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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cenários

(Foto: Jefferson Bernardes / AFP)

O cenário não era dos melhores. 

O Fluminense entrou em campo sem três titulares e Deco, que só não é titular porque se machuca demais, jogador capaz de mudar uma partida. Depois da derrota para o Grêmio no Rio, e considerando que o último jogo é em casa, contra a equipe mais fraca do grupo, o empate estava de bom tamanho. Mas no futebol todas as verdades mudam em apenas um lance.

Com a expulsão de Cris, o Grêmio foi obrigado a recuar. O cenário, então, era completamente outro. E mesmo sem o seu principal trio em campo, a vitória já passava a ser um resultado quase obrigatório. O "quase" é necessário porque mesmo com o empate o Flu só depende de si para se classificar. Com a vantagem numérica, esperava-se uma pressão no tricolor gaúcho, mas isso esteve longe de acontecer, apesar de algumas boas chances criadas.

Criadas e perdidas. O tricolor carioca mostrou porque Fred faz tanta falta em momentos decisivos. Rhayner, Sóbis, Wagner, todos tiveram e perderam oportunidades. Talvez, com o artilheiro em campo, o placar fosse diferente e o Flu chegasse mais tranquilo na última rodada. Quem também poderia mudar o jogo era Felipe. Mas, sem razão aparante, Abel só o colocou em campo quase aos 40 minutos do segundo tempo. 

Com o empate, praticamente nada muda para o Fluminense. Basta vencer em casa para se classificar.

O cenário começou ruim e poderia ter terminado melhor.

Mas ficou de bom tamanho.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Deu nó

(Foto: Paulo Sérgio / Lancenet)
O Fluminense começou a perder o jogo logo na escalação. Com Deco, Thiago Neves e Felipe como opção, Abel entrou com Wágner, que até hoje não fez jus ao investimento depositado nele. Luxemburgo armou um time traiçoeiro, mantendo duas linhas de 4 muito próximas - uma na intermediária e uma na entrada da área - tirando os espaços de Sóbis e Nem, e obrigando o Flu a fazer passes em profundidade, ora errados ora interceptados. A parede do tricolor gaúcho funcionou e ainda conseguiu jogar, já que Souza, Fernando, Elano e Zé Roberto se aproximavam para trocar passes e iniciar as jogadas de contra-ataque.

Barcos começou o jogo perdendo todas as disputas para Leandro Euzébio, mas recuava até o meio de campo e abria espaços para a velocidade de Vargas, que entrava às costas de Anderson e Carlinhos. Não bastasse isso, os laterais tricolores, principalmente Bruno, subiam mal e deixavam muito espaço para as descidas do Grêmio. O primeiro tempo ainda foi equilibrado, com o Fluminense tentando empurrar o Grêmio para trás. Mas com a adversidade no placar, todos sabiam que Abel iria trocar Wagner por Deco no intervalo. Dito e feito.

A mudança não surtiu o efeito esperado. Pouco depois do segundo gol gremista - nas costas de Bruno - Abel colocou Thiago Neves e Samuel. Ao tentar acertar, errou. Com a saída de Nem, o Flu perdeu profundidade e velocidade, se tornando ainda mais previsível. Além disso, liberou mais o lado esquerdo do Grêmio. Em jogada parecida com o segundo gol, mas do lado inverso, Barcos lançou Vargas nas costas de Carlinhos. O chileno fuzilou Cavalieri para aumentar ainda mais a vantagem do tricolor gaúcho.

O jogo foi até atípico, muitos esperavam um placar mais equilibrado, e não pode servir como base para dizer que o Fluminense virou uma porcaria e o Grêmio favorito ao título. Mas a partida pode ser usada para uma reflexão de ambos os lados.

Abel precisa acordar.

E, ao contrário do que muitos imaginam,

Luxemburgo não está dormindo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cores quentes, frias e um tricolor campeão


No universo das artes existem cores quentes e frias. E elas não são flexíveis, não mudam de lado ao bel prazer do artista. Cor quente é cor quente, cor fria é cor fria. As quentes são vermelha, amarela e laranja, enquanto as frias são verde, azul e violeta. Branco e preto são cores neutras. Deixemos a aula de artes de lado e passemos ao campo de jogo.

Se o futebol tem a mania de subverter a ordem natural da vida em diversas situações, o Fluminense fez o mesmo com a regra das cores para ser o Campeão Brasileiro de 2012. Misturou as três cores que traduzem tradição (licença poética do autor para substituir o vermelho pelo grená), cada qual pertencente a um grupo, e criou um ser híbrido. Um time quente e frio ao mesmo tempo (grená e verde), além de ser neutro (branco), chegando a fingir certo desinteresse em alguns momentos das partidas. 

E a equipe só conseguiu atingir, digamos, esses estados térmicos, graças a alguns jogadores específicos. Diego Cavalieri e Gum, provavelmente os melhores goleiro e zagueiro do Brasileirão, respectivamente, abusaram da frieza ao defender o Flu tantas e tantas vezes. Assim como Deco e Jean, que comandaram o meio-campo tricolor com maestria e eficiência tática em muitas oportunidades. No extremo oposto, Fred e Wellington Nem esquentaram as defesas adversárias. O jovem atacante infernizou zagueiros, volantes e laterais com seus dribles rápidos, condução de bola veloz e até passes para gols, sendo extremamente importante na proposta tática do Fluminense, que era contra-atacar.

O que falar de Fred? Fred foi o mais puro vermelho, ou grená, no sistema de cores do Flu. A cor mais vibrante, mais explosiva, a cor quente mais importante. O centroavante já marcou 19 gols no campeonato e é o artilheiro isolado da competição. Foi decisivo para que o time das Laranjeiras conquistasse 31 dos 76 pontos que tem até o momento, ou seja, em jogos que o Flu empatou ou venceu por um gol de diferença, Fred marcou. O único que parece não enxergar que Fred está pegando fogo é Mano Menezes, que insiste em não convocá-lo para a Seleção Brasileira.

Além desses jogadores, outras peças foram fundamentais para o Tetracampeonato do Fluminense. No sistema de cores, eles seriam as quentes e frias secundárias. Thiago Neves, Carlinhos, Rafael Sóbis, Edinho, Samuel, Leandro Euzébio... em um jogo ou outro esses jogadores acabaram sendo os destaques, mas nada que alterasse o protagonismo dos citados anteriormente.

No Brasileirão 2012, temos um Tetracampeão. Um tetra em três cores.

E se são frias, quentes ou neutras, no fim das contas, tanto faz.

O que importa é que o verde, o grená e o branco são as cores campeãs.

domingo, 30 de setembro de 2012

A vitória da liberdade


O Fla-Flu foi um jogo bem movimentado. Chances para os dois lados, pênalti perdido pelo Flamengo, bolas na trave do Fluminense, golaço de Fred - mais um - e bons motivos para os dois lados comemorarem.

Os rubro-negros podem ficar felizes porque começam a ver um time dentro de campo. Organizado, aplicado, raçudo. O esquema, com dois volantes, dois meias e dois atacantes de ofício, tem dado certo e é a hora de Dorival não mudar mais. Que mudem as peças, não a formação. Comparando os elencos, obviamente o Fluminense era considerado favorito. Mas foi o Flamengo quem dominou o jogo, teve mais posse de bola. 

As oportunidades mais claras foram de Cléber Santana, que isolou uma chance quase embaixo da trave, Bottinelli, que perdeu um pênalti, e Nixon, que acertou bonita cabeçada para defesa de Cavalieri. O Flamengo ainda briga para não cair, mas o panorama mudou. Nos 3 últimos jogos, contra os 3 primeiros colocados, fez partidas convincentes, que indicam um caminho menos complicado na luta contra o rebaixamento.

Para o Fluminense, o resultado é o que importa. E é isso que deve valer até o fim do campeonato. Jogar mal tem sido uma regra, assim como vencer. Hoje, mais uma vez, foi o que aconteceu. O Flu jogou atrás, explorou os contra-ataques e decidiu o jogo na liberdade e no talento. Thiago Neves, autor de duas bolas na trave em cobranças de falta, rolou para Deco, completamente sozinho, cruzar para Fred. O artilheiro do brasileiro apareceu livre, como se não precisasse ser marcado, e fez o que sabe de melhor. Gol. Golaço. 

Depois, foi a vez de Cavalieri ser o Fred da defesa. Pegou pênalti e cabeçada à queima-roupa. Apesar de jogar mal, o Flu é líder, tem o artilheiro do campeonato, melhor ataque, melhor defesa. Não tem como discutir. É o melhor time do campeonato. Pode não ser o que joga mais bonito, mas certamente é o mais eficiente.

Diante dos fatos, só uma catástrofe será capaz de tirar o título do Flu nas 11 rodadas que restam.

A 6 pontos do segundo colocado, o tricolor continua cada vez mais líder.

E se Deco e Fred tiveram liberdade no lance do gol,

O Fluminense tem liberdade em sua estrada.

Basta olhar para frente.

Afinal, não há ninguém para atrapalhar a vista.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Quando a derrota é o melhor resultado


O título é esse mesmo e não me xinguem, tricolores. 

O Fluminense estagnou em um ponto que pode ser prejudicial na briga pelo título. Sim, eu acho o Flu seríssimo candidato esse ano, ao lado de Vasco e Atlético Mineiro. 

Ficou como único invicto da competição, começou a ganhar jogando mal e, pior, passou a se satisfazer com isso, o que pode se tornar um obstáculo. Jogar mal e vencer faz parte do futebol. Jogar sempre mal e vencer, não. Uma hora a casa cai, você perde e, ao invés de assumir que vinha jogando mal, tenta desviar o foco para outra coisa qualquer, como o "detalhe", por exemplo, que foi a razão da derrota, segundo Abel.

O Fluminense até poderia caminhar intacto pelas 38 rodadas do campeonato, mas convenhamos que seria uma tarefa para lá de árdua. E poderia também ser campeão vencendo e jogando mal, como ainda pode, diga-se. Mas seria muito difícil, né? Há jogos em que o adversário é mais fraco e basta um pouco de futebol para ganhar. Só que no Brasileirão, muito equilibrado, também ocorrem confrontos mais cascudos, como o de ontem. 

Claro que perder para um adversário direto nunca é bom. Mas a derrota para o Grêmio, muito bem armado por Vanderlei Luxemburgo, precisa ser vista por um ângulo diferente. Pensando na tabela, o resultado foi ruim. Mas pensando no que isso pode representar para a equipe das Laranjeiras mais à frente, foi bom. Perder por 1 a 0, jogando tão mal, pode fazer com que os torcedores cobrem um futebol de resultado, mas também vistoso. Pode fazer com que Abel Braga abra os olhos para os problemas e tente acabar com a Deco-dependência. Pode fazer com que jogadores, torcedores, dirigentes, todos ponham o pé no chão e entendam que, por mais que o Flu tenha o melhor elenco do Brasil, jogar bola é mais do que necessário para ser Campeão Brasileiro.

Perder quase nunca é bom

Quase... porque em algumas ocasiões pode ser.

Ontem foi.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

As certezas do Fla-Flu centenário

O Fluminense venceu o primeiro Fla-Flu em 1912 e, 100 anos depois, repetiu a dose.

O novo personagem que faz parte de mais um capítulo dessa história é Fred. Sem nunca ter marcado em confrontos dos dois times, parece ter esperado um momento especial para fazê-lo.

Com o gol do artilheiro, o Fluminense alcançou a quarta vitória seguida e agora é vice-líder da competição. Enquanto isso, o Flamengo segue em nono, no meio da tabela.

A partida serviu, ainda, para destacar algumas situações que já estavam bem claras nas rodadas anteriores.


O Fluminense tem um elenco forte, um técnico que conhece e sabe armar a sua equipe. Disciplinado taticamente, o tricolor plantou duas linhas de quatro na frente da própria área e esperou que o Flamengo atacasse. Como todos sabem, criatividade não é o forte do atual elenco rubro-negro. Assim, Abel deixou Fred e Wellinton Nem livres para puxar os contra-ataques. Faltou somente acertar os passes, já que o Flu errou vários durante o jogo. Mesmo fazendo uma partida muito abaixo do que pode, o Fluminense venceu sem sustos (exceto por duas cabeçadas do Flamengo, uma de Adryan e outra de Marllon).

O Flamengo, como dito acima, é um time nulo. Teve boa parte da posse de bola, mas não sabia o que fazer com ela. Bottinelli tentava passes verticais e errava. Ibson, Renato e Amaral se contentavam em tocar a bola para trás e para os lados. Magal não conseguia profundidade pela lateral-esquerda. Luiz Antonio, improvisado na lateral-direita, fazia boas jogadas, mas não cruzava certo. E a zaga, novamente, falhou no gol adversário, dessa vez com González. Joel, com o emprego por um fio, fica na dúvida entre arriscar ou não. Colocou Adryan, mas tirou Diego Maurício. Só no fim do jogo resolveu partir para cima ao tirar Amaral e colocar Mattheus.

Fora de campo, as entrevistas chamam atenção. Mesmo com quatro vitórias seguidas, Abel mantém os pés no chão e diz, acertadamente, que "foi só mais um passo". Joel e Renato, por outro lado, enxergam uma melhora no Flamengo. O técnico rubro-negro afirmou que este deve ter sido o melhor jogo do Flamengo sob o comando dele. Sinal de que a situação é grave.

E desse jeito terminou o Fla-Flu centenário.

Com um novo personagem para a história do clássico

E com uma certeza para cada lado.

Enquanto o Flu vai bem

O Fla vai mal.

Simples assim.
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