra o adversário, que tinha um time inferior, e ainda teve um jogador a mais durante todo o segundo tempo. Sem conseguir furar a retranca armada pelo Flamengo na base da técnica, os mineiros partiram para o abafa. Até conseguiram o empate, mas nada além disso. A sorte também não ajudou, já que Jô e Ronaldinho carimbaram a trave. Pensando em título, ficou muito difícil. Faltam cinco rodadas para o fim e a diferença é de 8 pontos para o Fluminense. O que fica é a boa campanha e a vaga na Libertadores, a não ser que aconteça uma catástrofe.

Para o Flamengo o resultado foi bom. Se considerarmos as circunstâncias do jogo, ótimo. Atuando fora de casa, contra uma equipe melhor e tendo que se superar para vencer. Como em todo o campeonato, o time não jogou bem, não teve um bom padrão de jogo, mas se fechou corretamente, correu e marcou. Passou o segundo tempo todo com 10 jogadores depois da expulsão de Wellinton Silva, o que chamou ainda mais o Atlético para o seu campo. Contou com a sorte e arrancou um empate, que o afastou mais um pouco da zona de rebaixamento. Deve consolidar a permanência na Série A nas próximas rodadas e terminar 2012 planejando 2013. Mais um ano assim, totalmente desorganizado dentro e fora de campo, pode ser fatal.

O Fluminense, que não entrou em campo, também gostou do resultado. Viu o Atlético mais longe da briga pelo título e agora está em uma posição mais confortável na tabela. E, pensando na rivalidade, ainda pode torcer para o rebaixamento dos rubro-negros que, apesar de difícil, seria um bônus junto ao título que se encaminha para as Laranjeiras.

No futebol é assim. O jogo é um só

Mas as visões são diferentes.

domingo, 21 de outubro de 2012

Correu... e venceu


O Flamengo voltou a vencer, para alívio da torcida rubro-negra, depois de cinco jogos.

Sem ser brilhante, sem a qualidade que os torcedores gostariam de ver, mas com muita vontade. E é assim que tem que ser. Quem briga para não cair, precisa jogar dessa forma, mais na raça, na força, do que no jeito. Também não adianta cobrar mais nada a essa altura do campeonato. Nem esquema tático perfeito, nem futebol bonito, nem melhores jogadores e, talvez, nem coerência, que tem faltado, e muito, a Dorival. A hora é de ganhar, do jeito que der.

E foi exatamente isso que o Flamengo fez. Correu, marcou, se aplicou, teve Felipe pegando pênalti e conseguiu a vitória na cabeçada de González, que resolveu marcar o seu primeiro gol pelo rubro-negro na melhor hora possível. A vitória em si, até certo ponto, foi inesperada. O São Paulo vinha de quatro vitórias seguidas, melhorou muito nessa reta final de campeonato e era ligeiramente favorito. Mas futebol não é ciência exata, para alegria da Nação.

O risco ainda existe? Sim. O time ainda está mal? Sim. Mas não deve cair e está se esforçando e correndo para evitar isso. Em uma rodada onde os rivais diretos na briga pelo rebaixamento venceram, a vitória ganhou um peso maior. Agora, faltando seis rodadas, é hora de pensar nos jogos mais importantes, contra Figueirense e Palmeiras, ambos em casa. Vencendo os dois, o Flamengo se livra de vez, mesmo se perder todos as outras partidas.

Bom mesmo nessa reta final é ver a boa fase de Felipe, as ótimas partidas que Renato Santos tem feito e a afirmação de Wellinton Silva como titular da lateral-direita. É pouco, mas não deixa de ser um pingo de alegria para quem teve, e ainda está tendo, um ano tão difícil como a torcida do Fla.

E se está sendo complicado, o alívio deve chegar em breve.

Basta que corram e vençam

Como fizeram hoje.

domingo, 30 de setembro de 2012

A vitória da liberdade


O Fla-Flu foi um jogo bem movimentado. Chances para os dois lados, pênalti perdido pelo Flamengo, bolas na trave do Fluminense, golaço de Fred - mais um - e bons motivos para os dois lados comemorarem.

Os rubro-negros podem ficar felizes porque começam a ver um time dentro de campo. Organizado, aplicado, raçudo. O esquema, com dois volantes, dois meias e dois atacantes de ofício, tem dado certo e é a hora de Dorival não mudar mais. Que mudem as peças, não a formação. Comparando os elencos, obviamente o Fluminense era considerado favorito. Mas foi o Flamengo quem dominou o jogo, teve mais posse de bola. 

As oportunidades mais claras foram de Cléber Santana, que isolou uma chance quase embaixo da trave, Bottinelli, que perdeu um pênalti, e Nixon, que acertou bonita cabeçada para defesa de Cavalieri. O Flamengo ainda briga para não cair, mas o panorama mudou. Nos 3 últimos jogos, contra os 3 primeiros colocados, fez partidas convincentes, que indicam um caminho menos complicado na luta contra o rebaixamento.

Para o Fluminense, o resultado é o que importa. E é isso que deve valer até o fim do campeonato. Jogar mal tem sido uma regra, assim como vencer. Hoje, mais uma vez, foi o que aconteceu. O Flu jogou atrás, explorou os contra-ataques e decidiu o jogo na liberdade e no talento. Thiago Neves, autor de duas bolas na trave em cobranças de falta, rolou para Deco, completamente sozinho, cruzar para Fred. O artilheiro do brasileiro apareceu livre, como se não precisasse ser marcado, e fez o que sabe de melhor. Gol. Golaço. 

Depois, foi a vez de Cavalieri ser o Fred da defesa. Pegou pênalti e cabeçada à queima-roupa. Apesar de jogar mal, o Flu é líder, tem o artilheiro do campeonato, melhor ataque, melhor defesa. Não tem como discutir. É o melhor time do campeonato. Pode não ser o que joga mais bonito, mas certamente é o mais eficiente.

Diante dos fatos, só uma catástrofe será capaz de tirar o título do Flu nas 11 rodadas que restam.

A 6 pontos do segundo colocado, o tricolor continua cada vez mais líder.

E se Deco e Fred tiveram liberdade no lance do gol,

O Fluminense tem liberdade em sua estrada.

Basta olhar para frente.

Afinal, não há ninguém para atrapalhar a vista.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

FMH Entrevista - Ibson

(Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia)

Ele chegou ao Flamengo aos nove anos de idade. Passou por todas as categorias de base do clube até se tornar profissional, em 2003. Em 2004, conquistou o primeiro título com a camisa do clube. Depois, saiu para o futebol europeu e retornou em 2007 para participar de uma das arrancadas mais impressionantes do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, fazia parte do grupo melancolicamente eliminado da Libertadores pelo América do México. Agora, aos 28 anos, ele voltou à Gávea para jogar no clube que ama. Na entrevista abaixo, Ibson Barreto da Silva, o Ibson, fala das alegrias e tristezas no Flamengo, da passagem pelo futebol europeu, de jogar ao lado de Neymar e garante que o Flamengo não será rebaixado. Confira.

Futebol e Mau Humor: Você chegou ao Flamengo aos 9 anos, cresceu no clube, se profissionalizou, saiu e, hoje, está de volta. Como é a sua relação com o clube e com a torcida?

Ibson: Minha relação com o clube e com a torcida é ótima. O Flamengo é a minha casa, onde fui criado e cresci como homem e atleta. Para jogar aqui é preciso amar o clube e por isso que eu voltei.
  
FMH: Você teve uma passagem pelo futebol europeu atuando no Porto e no Spartak Moscou. Em ambos os clubes, retornou ao Brasil por empréstimo, uma vez para o Flamengo e, outra, para o Santos. O que faltou para você se firmar na Europa?

Ibson: Realizei o sonho de todo atleta que é atuar na Europa, fui bicampeão português, da taça e supercopa de Portugal. Infelizmente sofri duas lesões graves e nesse meio tempo houve uma troca no comando da equipe e acabei perdendo espaço. Na Rússia eu vivi dois anos incríveis e optei por voltar ao Brasil porque morávamos em um condomínio onde havia vários jogadores brasileiros e, aos poucos, eles foram retornando ao Brasil. Aí decidi que também era a hora de voltar.
  
FMH: Em 2007 você voltou, o Fábio Luciano foi contratado e o Flamengo deu aquela incrível arrancada no Brasileirão. Acha que ali foi a melhor fase da sua carreira?

Ibson: Acredito que sim. Foi um ano muito marcante onde puder reencontrar o meu melhor futebol após a primeira passagem no futebol europeu. O Flamengo estava nas últimas posições e conseguimos a classificação para a Libertadores e ainda conquistei o prêmio de melhor meia direita do Brasileirão.  

FMH: Já em 2008, o Flamengo teve um capítulo triste em sua história. A derrota para o América do México pela Taça Libertadores. Quando acabou aquele jogo, como você se sentiu, qual foi a sua primeira reação?

Ibson: Parecia que estava vivendo um pesadelo, foi uma grande decepção, na verdade um vexame muito grande, comparado a perda do título da Copa do Brasil, em 2004. Acho que nos deixamos levar pelo clima de festa pelo título carioca e pela vitória no primeiro jogo fora de casa, entramos desligados e infelizmente fomos eliminados.

FMH: Dos títulos que você ganhou no Flamengo, qual foi o mais importante e por quê?

Ibson: Acho que o Carioca de 2004 foi o mais marcante. Como citado anteriormente, cheguei ao clube aos nove anos, minha infância e adolescência foram no clube, então este título coroou todo esforço, foi a realização de um sonho, meu primeiro título profissional.

FMH: Qual o jogo inesquecível da sua carreira?

Ibson: Foram vários jogos importantes, mas a estréia no profissional com vitória sobre o nosso maior rival (Vasco) foi muito marcante.

FMH : No Santos você atuou ao lado do Neymar e trabalhou com o Muricy. Como foi poder atuar com o melhor jogador do Brasil? E o Muricy, ele é realmente um técnico diferenciado?

Ibson: Construímos uma amizade muito boa, ele é um jogador fora de série, tranquilo e muito humilde. O Muricy é um grande treinador e os títulos conquistados nos últimos anos demonstram isso.
  
FMH: Agora você retornou ao Flamengo e o clube não passa por um bom momento, tanto dentro quanto fora dos campos. O que está faltando para o time encaixar uma série de vitórias e subir na tabela?

Ibson: Acho que não é o momento de procurar culpados, precisamos dividir as responsabilidades entre todos do elenco. O Flamengo está vivo, fizemos alguns bons jogos, porém pecamos por erros nossos. Estamos todos juntos, no mesmo barco e a tendência é conseguir emplacar uma sequência positiva para subir na tabela.
  
FMH: Você mesmo não vem em boa fase. O que está faltando para render aquilo que a torcida espera de você?

Ibson: Estava atuando fora de posição e isso me prejudicava. Consegui emplacar uma sequência boa de jogos e espero crescer ainda mais nessa reta final.

FMH : A possibilidade do rebaixamento está assustando os jogadores?

Ibson: É um momento delicado, uma possibilidade que assusta, mas o momento é de dar apoio a todos. A equipe já melhorou, já mudou de atitude e essa fase já está passando. O Flamengo não será rebaixado.

FMH: Deixe um recado para a torcida do Flamengo.

Ibson: Deixei o Santos para ajudar esse clube que está no coração de todos nós. O Flamengo sempre foi raça, vontade e coração na ponta da chuteira. Precisamos do apoio da nossa torcida para sair desse momento delicado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Um jogo, seis pontos


Depois de sete jogos sem vitória, o que mais importava para o Flamengo era vencer e não convencer. Ainda mais fazendo um jogo de seis pontos, contra um time que também está brigando contra o rebaixamento. E foi isso que aconteceu. O rubro-negro carioca venceu o rubro-negro goiano por 2 a 1.

Apesar de fazer um jogo ruim, repleto de erros, o rubro-negro conseguiu sair com a vitória. 

Vitória que foi alcançada graças aos gols do estreante Cléber Santana e de Liédson. Mas o resultado não deixa de escancarar os equívocos da equipe da Gávea. O Atlético Goianiense é um time fraco e, mesmo assim, o Flamengo passou sufoco. 

Ramon continua sendo uma avenida pela esquerda. Não apoia e não marca e, no jogo de hoje, ainda vacilou no lance do gol adversário. Um desastre completo. Luiz Antônio e Ibson parecem disputar para ver quem está na pior fase. Hoje Luiz Antônio ganhou fácil, fácil. Cléber Santana fez uma boa estreia, mas ainda precisa achar o seu posicionamento em campo. Julgar Adryan pelo jogo de hoje soa, no mínimo, pouco racional, já que ele foi criado como armador e foi escalado como atacante, posição onde, obviamente, não se dá bem. 

O ponto positivo que pode ser tirado do jogo de hoje é que Wellinton Silva mostrou ser um lateral superior a Ramon e Léo Moura. Apoiou muito bem (inclusive no fim do jogo, quando criou algumas jogadas) e não deixou espaços na marcação. Diferentemente do camisa 2 do Fla, corre, vai à linha de fundo, cruza, enfim, tenta jogar. No próximo jogo, Dorival terá a volta de Léo. Resta saber se deixará Wellinton na lateral ou não.

Por fim, Vágner Love. Correu, se esforçou e até jogou bem, mas a má fase parece não querer abandoná-lo pela segunda vez neste campeonato. Deu as duas assistências para os gols do Flamengo, mas, no fim, quase pôs tudo a perder. Cobrou muito mal o penalti sofrido por Bottinelli e ainda perdeu um gol em cima da linha, após boa jogada de Wellinton Silva. 

Com erros, mudanças e jogadores em má fase, o Flamengo capenga no campeonato.

Mas, no jogo de seis pontos, fez o que tinha de fazer.

Venceu.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quando correr é mais importante

Ramon ergue Adryan para comemorar o gol do meia
Tem horas que o suor é mais importante que o talento. Talvez seja por esse ponto de vista que o time do Flamengo deva se guiar daqui para frente. Está faltando talento ao time, então, tem que sobrar suor, transpiração.

A camisa 10, tão essencial em qualquer equipe, simplesmente não existe no Flamengo. Nenhum jogador foi contratado para a posição e quem foi criado assim na base, como Adryan, acaba sendo deslocado para o ataque. Aqueles que um dia foram solução, hoje são problemas. Léo Moura não joga bem na lateral desde o ano passado e, como ficou provado hoje, também não deve jogar bem no meio. Ibson tão pouco vem rendendo o que a torcida espera dele. Luiz Antônio caiu de rendimento e Cáceres dá a impressão de estar no mesmo caminho dos companheiros. Liédson parece estar sem sorte e Love entrou de novo naquela fase em que a bola não entra.

Não bastasse tudo isso, Dorival troca de escalação como quem troca de camisa. Cada rodada é uma diferente, todas sem o sucesso esperado. Ao técnico, tem faltado coerência. Talvez seja hora de escolher um time, uma formação e insistir com eles. Pelo que parece, a equipe do segundo tempo, com dois atacantes e Adryan jogando mais atrás, é a ideal. Adryan, inclusive, marcou um gol de falta que até lembrou o mais famoso camisa 10 rubro-negro, Zico.

Com todos esses problemas, o Flamengo ainda conseguiu empatar com o bom time do Grêmio comandado por Vanderlei Luxemburgo. E empatou porque correu, correu, correu e suou. Transpirou e mostrou vontade. A faixa da torcida que explicitava o sentimento de indignação de cada torcedor se transformou em confiança e apoio ao fim do cotejo. Hino sendo cantado nas arquibancadas e músicas de incentivo na saída do estádio.

Quando o talento e a técnica não estão funcionando, é preciso achar outra forma de buscar os resultados.

Se não vai na criação, vai na transpiração.

Assim, a torcida volta a confiar.

domingo, 9 de setembro de 2012

Bucha de canhão

(Foto: Felipe Gabriel)
Você estava solteirão, de bobeira pela vida, quando aquela mulher maravilhosa te fisgou. Cada um pense como quiser. Loira, ruiva, morena ou  negra, magra ou sarada, alta ou baixa, que faz o estilo nerd ou mais descolado, com mais peito e menos bunda ou vice-versa. O que importa é que a mulher que você arrumou é um avião. Aquela Ferrari de parar o trânsito, aquela mulher que passa na rua e todos os caras babam. Aquela que é alvo das rivais, invejosas, que tentam diminuí-la. Mas não dá. Ela é um espetáculo. Tão boa que chega a ter milhares, milhões de fãs.

Vocês começam a namorar e, em pouco tempo, você conhece ela mais profundamente. Percebe algumas coisas que de fora não percebia. Ela é superficial, parecia ser muito melhor do que realmente é. Tem problemas em casa, é desorganizada. Na empresa onde trabalha, tem muitos funcionários com mais destaque que ela, inclusive aquelas três mulheres que ela odeia. A família é um problema, cheia de pilantra, um querendo se dar bem em cima do outro. Os fãs, coitados, continuam apaixonados pela mulher que você arrumou. Mal sabem eles o buraco onde você foi se meter. Buraco esse que é muito mais embaixo do que você pensava. O tempo te mostrou quem ela é de verdade.

Agora você, que estava na boa, curtindo a vida, pegando um sol, está tentando resolver o que pode. Está tentando melhorar a vida da sua namorada no trabalho e no dia a dia. Mas é difícil né? Ela te arrumou umas ferramentas tão ruins. Umas são velhas, meio enferrujadas, e se você tentar mexer com elas, vão chiar. As novas, que ela mesma criou, parecem não ser toda aquela maravilha que se dizia, pelo menos até agora. E a aparência? Ela se descuidou, está meio caída, o cabelo não tem mais aquela cor vívida de outrora, os olhos não brilham tanto, o corpo não é mais escultural. Ela embarangou. Mas você continua se esforçando, tentando.

E mentindo.

Mentindo descaradamente para si mesmo, para ela e para os fãs. Diz que ela continua legal, que está ótima, que as ferramentas são boas sim, só precisam de um pouco de óleo e mais trabalho. Balela, pura balela.

O ideal agora é ser sincero. Consigo mesmo e com todos.

Mentir não te ajuda em nada. É hora de falar todas as verdades que ela precisa ouvir.

Tua mulher já foi a melhor do pedaço, e não faz muito tempo. Agora não passa de um canhão.

E ai de você se não resolver o problema.

Culpado ou não, a bucha será você.
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