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domingo, 14 de abril de 2013

Vai entender

(Foto: Guilherme Pinto / Ag. O Globo)
O futebol é realmente um esporte imprevisível.

Se baseando nas últimas atuações, quem diria que o Flamengo ganharia o Fla-Flu jogando com tanta facilidade em todo o primeiro tempo e no começo do segundo? Mesmo com alguns desfalques do lado tricolor, o mínimo que se esperava era um jogo equilibrado. Mas o Flamengo surpreendeu. Trocou passes com velocidade, contou com muita movimentação de todos os setores, além de encaixar um forte esquema de marcação.

A construção do resultado e da boa partida dos rubro-negros tem uma explicação. Gabriel. O camisa 10 foi a principal peça do esquema rubro-negro. Começou as jogadas do primeiro e do terceiro gols com ótimos passes, e deu muito trabalho ao sistema defensivo do Fluminense. Renato, com dois gols, Léo Moura e Elias também se destacaram, principalemente no primeiro tempo.

Depois, bem que Jorginho tentou estragar tudo. Não é novidade para a torcida rubro-negra as constantes invenções que o técnico vem fazendo. Mas, hoje, ele se superou. Ninguém entendeu a troca de Gabriel, o melhor jogador em campo, e um meia-atacante, para a entrada de João Paulo, lateral-esquerdo. Em seguida, Hernane, centroavante, por Cléber Santana, meio-campo. Ou seja, o time ficou sem um homem fixo na frente e com dois laterais-esquerdos. Inexplicável.

Quanto ao Fluminense, um resultado que pode mexer com a confiança do time para o confronto que realmente importa, o jogo contra o Caracas, pela Libertadores. A equipe que entrou no campo do Raulino de Oliveira deve ser a mesma que entrará no gramado de São Januário, na próxima quarta. Sem jogar um futebol convincente esse ano, inclusive nos jogos em casa pela competição continental, é preciso ligar o alerta. Se o elenco é tão falado como um dos melhores do Brasil, é nessa hora que precisa mostrar sua força. Mas o primeiro tempo do clássico foi de assustar.

O Flamengo que suou para vencer o Remo, empatou com Duque de Caxias e perdeu para o Audax, venceu o Fluminense com facilidade.

O tricolor, com um dos elencos mais caros do país, perdeu para um rubro-negro ainda em formação.

E Jorginho, incompreensível, resolveu bagunçar o que estava certo.

Isso é futebol.

Vai entender.

domingo, 31 de março de 2013

Crise de identidade

(Foto: Ruy Trindade / Ag. Estado)
"Quem sou eu? O que quero?"

Duas perguntas que o Flamengo deve se fazer dentro de campo. Fora dele, tudo está decidido. Dirigentes procurando agir, entre erros e acertos, como o tradicional clube rubro-negro merece. Pés no chão, salários em dia, sem loucuras financeiras para trazer jogadores, plano de sócio torcedor, algo que há muito não se via na Gávea. Tudo em prol da reconstrução total do clube, principalmente econômica.

O coirmão paulista pode ser um bom exemplo. O Corinthians se reergueu depois de uma rápida visita ao inferno. Hoje é espelho e modelo para os outros clubes. O Fla resolveu se mexer antes de chegar ao fundo do poço total. A caminhada é longa, muito longa, mas o clube sabe o que quer. Se reerguer. Se reiventar. Se reafirmar. 

Mas o discurso e as atitudes fora de campo não estão sintonizados com o time dentro dele.

Jorginho não define uma escalação. Ele chama de testes. Eu chamo de pressão. Entra em campo um time, perde, muda uma peça, ou mais de uma. Entra outro time, empata, nova mudança. Depois, outra, outra e mais outra. É a necessidade de provar que algo está sendo feito, que não há ninguém confortável com a situação. Mas se o técnico não sabe o que quer, imagine os jogadores...

Quem é titular? Quem é reserva? Por que substituir um jovem jogador aos 43 minutos do 1° tempo? A insegurança pede licença, começa a circular pelo elenco e isso obviamente também atrapalha. Fora a pressão da torcida que, apesar de saber as limitações do elenco, exige que ele jogue como o Flamengo merece. Nada mais natural.

Técnico e time precisam achar um caminho. Escolher um norte e segui-lo, assim como fez a diretoria. Podem errar e acertar, mas têm que saber o que querem e quem são. Quando os responsáveis pelo time dentro de campo tomarem uma decisão, aí a situação pode mudar.

Até lá,

"Quem sou eu? O que quero?"

Nem você sabe, Flamengo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Camisa


No futebol existe uma ordem natural. Quando um clube grande enfrenta um pequeno, o grande vence. É assim que funciona na maioria das vezes. A tradição, a história e a camisa falam mais alto. Claro que em algumas ocasiões a ordem é invertida e o pequeno consegue tirar uma casquinha. No Carioquinha 2013 esse cenário vem acontecendo mais do que os grandes esperavam, ou estão acostumados. Principalmente nos jogos envolvendo a dupla Flamengo e Vasco, que estão passando um sufoco fora do normal por vários motivos.

Flamengo 2 x 1 Bangu foi mais um exemplo desse cenário. O Bangu saiu na frente logo no começo do jogo e o rubro-negro só conseguiu virar no fim, com um golzinho chorado, chorado. Troca de técnico, clube se reorganizando, time pouco qualificado, ausência de um jogador decisivo. Essas são algumas razões que fizeram o time de Jorginho penar para vencer o modesto Bangu.

Sem craques como Leandro, que sofria ao ver o jogo nos estúdios da Rede Globo, fica difícil atropelar qualquer adversário que seja. Nessa hora a torcida se apega à raça, à tradição. "Aqui é Flamengo, tem que ganhar", vão dizer. E é mais ou menos isso mesmo. 

Nelson Rodrigues, apesar de tricolor, dizia: "há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável".

E assim, mesmo sem time, sem qualidade, sem craques, o Flamengo venceu.

A camisa bastou. Não "aberta no arco"

Mas dentro de campo.

domingo, 17 de março de 2013

Quase

(Foto: Paulo Sergio / Lancepress)
No intervalo do jogo entre Vasco e Volta Redonda, Bruno Mazzeo foi preciso. "O Vasco é o time do quase. O Nei é quase um bom lateral, o Éder Luis é quase um bom atacante", brincou o comediante. E não é que ele tem razão?

No primeiro tempo o Vasco quase não atacou.
O goleiro Gatti quase não teve trabalho. 
No gol do Voltaço Dedé quase alcançou a bola e Alessandro quase conseguiu espalmar.
Dakson tentou cruzar e quase fez um golaço. A bola parou no travessão.
Depois foram quase chutes, quase cruzamentos, quase gol.
No último lance, quase Carlos Alberto conseguiu empurrar para o barbante.

Quase.

No intervalo o Gaúcho quase soube explicar os motivos do Vasco jogar tão mal.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo o Éder Luís quase marcou.
Dois minutos depois o Wendel quase acertou um chutaço.
Bernanrdo entrou e quase fez um gol.
Éder Luís continuou no quase. Quase acertou alguma coisa.
Carlos Alberto quase fez bons lançamentos.
Yotun quase teve sucesso nas jogadas que tentou.
Romário quase cabeceou para o gol.
Gaúcho quase conseguiu mudar o resultado com as substituições.

Mas, como disse Bruno Mazzeo, foi mesmo o dia do quase.

Quase que o Vasco teve dia de Vasco.

Quase que o Vasco não perdeu para o Volta Redonda.

Quase, né?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Realidade

(Foto: Celso Pupo / Agência Estado)
Vamos fugir do clichê. Nada dizer que o Flamengo sofreu um apagão no intervalo e levou três gols em 25 minutos. A situação é simples e precisa ser encarada de forma simples. Finalmente, depois de uma Taça Guanabara impecável, o rubro-negro jogou aquilo que se esperava dele no começo do ano. Ou seja, nada. Mesmo no primeiro tempo, quando abriu dois gols de vantagem, a equipe de Dorival não apresentava um grande futebol. Para ficar claro, a expectativa no começo do ano era praticamente nenhuma, e o desempenho surpreendeu, por isso afirmo que ninguém esperava nada do Flamengo.

Para ser mais simplista ainda, o Fla perdeu levando gols por conta de seu ponto mais fraco, as bolas aéreas. Não é de hoje que a equipe tem dificuldade com as bolas alçadas na área. Contra o Resende, os três gols sofridos foram assim. Um em bola lançada e outros dois em lances de cruzamentos. E isso tudo dentro de um sistema defensivo democrático. Uma falha de Alex Silva e duas de González. Aqui é importante ressaltar uma certa culpa do técnico Dorival Júnior para que ela não passe despercebida. Por que as constantes trocas na zaga? Há mesmo motivo para fazer um rodízio entre os zagueiros?

Renato Santos vinha bem, agradando a torcida. Dorival o tirou para colocar Wallace, que não passou a mesma segurança. Agora sacou Wallace e promoveu Alex Silva à titularidade. Obviamente que o desentrosamento pesa e as falhas de posicionamento no jogo de hoje evidenciam essa situação. Então, é hora do professor escolher uma dupla e deixá-la jogar.

No mais, começar ganhando do Resende por 2 a 0 e perder por 3 a 2, ainda mais da forma como foi, realmente é para se lamentar. Mas não é o fim do mundo, muito menos algo inesperado. Após três meses, o Flamengo não só ratifica que tem um elenco carente, como mostra que o caminho a ser percorrido é longo. Se a torcida começava a criar esperanças demais, pode baixar um pouco a bola.

Por mais dura que seja, a realidade é essa.

E ela finalmente bateu à porta.

domingo, 3 de março de 2013

Números

(Foto: Alexandre Loureiro / Lancepress)
O Flamengo vinha de 17 jogos de invencibilidade, contando a reta final do Brasileirão 2012, não perdia para o Botafogo há 3 anos, o equivalente a 11 jogos, não levara gol nas últimas 4 partidas, ou 360 minutos, e teve a melhor campanha da Taça Guanabara, com 22 pontos em 24 possíveis. Mas bastou apenas 1 minuto, 60 segundos, o menor valor entre todos os citados anteriormente, para tudo isso ruir. E aí acabou. Já era. O culpado? Julio César, lateral-esquerdo do Botafogo, que desfilou no meio da defesa adversária e fez um golaço.

Com a vantagem na mão, talvez o Flamengo tenha entrado em campo ainda dormindo. Já não é de hoje que o rubro-negro tem dificuldade para usar as vantagens que consegue. O alvinegro não tinha nada com isso e tratou de acabar com ela assim que o jogo começou. E graças ao gol relâmpago, a segunda semifinal da Taça Guanabara foi decidida no primeiro instante.

Flamengo mal em campo? Sim. Por quê? Porque o Botafogo esteve muito bem e simplesmente anulou a equipe de Dorival. Oswaldo soube armar um meio-campo criativo e pegador ao mesmo tempo. Conseguiu o gol no início e recuou para tirar a principal arma do adversário, o contra-ataque. Obrigado a criar, o Fla se viu amarrado, já que Carlos Eduardo demonstrou, mais uma vez, estar completamente fora de forma e condições de jogo. Depois, Dorival mexeu mal. Como o Botafogo esperava em seu próprio campo, o técnico poderia ter tirado Cáceres ao invés de Elias, que sabe sair mais para o jogo e é um meio-campista mais dinâmico.

Com o Flamengo mais em cima, Oswaldo, ao contrário de Dorival, mexeu bem. Colocou Vitinho nas costas de Léo Moura. O jovem não só incomodou a defesa rubro-negra, como também sacramentou a vitória depois que Felipe foi à área alvinegra tentar, no desespero, o gol no fim do jogo.

Os números são muito utilizados no futebol. Podem expressar vantagem para um ou outro.

Mas não podem ser determinantes.

Afinal, 1 minuto pode se tornar mais valioso que todo o resto.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quando o resultado pouco importa


Fluminense e Botafogo entraram em campo hoje pelo Campeonato Carioca. O Glorioso goleou o frágil Audax por 4 a 0 enquanto o Flu apenas empatou com o Friburguense por 2 a 2. Pelo elenco que têm, ambos sempre serão favoritos contra os pequenos, assim como Flamengo e Vasco, mesmo que esses dois ainda contem com elencos pouco confiáveis. Fato é que nos jogos de hoje o Botafogo fez valer o favoritismo. O Flu, não.

Mas isso pouco importa. Para o tricolor, o Cariocão 2013 serve como pré-temporada. Os jogos praticamente viram treinos para que os jogadores readquiram o ritmo de jogo e os contratados se entrosem com o restante do elenco. O time que vem sendo escalado não é considerado o ideal, os principais jogadores são poupados e, assim mesmo, o Flu estará nas fases finais, óbvio. Pouca importa se empatou com o Friburguense e pouco vai importar se empatar ou perder para qualquer outro time pequeno. O planejamento é a Libertadores, naturalmente. Torcida, técnico, jogadores, diretoria, todos pensam somente na taça ainda inédita.

Já o Botafogo, talvez, tenha apenas um motivo para se preocupar com os resultados do cada vez menos importante Campeonato Carioca. Melhor: Oswaldo tem um motivo para querer vitórias e mais vitórias contra os pequenos. Apesar do bom trabalho e das raras opções no mercado, parte da torcida insiste em questionar o treinador, muito por conta das polêmicas de Oswaldo com Loco Abreu, ídolo e ex-atacante do alvinegro. A loucura dos torcedores - com perdão do trocadilho - pode jogar uma pressão desnecessária em cima de jogadores e técnico, obrigando o time a passar o trator em todos os adversários. Ao menor sinal de tropeço, vaias, manifestações contrárias ao treinador e todo aquele blá blá blá vão acabar acontecendo.

Mais importante do que os resultados é o torcedor, seja do Fluminense ou do Botafogo, entender que o Cariocão é nada mais nada menos do que um laboratório. O campeonato deve ser utilizado para testar, errar, acertar, colocar tudo em seus devidos lugares para fazer um bom papel nas outras competições do ano, essas sim, muito mais relevantes.

Ser campeão até pode ser bom para o torcedor, que certamente vai estar ávido para sacanear os rivais, mas isso não precisa se tornar uma obrigação para ninguém, ainda mais para quem já tem elenco encorpado, como é o caso dos dois clubes.

Caso um dos dois seja campeão, torcedor, aproveite e goze o rival. Mas se perder, não faça disso o fim do mundo.

Fim do mundo é se importar com aquilo que não vale nada.
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