Mostrando postagens com marcador Brasileirão 2012. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasileirão 2012. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cores quentes, frias e um tricolor campeão


No universo das artes existem cores quentes e frias. E elas não são flexíveis, não mudam de lado ao bel prazer do artista. Cor quente é cor quente, cor fria é cor fria. As quentes são vermelha, amarela e laranja, enquanto as frias são verde, azul e violeta. Branco e preto são cores neutras. Deixemos a aula de artes de lado e passemos ao campo de jogo.

Se o futebol tem a mania de subverter a ordem natural da vida em diversas situações, o Fluminense fez o mesmo com a regra das cores para ser o Campeão Brasileiro de 2012. Misturou as três cores que traduzem tradição (licença poética do autor para substituir o vermelho pelo grená), cada qual pertencente a um grupo, e criou um ser híbrido. Um time quente e frio ao mesmo tempo (grená e verde), além de ser neutro (branco), chegando a fingir certo desinteresse em alguns momentos das partidas. 

E a equipe só conseguiu atingir, digamos, esses estados térmicos, graças a alguns jogadores específicos. Diego Cavalieri e Gum, provavelmente os melhores goleiro e zagueiro do Brasileirão, respectivamente, abusaram da frieza ao defender o Flu tantas e tantas vezes. Assim como Deco e Jean, que comandaram o meio-campo tricolor com maestria e eficiência tática em muitas oportunidades. No extremo oposto, Fred e Wellington Nem esquentaram as defesas adversárias. O jovem atacante infernizou zagueiros, volantes e laterais com seus dribles rápidos, condução de bola veloz e até passes para gols, sendo extremamente importante na proposta tática do Fluminense, que era contra-atacar.

O que falar de Fred? Fred foi o mais puro vermelho, ou grená, no sistema de cores do Flu. A cor mais vibrante, mais explosiva, a cor quente mais importante. O centroavante já marcou 19 gols no campeonato e é o artilheiro isolado da competição. Foi decisivo para que o time das Laranjeiras conquistasse 31 dos 76 pontos que tem até o momento, ou seja, em jogos que o Flu empatou ou venceu por um gol de diferença, Fred marcou. O único que parece não enxergar que Fred está pegando fogo é Mano Menezes, que insiste em não convocá-lo para a Seleção Brasileira.

Além desses jogadores, outras peças foram fundamentais para o Tetracampeonato do Fluminense. No sistema de cores, eles seriam as quentes e frias secundárias. Thiago Neves, Carlinhos, Rafael Sóbis, Edinho, Samuel, Leandro Euzébio... em um jogo ou outro esses jogadores acabaram sendo os destaques, mas nada que alterasse o protagonismo dos citados anteriormente.

No Brasileirão 2012, temos um Tetracampeão. Um tetra em três cores.

E se são frias, quentes ou neutras, no fim das contas, tanto faz.

O que importa é que o verde, o grená e o branco são as cores campeãs.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pontos de Vista


O resultado de um jogo pode ser analisado de diferentes formas. Vai depender de que lado está e quais são os interesses de quem estiver fazendo a análise. Altético-MG 1 x 1 Flamengo pode ter três avaliações diferentes. Uma de atleticanos, outra de flamenguistas e, ainda uma terceira, dos tricolores.

Para o Atlético o resultado foi péssimo. Jogando em casa, estádio lotado, torcida fazendo pressão contra o adversário, que tinha um time inferior, e ainda teve um jogador a mais durante todo o segundo tempo. Sem conseguir furar a retranca armada pelo Flamengo na base da técnica, os mineiros partiram para o abafa. Até conseguiram o empate, mas nada além disso. A sorte também não ajudou, já que Jô e Ronaldinho carimbaram a trave. Pensando em título, ficou muito difícil. Faltam cinco rodadas para o fim e a diferença é de 8 pontos para o Fluminense. O que fica é a boa campanha e a vaga na Libertadores, a não ser que aconteça uma catástrofe.

Para o Flamengo o resultado foi bom. Se considerarmos as circunstâncias do jogo, ótimo. Atuando fora de casa, contra uma equipe melhor e tendo que se superar para vencer. Como em todo o campeonato, o time não jogou bem, não teve um bom padrão de jogo, mas se fechou corretamente, correu e marcou. Passou o segundo tempo todo com 10 jogadores depois da expulsão de Wellinton Silva, o que chamou ainda mais o Atlético para o seu campo. Contou com a sorte e arrancou um empate, que o afastou mais um pouco da zona de rebaixamento. Deve consolidar a permanência na Série A nas próximas rodadas e terminar 2012 planejando 2013. Mais um ano assim, totalmente desorganizado dentro e fora de campo, pode ser fatal.

O Fluminense, que não entrou em campo, também gostou do resultado. Viu o Atlético mais longe da briga pelo título e agora está em uma posição mais confortável na tabela. E, pensando na rivalidade, ainda pode torcer para o rebaixamento dos rubro-negros que, apesar de difícil, seria um bônus junto ao título que se encaminha para as Laranjeiras.

No futebol é assim. O jogo é um só

Mas as visões são diferentes.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pensando como grande

(Foto: Cristiano Andujar / Lancenet)
Uma das melhores maneiras de se formar um elenco é mesclando experiência e juventude. Os mais novos dão aquele gás e os mais velhos cadenciam. Os mais novos correm, os mais velhos freiam a correria. Os mais novos ficam ansiosos, os mais velhos tranquilizam. No fim, com a técnica dos dois lados, as coisas costumam dar certo.

Peguemos dois exemplos, as duas extremidades mais atenuantes dessa fórmula no elenco do Botafogo. Seedorf de um lado e o recém-chegado Bruno Mendes do outro. Seedorf é consagrado, jogador refinado dentro e fora dos campos. Trata a bola como a mãe mais carinhosa trata um filho. Pega, bota no colo e cuida bem. Seedorf, depois de tudo que conquistou, é sinônimo de grandeza. Assim como o Botafogo e sua bonita história. O holandês é o retrato do novo pensamento que está criando raízes em General Severiano. "Somos grandes, por que não podemos ser maiores ainda?". É assim, e tem que ser assim.

Enquanto Seedorf e Botafogo escreviam os capítulos mais recentes de suas histórias, Bruno Mendes dava os seus primeiro rabiscos no mundo da bola. Revelado pelo Guarani, comparado a Careca, o menino de cabelos encaracolados ainda tinha muito a percorrer para se tornar um grande jogador. Vai ser Romário, Ronaldo? Não sei. Mas parece querer. O primeiro passo foi dado. Saiu de um clube que já teve os seus momentos de glória, para chegar a outro que está tentando voltar ao caminho dos títulos. Assim como precisa de Seedorf, o Botafogo precisa de Bruno Mendes. Que precisa do Botafogo. Uma troca mútua de favores.

Bruno Mendes significa renovação. Significa olhar para a juventude como quem vê ali uma nova estrada rumo ao topo. Bruno Mendes é a mudança que o Botafogo deseja para si mesmo. Ter um jogador com fome de vitória e sede de títulos é fundamental. Ele vai crescer e carregar aqueles que estiverem ao seu lado. E para o jovem atacante, o Botafogo é a grandeza que ele precisa para aparecer, evoluir, e se tornar, quem sabe, um novo Careca, Romário ou Ronaldo. 

Que Bruno Mendes e Seedorf sejam a personificação dos novos pensamentos do Glorioso.

Que eles signifiquem renovação, grandeza e vontade de crescer ainda mais.

Afinal, para ser grande, não basta estar no meio deles.

É preciso pensar como um.

domingo, 21 de outubro de 2012

Correu... e venceu


O Flamengo voltou a vencer, para alívio da torcida rubro-negra, depois de cinco jogos.

Sem ser brilhante, sem a qualidade que os torcedores gostariam de ver, mas com muita vontade. E é assim que tem que ser. Quem briga para não cair, precisa jogar dessa forma, mais na raça, na força, do que no jeito. Também não adianta cobrar mais nada a essa altura do campeonato. Nem esquema tático perfeito, nem futebol bonito, nem melhores jogadores e, talvez, nem coerência, que tem faltado, e muito, a Dorival. A hora é de ganhar, do jeito que der.

E foi exatamente isso que o Flamengo fez. Correu, marcou, se aplicou, teve Felipe pegando pênalti e conseguiu a vitória na cabeçada de González, que resolveu marcar o seu primeiro gol pelo rubro-negro na melhor hora possível. A vitória em si, até certo ponto, foi inesperada. O São Paulo vinha de quatro vitórias seguidas, melhorou muito nessa reta final de campeonato e era ligeiramente favorito. Mas futebol não é ciência exata, para alegria da Nação.

O risco ainda existe? Sim. O time ainda está mal? Sim. Mas não deve cair e está se esforçando e correndo para evitar isso. Em uma rodada onde os rivais diretos na briga pelo rebaixamento venceram, a vitória ganhou um peso maior. Agora, faltando seis rodadas, é hora de pensar nos jogos mais importantes, contra Figueirense e Palmeiras, ambos em casa. Vencendo os dois, o Flamengo se livra de vez, mesmo se perder todos as outras partidas.

Bom mesmo nessa reta final é ver a boa fase de Felipe, as ótimas partidas que Renato Santos tem feito e a afirmação de Wellinton Silva como titular da lateral-direita. É pouco, mas não deixa de ser um pingo de alegria para quem teve, e ainda está tendo, um ano tão difícil como a torcida do Fla.

E se está sendo complicado, o alívio deve chegar em breve.

Basta que corram e vençam

Como fizeram hoje.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Em busca do recorde


Poderia ter sido uma rodada melhor? Sim. Mas foi ruim? Não. O que mudou? Nada.

O Fluminense até poderia ter saído com a vitória e aumentado ainda mais a diferença, que continua de nove (Atlético-MG) e onze (Grêmio) pontos. Isso basicamente sacramentaria o título tricolor, visto que ainda há 21 pontos em disputa. Como vacilou e cedeu o empate com um jogador a mais, nada mudou. A diferença para o segundo e terceiro colocados continua a mesma.

Se alguém ainda duvida do título, são os próprios tricolores. E, diga-se, os mais pessimistas ou falsos modestos. No fundo no fundo, todo mundo sabe que esse campeonato já acabou. Pelo menos no que tange à disputa pelo primeiro lugar. Só resta saber quando e onde o Flu vai definir de vez o Brasileirão 2012.

Mais interessante do que saber que o Flu vai ser campeão, só pensar no recorde que a eficiência deste assombroso time tricolor pode bater. No formato atual, ou seja, pontos corridos disputados por 20 clubes, o maior número de pontos foi do São Paulo de 2006, anotando 71 ao fim da competição. O Fluminense versão 2012 já tem 69 e ainda faltam sete rodadas. A possibilidade de o tricolor ser campeão com um número muito superior de pontos é imensa. 

Se ganhar apenas mais quatro jogos, o que é perfeitamente possível para este time, o Flu chegará a 81 pontos. Uma campanha realmente espetacular. Mesmo que não faça todos esses pontos, o tricolor deve ultrapassar a marca do São Paulo e fazer uma campanha de entrar para a história.

Se alguns ainda duvidam do título do Fluminense, tudo bem.

Mas a situação é bem simples.

É tudo uma questão de tempo

E de correr atrás de um recorde.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Pistoleiro


Os duelos no faroeste eram simples. Dois pistoleiros, cada um de um lado, frente a frente, com suas armas no coldre, esperando o exato momento de sacar e disparar. Nos duelos, não bastava ser rápido. Era necessário velocidade e precisão.

Assim também é o futebol. Vejam só o Campeonato Brasileiro. São dois times representando o papel dos pistoleiros. Um para cada lado, munidos com suas armas e colocando a vida em jogo. Para viver, e sobreviver, cada time tem que ser melhor que o seu adversário e fim de papo. Neste duelo de vida ou morte, é importante atacar, mas também defender. Se um pistoleiro  encurrala o outro e começa a disparar, este precisa se esquivar, se esconder, e pode até contar com a ajuda de um colete à prova de balas reforçado.

Mas quando consegue escapar, a resposta deve ser dada de forma mortal, tão fatal quanto a picada de uma cobra venenosa que atrai a presa para a armadilha e espera o exato momento de dar o bote traiçoeiro. E é assim que tem sido com o Fluminense. É atacado, bombardeado, fuzilado, mas nunca atingido. Quando reage, é assustador. Preciso e veloz, não deixa brecha para que a vítima da vez tenha tempo de correr, se esconder ou se defender. É avassalador, seco. Mira, dispara, mata.

Não importa o tamanho do rival, sua fama ou suas habilidades. O Fluminense é o pistoleiro mais cruel do Brasileirão 2012. O terror do faroeste. Mata sem pena, sem dó. À medida que o tempo passa, vai eliminando todos os outros pistoleiros. Alguns, creio eu, se pudessem escolher, jamais gostariam de cruzar o seu caminho, pois, sabem, o destino será um só.

Neste faroeste moderno, onde as pernas e cabeças dos jogadores são armas, o Fluminense é quem conta com o melhor arsenal. Forte na defesa, veloz e mortal no ataque.

No duelo de vida ou morte que são os jogos do Campeonato Brasileiro, só um pistoleiro pode ficar vivo.

E que as vítimas estejam preparadas para morrer.

Porque o Fluminense está sempre preparado para matar.

domingo, 30 de setembro de 2012

A vitória da liberdade


O Fla-Flu foi um jogo bem movimentado. Chances para os dois lados, pênalti perdido pelo Flamengo, bolas na trave do Fluminense, golaço de Fred - mais um - e bons motivos para os dois lados comemorarem.

Os rubro-negros podem ficar felizes porque começam a ver um time dentro de campo. Organizado, aplicado, raçudo. O esquema, com dois volantes, dois meias e dois atacantes de ofício, tem dado certo e é a hora de Dorival não mudar mais. Que mudem as peças, não a formação. Comparando os elencos, obviamente o Fluminense era considerado favorito. Mas foi o Flamengo quem dominou o jogo, teve mais posse de bola. 

As oportunidades mais claras foram de Cléber Santana, que isolou uma chance quase embaixo da trave, Bottinelli, que perdeu um pênalti, e Nixon, que acertou bonita cabeçada para defesa de Cavalieri. O Flamengo ainda briga para não cair, mas o panorama mudou. Nos 3 últimos jogos, contra os 3 primeiros colocados, fez partidas convincentes, que indicam um caminho menos complicado na luta contra o rebaixamento.

Para o Fluminense, o resultado é o que importa. E é isso que deve valer até o fim do campeonato. Jogar mal tem sido uma regra, assim como vencer. Hoje, mais uma vez, foi o que aconteceu. O Flu jogou atrás, explorou os contra-ataques e decidiu o jogo na liberdade e no talento. Thiago Neves, autor de duas bolas na trave em cobranças de falta, rolou para Deco, completamente sozinho, cruzar para Fred. O artilheiro do brasileiro apareceu livre, como se não precisasse ser marcado, e fez o que sabe de melhor. Gol. Golaço. 

Depois, foi a vez de Cavalieri ser o Fred da defesa. Pegou pênalti e cabeçada à queima-roupa. Apesar de jogar mal, o Flu é líder, tem o artilheiro do campeonato, melhor ataque, melhor defesa. Não tem como discutir. É o melhor time do campeonato. Pode não ser o que joga mais bonito, mas certamente é o mais eficiente.

Diante dos fatos, só uma catástrofe será capaz de tirar o título do Flu nas 11 rodadas que restam.

A 6 pontos do segundo colocado, o tricolor continua cada vez mais líder.

E se Deco e Fred tiveram liberdade no lance do gol,

O Fluminense tem liberdade em sua estrada.

Basta olhar para frente.

Afinal, não há ninguém para atrapalhar a vista.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

FMH Entrevista - Ibson

(Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia)

Ele chegou ao Flamengo aos nove anos de idade. Passou por todas as categorias de base do clube até se tornar profissional, em 2003. Em 2004, conquistou o primeiro título com a camisa do clube. Depois, saiu para o futebol europeu e retornou em 2007 para participar de uma das arrancadas mais impressionantes do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, fazia parte do grupo melancolicamente eliminado da Libertadores pelo América do México. Agora, aos 28 anos, ele voltou à Gávea para jogar no clube que ama. Na entrevista abaixo, Ibson Barreto da Silva, o Ibson, fala das alegrias e tristezas no Flamengo, da passagem pelo futebol europeu, de jogar ao lado de Neymar e garante que o Flamengo não será rebaixado. Confira.

Futebol e Mau Humor: Você chegou ao Flamengo aos 9 anos, cresceu no clube, se profissionalizou, saiu e, hoje, está de volta. Como é a sua relação com o clube e com a torcida?

Ibson: Minha relação com o clube e com a torcida é ótima. O Flamengo é a minha casa, onde fui criado e cresci como homem e atleta. Para jogar aqui é preciso amar o clube e por isso que eu voltei.
  
FMH: Você teve uma passagem pelo futebol europeu atuando no Porto e no Spartak Moscou. Em ambos os clubes, retornou ao Brasil por empréstimo, uma vez para o Flamengo e, outra, para o Santos. O que faltou para você se firmar na Europa?

Ibson: Realizei o sonho de todo atleta que é atuar na Europa, fui bicampeão português, da taça e supercopa de Portugal. Infelizmente sofri duas lesões graves e nesse meio tempo houve uma troca no comando da equipe e acabei perdendo espaço. Na Rússia eu vivi dois anos incríveis e optei por voltar ao Brasil porque morávamos em um condomínio onde havia vários jogadores brasileiros e, aos poucos, eles foram retornando ao Brasil. Aí decidi que também era a hora de voltar.
  
FMH: Em 2007 você voltou, o Fábio Luciano foi contratado e o Flamengo deu aquela incrível arrancada no Brasileirão. Acha que ali foi a melhor fase da sua carreira?

Ibson: Acredito que sim. Foi um ano muito marcante onde puder reencontrar o meu melhor futebol após a primeira passagem no futebol europeu. O Flamengo estava nas últimas posições e conseguimos a classificação para a Libertadores e ainda conquistei o prêmio de melhor meia direita do Brasileirão.  

FMH: Já em 2008, o Flamengo teve um capítulo triste em sua história. A derrota para o América do México pela Taça Libertadores. Quando acabou aquele jogo, como você se sentiu, qual foi a sua primeira reação?

Ibson: Parecia que estava vivendo um pesadelo, foi uma grande decepção, na verdade um vexame muito grande, comparado a perda do título da Copa do Brasil, em 2004. Acho que nos deixamos levar pelo clima de festa pelo título carioca e pela vitória no primeiro jogo fora de casa, entramos desligados e infelizmente fomos eliminados.

FMH: Dos títulos que você ganhou no Flamengo, qual foi o mais importante e por quê?

Ibson: Acho que o Carioca de 2004 foi o mais marcante. Como citado anteriormente, cheguei ao clube aos nove anos, minha infância e adolescência foram no clube, então este título coroou todo esforço, foi a realização de um sonho, meu primeiro título profissional.

FMH: Qual o jogo inesquecível da sua carreira?

Ibson: Foram vários jogos importantes, mas a estréia no profissional com vitória sobre o nosso maior rival (Vasco) foi muito marcante.

FMH : No Santos você atuou ao lado do Neymar e trabalhou com o Muricy. Como foi poder atuar com o melhor jogador do Brasil? E o Muricy, ele é realmente um técnico diferenciado?

Ibson: Construímos uma amizade muito boa, ele é um jogador fora de série, tranquilo e muito humilde. O Muricy é um grande treinador e os títulos conquistados nos últimos anos demonstram isso.
  
FMH: Agora você retornou ao Flamengo e o clube não passa por um bom momento, tanto dentro quanto fora dos campos. O que está faltando para o time encaixar uma série de vitórias e subir na tabela?

Ibson: Acho que não é o momento de procurar culpados, precisamos dividir as responsabilidades entre todos do elenco. O Flamengo está vivo, fizemos alguns bons jogos, porém pecamos por erros nossos. Estamos todos juntos, no mesmo barco e a tendência é conseguir emplacar uma sequência positiva para subir na tabela.
  
FMH: Você mesmo não vem em boa fase. O que está faltando para render aquilo que a torcida espera de você?

Ibson: Estava atuando fora de posição e isso me prejudicava. Consegui emplacar uma sequência boa de jogos e espero crescer ainda mais nessa reta final.

FMH : A possibilidade do rebaixamento está assustando os jogadores?

Ibson: É um momento delicado, uma possibilidade que assusta, mas o momento é de dar apoio a todos. A equipe já melhorou, já mudou de atitude e essa fase já está passando. O Flamengo não será rebaixado.

FMH: Deixe um recado para a torcida do Flamengo.

Ibson: Deixei o Santos para ajudar esse clube que está no coração de todos nós. O Flamengo sempre foi raça, vontade e coração na ponta da chuteira. Precisamos do apoio da nossa torcida para sair desse momento delicado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Um jogo, seis pontos


Depois de sete jogos sem vitória, o que mais importava para o Flamengo era vencer e não convencer. Ainda mais fazendo um jogo de seis pontos, contra um time que também está brigando contra o rebaixamento. E foi isso que aconteceu. O rubro-negro carioca venceu o rubro-negro goiano por 2 a 1.

Apesar de fazer um jogo ruim, repleto de erros, o rubro-negro conseguiu sair com a vitória. 

Vitória que foi alcançada graças aos gols do estreante Cléber Santana e de Liédson. Mas o resultado não deixa de escancarar os equívocos da equipe da Gávea. O Atlético Goianiense é um time fraco e, mesmo assim, o Flamengo passou sufoco. 

Ramon continua sendo uma avenida pela esquerda. Não apoia e não marca e, no jogo de hoje, ainda vacilou no lance do gol adversário. Um desastre completo. Luiz Antônio e Ibson parecem disputar para ver quem está na pior fase. Hoje Luiz Antônio ganhou fácil, fácil. Cléber Santana fez uma boa estreia, mas ainda precisa achar o seu posicionamento em campo. Julgar Adryan pelo jogo de hoje soa, no mínimo, pouco racional, já que ele foi criado como armador e foi escalado como atacante, posição onde, obviamente, não se dá bem. 

O ponto positivo que pode ser tirado do jogo de hoje é que Wellinton Silva mostrou ser um lateral superior a Ramon e Léo Moura. Apoiou muito bem (inclusive no fim do jogo, quando criou algumas jogadas) e não deixou espaços na marcação. Diferentemente do camisa 2 do Fla, corre, vai à linha de fundo, cruza, enfim, tenta jogar. No próximo jogo, Dorival terá a volta de Léo. Resta saber se deixará Wellinton na lateral ou não.

Por fim, Vágner Love. Correu, se esforçou e até jogou bem, mas a má fase parece não querer abandoná-lo pela segunda vez neste campeonato. Deu as duas assistências para os gols do Flamengo, mas, no fim, quase pôs tudo a perder. Cobrou muito mal o penalti sofrido por Bottinelli e ainda perdeu um gol em cima da linha, após boa jogada de Wellinton Silva. 

Com erros, mudanças e jogadores em má fase, o Flamengo capenga no campeonato.

Mas, no jogo de seis pontos, fez o que tinha de fazer.

Venceu.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quando correr é mais importante

Ramon ergue Adryan para comemorar o gol do meia
Tem horas que o suor é mais importante que o talento. Talvez seja por esse ponto de vista que o time do Flamengo deva se guiar daqui para frente. Está faltando talento ao time, então, tem que sobrar suor, transpiração.

A camisa 10, tão essencial em qualquer equipe, simplesmente não existe no Flamengo. Nenhum jogador foi contratado para a posição e quem foi criado assim na base, como Adryan, acaba sendo deslocado para o ataque. Aqueles que um dia foram solução, hoje são problemas. Léo Moura não joga bem na lateral desde o ano passado e, como ficou provado hoje, também não deve jogar bem no meio. Ibson tão pouco vem rendendo o que a torcida espera dele. Luiz Antônio caiu de rendimento e Cáceres dá a impressão de estar no mesmo caminho dos companheiros. Liédson parece estar sem sorte e Love entrou de novo naquela fase em que a bola não entra.

Não bastasse tudo isso, Dorival troca de escalação como quem troca de camisa. Cada rodada é uma diferente, todas sem o sucesso esperado. Ao técnico, tem faltado coerência. Talvez seja hora de escolher um time, uma formação e insistir com eles. Pelo que parece, a equipe do segundo tempo, com dois atacantes e Adryan jogando mais atrás, é a ideal. Adryan, inclusive, marcou um gol de falta que até lembrou o mais famoso camisa 10 rubro-negro, Zico.

Com todos esses problemas, o Flamengo ainda conseguiu empatar com o bom time do Grêmio comandado por Vanderlei Luxemburgo. E empatou porque correu, correu, correu e suou. Transpirou e mostrou vontade. A faixa da torcida que explicitava o sentimento de indignação de cada torcedor se transformou em confiança e apoio ao fim do cotejo. Hino sendo cantado nas arquibancadas e músicas de incentivo na saída do estádio.

Quando o talento e a técnica não estão funcionando, é preciso achar outra forma de buscar os resultados.

Se não vai na criação, vai na transpiração.

Assim, a torcida volta a confiar.

domingo, 9 de setembro de 2012

Carta aberta ao Fred

Fred,

Eu reconheço, te admiro. Você é um baita centroavante. Provavelmente o melhor do Brasil. Mas você poderia ser muito, muito mais. Só que parece que você não quer, e eu não entendo isso. Você ganha salário de jogador europeu, tem o melhor elenco do Brasil ao seu lado e poderia ser artilheiro de todas as competições que joga. Poderia, inclusive, ser o 9 da Seleção Brasileira, essa camisa que anda precisando tanto de um cara como você.

Um cara que sabe fazer gols plásticos, que só aqueles que têm muita qualidade técnica sabem fazer, e gols feios, de centroavante cascudo, brigador, que também sabe trombar com os zagueiros. Mas não sei o que se passa com você. Por vezes é indolente, como quem diz: "tô nem ai". Parece que fica esperando receber uma chuva de críticas só para ter o gostinho de provar que você é o melhor. Quando as críticas vêm, você entra, mata a pau e acaba com o jogo. O problema é que só faz isso quando quer. E nem sempre você parece querer.


Você precisa entender, Fred, que existe uma grande diferença entre você e os outros. Os caras treinam, jogam, levam a sério, não têm notícias relacionadas com mil noitadas e... fazem menos gol que você. Quanta diferença! Com o menor esforço, você fica no mesmo nível deles ou sempre um degrau acima. Imagina se você se esforçasse de verdade, se quisesse todos os dias? Ia ficar ruim para o resto, não acha?

Você já foi atacante de seleção, fez gol em Copa do Mundo, já jogou na Europa - e poderia jogar de novo, garanto - mas parece que nada disso te importa. Se você levasse um pouquinho, só um pouquinho mais a sério, e evitasse a rota do departamento médico, você jogaria em qualquer clube que faz parte de um dos grandes centros do futebol. Não que você precise sair do Brasil, me entenda. Você só precisa fazer aquilo que sabe de melhor: jogar bola, sacudir o barbante.

Pensa nisso e imagina o bem que você faria ao Brasil e, principalmente, ao Fluminense.

Pensa nisso. E jogue bola.

Assim, vão existir muitos caras por aí

Mas você será o maior deles.

Bucha de canhão

(Foto: Felipe Gabriel)
Você estava solteirão, de bobeira pela vida, quando aquela mulher maravilhosa te fisgou. Cada um pense como quiser. Loira, ruiva, morena ou  negra, magra ou sarada, alta ou baixa, que faz o estilo nerd ou mais descolado, com mais peito e menos bunda ou vice-versa. O que importa é que a mulher que você arrumou é um avião. Aquela Ferrari de parar o trânsito, aquela mulher que passa na rua e todos os caras babam. Aquela que é alvo das rivais, invejosas, que tentam diminuí-la. Mas não dá. Ela é um espetáculo. Tão boa que chega a ter milhares, milhões de fãs.

Vocês começam a namorar e, em pouco tempo, você conhece ela mais profundamente. Percebe algumas coisas que de fora não percebia. Ela é superficial, parecia ser muito melhor do que realmente é. Tem problemas em casa, é desorganizada. Na empresa onde trabalha, tem muitos funcionários com mais destaque que ela, inclusive aquelas três mulheres que ela odeia. A família é um problema, cheia de pilantra, um querendo se dar bem em cima do outro. Os fãs, coitados, continuam apaixonados pela mulher que você arrumou. Mal sabem eles o buraco onde você foi se meter. Buraco esse que é muito mais embaixo do que você pensava. O tempo te mostrou quem ela é de verdade.

Agora você, que estava na boa, curtindo a vida, pegando um sol, está tentando resolver o que pode. Está tentando melhorar a vida da sua namorada no trabalho e no dia a dia. Mas é difícil né? Ela te arrumou umas ferramentas tão ruins. Umas são velhas, meio enferrujadas, e se você tentar mexer com elas, vão chiar. As novas, que ela mesma criou, parecem não ser toda aquela maravilha que se dizia, pelo menos até agora. E a aparência? Ela se descuidou, está meio caída, o cabelo não tem mais aquela cor vívida de outrora, os olhos não brilham tanto, o corpo não é mais escultural. Ela embarangou. Mas você continua se esforçando, tentando.

E mentindo.

Mentindo descaradamente para si mesmo, para ela e para os fãs. Diz que ela continua legal, que está ótima, que as ferramentas são boas sim, só precisam de um pouco de óleo e mais trabalho. Balela, pura balela.

O ideal agora é ser sincero. Consigo mesmo e com todos.

Mentir não te ajuda em nada. É hora de falar todas as verdades que ela precisa ouvir.

Tua mulher já foi a melhor do pedaço, e não faz muito tempo. Agora não passa de um canhão.

E ai de você se não resolver o problema.

Culpado ou não, a bucha será você.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Carrossel de Seedorf


Quando Seedorf chegou, sua contratação foi vista de duas formas.

Alguns desconfiavam dos seus 36 anos, do alto valor que o Botafogo pagaria para ter um jogador de certa idade, de que não daria retorno financeiro em uma possível venda, e da sua capacidade técnica. Não que seja inteligente duvidar das qualidades de um jogador que jogou muita bola e foi campeão por onde passou, mas teve gente pensando que o holandês poderia não render porque estava velho. Essa palavra que perde o significado perante jogadores como ele, Seedorf.

A segunda maneira de enxergar a contratação do holandês era com extremo otimismo, imaginando que ele seria como Juninho para o Vasco ou Deco para o Fluminense. Aquele jogador acima da média, que carrega o time com sua técnica, inteligência, visão, decisão e outros atributos positivos. Jogando em um setor que já contava com jogadores de toque mais refinado como Renato, Andrezinho, Fellype Gabriel e Elkeson, era de se esperar que o Botafogo se tornasse uma máquina, um novo tipo de Carrossel Holandês (esquema da seleção holandesa na Copa de 1974, onde jogadores muito qualificados não guardavam posição em campo), tendo Seedorf como seu pilar. 

Sem exagerar para nenhum dos lados, a realidade era simples. Seedorf faria grande diferença no time e no elenco do Botafogo, mas precisaria se adaptar ao futebol brasileiro, precisaria de tempo. Aos poucos, o holandês vem crescendo de produção, fazendo gols e tendo importante papel para o Glorioso. Hoje, contra o Cruzeiro, time correto, mas que, como todo time de Celso Roth, vai terminar entre o nada e o lugar nenhum, Seedorf foi o destaque da partida fazendo dois gols para virar o jogo e dando uma arrancada combinada com uma linda assistência para o gol que sacramentou a vitória.

Seedorf está se acostumando ao futebol do Brasil e, cada vez mais, se encaixando ao elenco e ao time do Botafogo.

A cada partida isso fica evidente.

Exageros à parte, hoje o Botafogo jogou, porque Seedorf jogou, acertou, fez gol, correu e deu passe.

Sem guardar posição.

Hoje, Seedorf foi o Carrossel Alvinegro.

Hoje, o Botafogo teve o carrossel de um homem só.

domingo, 2 de setembro de 2012

Erros, erros e erros.

(Foto: Ricardo Rimoli / Lancenet)
Erros acontecem. E como.

A diferença é que há erros decisivos e, outros, que acabam não tendo o mesmo peso. Vejamos os erros de Internacional x Flamengo, jogo em que o time gaúcho começou errando e perdendo, mas terminou como vencedor, porque, no fim das contas, errou muito menos.

O jogo era equilibrado até o erro de Muriel. Ao receber um recuo, o goleiro furou horrivelmente e deixou a bola para Vágner Love, sempre ele, fazer o único gol do Fla no jogo. Depois, o Flamengo repetiu o goleiro do adversário, só que em um número muito maior.

O primeiro foi Ramon que, ao tentar cortar um cruzamento, deixou a bola nos pés de Forlán. O melhor jogador da última Copa do Mundo só teve o trabalho de tocar para a rede e marcar o primeiro gol dele com a camisa do Colorado. Os erros de um lado permitem os acertos do outro. Assim, o Internacional chegou ao segundo gol. Outro cruzamento na área, outro erro do Flamengo, dessa vez com Cáceres, e bola na rede.

O terceiro gol do Inter começou em mais um erro do time da Gávea. O personagem do lance foi Ibson, que bateu uma falta no campo de ataque rubro-negro de forma displicente. A bola foi lançada para Leandro Damião, que tocou para Fred passar a D'Alessandro. O argentino carimbou a trave e a bola sobrou limpa, novamente para Forlán empurrar para as redes. No fim, ainda deu tempo de Leandro Damião marcar mais um e fechar o caixão do Flamengo.

Graças a profusão de erros do Fla, o erro do goleiro do Inter, Muriel, teve um peso diferente, foi apenas um erro. 

Já os erros rubro-negros custaram muito caro.

E o valor a pagar foi uma derrota humilhante.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Resumão do primeiro turno

Fim do primeiro turno. Bom momento para refletir, analisar, e fazer um levantamento do que fizeram os times até então. Claro que, por acompanhar mais de perto, destacaremos os clubes cariocas.


Fluminense (2° lugar) 

Apresentou um futebol muito aquém do que se esperava, principalmente pelo elenco que tem. Jogou feio, como dizem. Ainda sofre com a ausência de Deco e, algumas vezes, de Fred. Thiago Neves começou a se soltar no fim do turno. O futebol pode não ter sido o esperado, mas o resultado, sim. Segundo colocado, com apenas um ponto atrás do líder Atlético-MG (que tem um jogo a menos). Se deixar o departamento médico vazio, vai brigar até o fim com chances reais de ser campeão, até por ter o melhor elenco do país. Em 19 jogos foram 12 vitórias, 6 empates e apenas uma derrota (Grêmio, no Olímpico), com aproveitamento de 73,7%.


 Vasco (4° lugar)

Começou o campeonato bem e, no fim do turno, caiu de produção. Perfeitamente compreensível se observarmos os motivos. Negociou Diego Souza, Fágner e Rômulo, três titulares absolutos. Juninho não vem decidindo tanto e Alecsandro não marca há 7 jogos. Dedé, desde que voltou de lesão, também não tem atuado no seu mais alto nível. O goleiro e o técnico são questionados em todos os jogos (algumas vezes com razão, outras não). E o elenco não é tão qualificado para suprir tantos problemas. Nos últimos sete jogos, ganhou apenas um, perdendo confrontos diretos para Atlético-MG e Fluminense. Em 19 jogos foram 10 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, com aproveitamento de 61,4%. Ainda briga pelo título, mas deve lutar mesmo pela Libertadores.


Botafogo (7° lugar)

O Glorioso foi irregular durante todo o turno. Não encaixou grande sequência de vitórias, derrotas ou empates. Ora um, ora outro. Tem um bom time no meio de campo, mas sem centroavantes e uma defesa não tão confiável, excetuando-se o goleiro Jefferson. Perdeu Herrera, Loco Abreu, e simplesmente não repôs as peças. A presença da torcida acompanha a fase do time. Nem mesmo Seedorf, craque mundialmente consagrado, é capaz de levar torcedores ao Engenhão. Se Oswaldo de Oliveira conseguir acertar o time, mesmo com as limitações, deve brigar pela Libertadores. Do contrário, somente Sul-Americana. Em 19 jogos foram 8 vitórias, 4 empates e 7 derrotas, com aproveitamento de 49,1%.


Flamengo (9° lugar)

Pelo elenco e inúmeras crises, a posição é até lucro. A eterna busca por um camisa 10 não deu em nada e o time deve seguir até o fim do ano jogando com volantes no meio de campo. Vágner Love segue sendo um oásis no deserto rubro-negro e vem fazendo importantes gols. As chegadas de Adriano e Liédson não devem mudar muita coisa, ao contrário de Cáceres, que vem desempenhando importante papel na proteção à defesa. O mais correto é deixar Dorival Júnior, que organizou o time, implantar o seu estilo de trabalho e pensar em 2013, quando precisará de um elenco mais qualificado. Com as eleições tendo passado, é normal que o caldeirão ferva menos a partir do fim do ano. Em 18 jogos (tem um a fazer contra o Atlético-MG) foram 7 vitórias, 5 empates e 6 derrotas, com aproveitamento de 48,1%. Ao fim, se classifica para a Sul-Americana.

domingo, 19 de agosto de 2012

Clássico é Clássico

(Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Clássico é clássico e vice-versa. O maior clichê do futebol e, certamente, uma das maiores verdades.

O time A está mal, capenga, completamente desorganizado. Vive uma sequência de crises daquelas, problemas e mais problemas. A equipe joga mal, o técnico não consegue encaixar o padrão tático, o craque só arruma confusão. Muda o técnico, mas o elenco continua deixando a desejar. Troca-se uma peça aqui, outra ali, coloca um jovem da base, contrata um ou outro jogador e o time, pelo menos, fica mais organizado, mas ainda aquém do tamanho do clube e do que esperam os torcedores. Quando vem o clássico, o torcedor se apega ao ditado para ter a mínima esperança, e torce para não levar aquela chinelada.

O time B está bem, brigando nas cabeças. O técnico, sabe-se lá porquê, é cornetado toda rodada, vença, empate, ou perca. O time é bom, arrumado, com uma espinha dorsal pronta. Perdeu jogadores que eram titulares absolutos, mas continua jogando praticamente no mesmo nível. Também tem as suas carências no elenco, mas é superior ao rival. Quando vem o clássico, o torcedor logo se agiganta, sacaneia o amigo, diz que vai ser aquele chocolate. Tem até razão em pensar assim, basta olhar a tabela e o desempenho das duas equipes em campo.

Mas ai, entra a máxima do futebol. Clássico é clássico e vice-versa.

O jogo começa igual e, depois, o time B começa a dominar mais as ações, o que já era esperado. Perde um, dois, três gols. O time A pouco cria. Então, o ex-lateral-esquerdo do time B, agora no time A, pega uma bola no meio-campo, carrega, limpa a marcação e chuta mal. Uma bola fácil para o goleiro. Mas... clássico é clássico. A bola, vadia que só ela, quica na frente do goleiro, que falha, e solta no pé do matador do time A, como quem diz: "faz". E ele fez. Depois, o time B atacou, atacou e atacou. O time A defendeu, defendeu e defendeu. Na brincadeira defesa versus ataque, o time A foi superior, e venceu.

No futebol existe o favoritismo, só que para os jogos normais.

Porque como diz o clichê:

Clássico é clássico e vice-versa.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O castelo de cartas


Já experimentou fazer um castelo de cartas? Se sim, sabe que é uma tarefa árdua.

Qualquer movimento mal calculado, um segundo de desatenção, aquela leve brisa, um mínimo de mudança e... castelo ao chão.

É basicamente a situação de Dorival Junior. Dia após dia, o técnico rubro-negro precisa montar um castelo de cartas. O que significa isso? Significa não ter aquela famosa espinha dorsal construída, aquela base concreta, ou seja, não ter pelo menos um jogador de alto nível em cada setor do time. Com essa fragilidade, Dorival precisa medir cada movimento, cada passo dado, seja para atacar ou defender.


Nos dois últimos jogos, deu tudo certo e o castelo de cartas permaneceu em pé, firme, seguro, vitorioso. Já contra o Palmeiras...

Como dito anteriormente, um movimento mal calculado, um segundo de desatenção, aquela leve brisa e tudo pode ser perdido em questão de segundos. A leve brisa, hoje, responde pelo nome de Ibson. Ao fazer uma falta infantil, irresponsável e desnecessária logo no começo do jogo, recebeu um cartão amarelo e ficou pendurado. Ainda no primeiro tempo, fez mais uma falta e foi expulso. O castelinho, que, mais uma vez, estava conseguindo se equilibrar e permanecer em pé, ruiu.

Ibson disse que escorregou, que não tentou dar o carrinho. Escorregando ou não, o problema não foi a segunda falta e, sim, a primeira, que o fez pagar pelo erro e ser expulso.

Cabe à torcida não colocar os burros na frente da carroça e entender que o Flamengo de Dorival vai se reerguer, mas precisa de tempo. Vai oscilar, ganhar aqui, perder ali.

Enquanto isso, o técnico vai continuar montando seu castelo de cartas.

E torcer para que não bata outra leve brisa

Assim, o castelo fica em pé.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Amor, loucura e sobriedade


Uma noite de amor, loucura e sobriedade.

Solta assim, essa frase até parece título de filme ou peça de teatro. Na verdade, foram três ingredientes que deram mais sabor ao jogo Figueirense x Flamengo.

Representando o amor, Vágner Love. Artilheiro e principal jogador do Flamengo. Atravessando a famosa má fase pela qual passa todo atacante. De mal com a rede, estava oito jogos sem encontrar o caminho da felicidade. A fase era tão ruim, que andava apanhando até da bola, logo ela, sempre amiga, sempre companheira, sempre o motivo de alegria.

Representando a loucura, ele, Loco Abreu. Bom jogador, polêmico, turrão, inteligente, aquele cara que foge do protótipo do boleiro. Formado em jornalismo, Loco Abreu diz o que pensa, argumenta, conversa, e reclama, reclama muito. Andarilho do futebol, chegou ao Figueirense por estar insatisfeito com a reserva no Botafogo. Mesmo assim, continuou ídolo da torcida do Glorioso.

Representando a sobriedade, Dorival Júnior, técnico do Flamengo. Chegou há 10 dias, pegou um time bagunçado, um clube desorganizado, jogadores em má fase, cobrança por renovação. Empatou com a Portuguesa e levou goleada do São Paulo. Com o adiamento da partida contra o Atlético Mineiro, teve 10 dias para trabalhar. E trabalhou. Acabou com os rachões, fez coletivos e treinos de fundamentos. Tudo com um só objetivo: voltar a vencer no campeonato.

E na vitória do Flamengo por 2 a 0, cada um representou direitinho o seu personagem.

Love fez dois gols e voltou a ser o Artilheiro do Amor, deixando todos felizes, companheiros, técnico e torcida.

Loco Abreu, provocado pela torcida rubro-negra, beijou o escudo do Botafogo na camisa que usava por baixo do uniforme do Figueirense. Um gesto que deixou os alvinegros - cariocas - felizes. 

Dorival conteve a euforia e declarou que ainda há muito a melhorar. O Flamengo ganhou do lanterna do campeonato em um jogo que esteve longe de ser absoluto em campo. Ponto para ele, que sabe exatamente o quanto ainda falta para ter um time pronto.

Assim foi a noite no Orlando Scarpelli, com cada personagem desempenhando seu papel do jeito que se esperava. 

E entre gols, amores, loucuras e declarações sóbrias, todos saíram ganhando

Menos o Figueirense.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Quando a derrota é o melhor resultado


O título é esse mesmo e não me xinguem, tricolores. 

O Fluminense estagnou em um ponto que pode ser prejudicial na briga pelo título. Sim, eu acho o Flu seríssimo candidato esse ano, ao lado de Vasco e Atlético Mineiro. 

Ficou como único invicto da competição, começou a ganhar jogando mal e, pior, passou a se satisfazer com isso, o que pode se tornar um obstáculo. Jogar mal e vencer faz parte do futebol. Jogar sempre mal e vencer, não. Uma hora a casa cai, você perde e, ao invés de assumir que vinha jogando mal, tenta desviar o foco para outra coisa qualquer, como o "detalhe", por exemplo, que foi a razão da derrota, segundo Abel.

O Fluminense até poderia caminhar intacto pelas 38 rodadas do campeonato, mas convenhamos que seria uma tarefa para lá de árdua. E poderia também ser campeão vencendo e jogando mal, como ainda pode, diga-se. Mas seria muito difícil, né? Há jogos em que o adversário é mais fraco e basta um pouco de futebol para ganhar. Só que no Brasileirão, muito equilibrado, também ocorrem confrontos mais cascudos, como o de ontem. 

Claro que perder para um adversário direto nunca é bom. Mas a derrota para o Grêmio, muito bem armado por Vanderlei Luxemburgo, precisa ser vista por um ângulo diferente. Pensando na tabela, o resultado foi ruim. Mas pensando no que isso pode representar para a equipe das Laranjeiras mais à frente, foi bom. Perder por 1 a 0, jogando tão mal, pode fazer com que os torcedores cobrem um futebol de resultado, mas também vistoso. Pode fazer com que Abel Braga abra os olhos para os problemas e tente acabar com a Deco-dependência. Pode fazer com que jogadores, torcedores, dirigentes, todos ponham o pé no chão e entendam que, por mais que o Flu tenha o melhor elenco do Brasil, jogar bola é mais do que necessário para ser Campeão Brasileiro.

Perder quase nunca é bom

Quase... porque em algumas ocasiões pode ser.

Ontem foi.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pobres rubro-negros


O que dizer desse Flamengo? São tantas coisas ao mesmo tempo que fica até difícil.

Vamos em tópicos, talvez seja mais fácil de entender.

1) Joel não é culpado de tudo, mas é culpado de muita coisa. Não pode estar no Flamengo há meses e o time não ter um padrão tático, uma escalação definida. O Flamengo é uma zona dentro de campo. O elenco é fraco? É. Contra o Corinthians dois gols foram em erros individuais de Bottinelli e Renato? Sim. Mas a equipe poderia ser organizada, era o mínimo que se esperava.

2) A espinha dorsal do time nem é essa porcaria toda. Paulo Victor, Léo Moura, González, Ibson, Love. Se você tiver um camisa 10 decente, fica uma boa equipe. O problema é descobrir ou contratar esse 10. O maior problema, como sempre repito, é organizar minimamente o time.

3) A má fase dos principais jogadores também não ajuda. Aqueles que poderiam fazer a diferença, simplesmente não fazem absolutamente nada. A tal da espinha dorsal anda meio quebrada. Léo Moura tem passado mais tempo no estaleiro e, quando joga, é nulo. Love parou de fazer gols e Ibson não sabe se marca ou se tenta armar o time.

4) Renato merece um capítulo à parte. Contra o Corinthians deu um lindíssimo passe de calcanhar...para Douglas, jogador do time adversário. A rigor, só aparece na hora de cobrar as faltas. Por onde anda Muralha? Por que não testar Camacho, que fez boas partidas esse ano na posição? Renato é um dos líderes do elenco e pode ser complicado barrá-lo, mas já está mais do que na hora.

5) Um fato incontestável. Para ganhar do Flamengo, o adversário não precisa jogar muita bola (o Corinthians jogou bem, acalmem-se), basta deixar que os rubro-negros tentem jogar. O resultado é simples. A equipe de Joel não consegue. Se tem a bola, não sabe o que fazer com ela, perde, e sofre contra-ataques, o que ficou claro no jogo contra o Fluminense. No jogo de hoje, o Corinthians avançou a marcação e complicou a saída de bola que era feita pelos zagueiros e por Aírton. Chutões a esmo para frente e criação zero.

6) Da atual temporada, o que se pode destacar de positivo é uma coisa só. O lançamento de PV ao time titular. O jovem vem mostrando que merece a vaga, fazendo boas partidas e salvando o time muitas vezes, assim como fazia Julio Cesar. Hoje, inclusive, pegou um pênalti de Emerson quando o jogo estava 3x0.

7) Por fim, diretoria. Zinho está tentando fazer um bom trabalho, e até vem conseguindo. Pés no chão, honestidade, simplicidade, sem loucuras para contratar e organização no departamento. Mas está cercado de maus profissionais. Levys, Coutinhos e que tais estão aos montes na Gávea. Por quê? Pra que? Ninguém sabe. 

8) Tenho pena dos 14 mil infelizes que saíram de casa em um horário insólito, pagaram ingresso e enfrentaram as intempéries do tempo para ver o time do coração fazer essa vergonha. Pobres rubro-negros.

O Flamengo está mal

E não há perspectiva de melhora.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...