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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

FMH Entrevista - Rica Perrone - Parte 2


Na continuação da entrevista, Rica fala sobre a simpatia pelo Flamengo, idolatria por Zico, Messi, Lucas, Neymar e muito, muito mais.

Confira abaixo os principais trechos:

Simpatia pelo Flamengo

"A culpa é do Zico. O Zico é meu ídolo. Eu sou
da geração das Copas de 86 e 82 e o 10 era o Zico. A molecada hoje não tem noção do que a Seleção representava. Em 82, 86 nós adorávamos a Seleção, a gente discutia a semana inteira e o Zico era o cara, era o salvador da pátria. Ai veio o lado do pai que eu tenho. Perguntei para ele por que o Zico jogava tanto e não jogava no São Paulo. Meu pai podia dizer qualquer coisa, mas me explicou sem ódio nenhum e eu olhei aquilo com simpatia. Então eu sempre quis ver jogo do Flamengo na TV porque queria ver meu ídolo jogar. A torcida do Flamengo é do cacete, sempre me encantei com a combinação Maracanã e torcida do Fla, sempre quis conhecer. Foi o time que me fez olhar futebol fora do meu time. E a torcida do Flamengo, queira ou não, me fez aqui no Rio. Eu era um jornalista de São Paulo, odiado pelos paulistas porque sempre falei bem dos times do Rio, mesmo sem ter público aqui. Até que o Flamengo teve aquela arrancada em 2007 e alguns flamenguistas começaram a ler e colocar no orkut. Ai comecei a ter publico aqui".

Futebol europeu

"Não tenho nada contra o futebol europeu, eu assisto, desde que sejam dois times grandes. Chelsea x Manchester é um jogo legal. Agora, não precisa terminar o jogo comemorando ou chorando pelo time, quem faz isso é idiota. Os caras não se importam, o site deles não é traduzido para o português e neguinho fica igual uma gazela gritando. Você pode gostar, mas não exagera. Eu torço para o Real Madrid, gosto do Real, mas não muda nada para mim se ele perde ou ganha. Ele não mexe com minha paixão, mexe com o meu lado de quem gosta de futebol. Não gosto daquela história de "aqui é assim, mas se fosse na Europa...". Lá também tem problema, xingam jogador de macaco, tem briga, invadem o campo, mas aí é perfeito. Aqui o cara joga um copinho de plástico e no dia seguinte tem uma coluna inteira no jornal falando disso. Isso me incomoda, essa mania que temos de ser colônia. Tem coisa na Europa que é melhor, mas tem coisa aqui que é melhor que o deles. O americano não faz isso com o esporte dele, o europeu também não, só a gente. Os caras lá fora cagam para a gente. E eu não dou moral para quem não me dá moral, é simples".

Messi

"O Messi é um puta jogador. Para mim, não é melhor que o Zico, nem chega perto, até porque ele tem só 25 anos, não seria justo. Se um dia for, de fato não vou assumir, isso não é piada. O Ronaldinho jogou mais bola, o momento dele no Barcelona era igual, por isso acho que é precipitado. Em algum momento o Messi vai cair e ai, como ele vai administrar esse momento, ninguém sabe. O Ronaldinho caiu, afundou. O Adriano caiu, afundou. O Messi pode estourar um joelho, tomara que não aconteça, mas pode, pode separar da mulher, jogador é influenciado pela vida pessoal. Nessas horas a gente vai saber se ele vai arrebentar ou vai afundar. Pode acontecer com o Neymar também, ninguém sabe. Quando o Ronaldinho jogava no Barcelona a gente jurava que estava diante do novo Pelé, e não estava. Agora é a mesma coisa".

Rivalidade com Argentina

"Eu não posso ser torcedor contra o Fluminense, contra o Vasco. O que me resta? O Brasil. E aí eu fomento para caralho, porque eu posso debochar, extravasar. Com a Seleção me sinto totalmente no direito de não gostar do argentino, e tentar colocar como uma coisa racional, ponderada, é uma burrice do caralho. Quero pegar a Itália, Argentina, eles são meus inimigos dentro do campo, fora do campo não tenho nada contra ninguém. Agora, o que pode ser melhor do que torcer contra a Argentina? Eles não ganham nada, os jornalistas que eu mais odeio gostam da Argentina, então é um prato cheio. Na medida que a Copa for chegando, as pessoas que dizem que não estão nem ai para a Seleção vão mudar de ideia. Hoje o torcedor não sente aquela relação apaixonada porque você não tem com quem discutir. Na Copa nós vamos ter, a gente vai ver o adversário e essa relação vai mudar".

Saída do Lucas

"100 milhões, cara. Não tem o que fazer, não dá para discutir. O que eu vou falar para o moleque? Não vai? Impossível. Vai jogar numa liga mais fraca, mas é um time grande, com jogadores muito famosos, um time que vai estar em evidência, está jogando a Champions League, o que vou falar? Vamos dizer que ele não faça nenhuma loucura, ele passa 4 anos jogando no PSG e fica livre para fazer o que quiser. Como vou imaginar que o clube vai recusar 100 milhões e ele vai recusar a parte que cabe a ele? Não tem como discutir".

Neymar melhor do mundo

"Para a FIFA ele tem que sair, para mim, não, de jeito nenhum. No Brasil se joga mais jogos difíceis por ano que nos campeonatos europeus. Claro que o time grande europeu está acima do time grande brasileiro, não discuto isso. Mas ao final do ano, você fez 30 jogos contra times grandes, e o cara lá fez 9, 12. Nós somos muito mais competitivos. Acho que o Neymar poderia ser o cara a quebrar o tabu, ser o melhor do mundo jogando no Brasil, porque esse menino é uma coisa que eu nunca vi. Tenho 34 anos e nunca vi, na minha vida, nada parecido. Ele é um ET. Romário e Ronaldo são monstros mas, com 20 anos, não faziam o que esse moleque faz. Ele dribla para os dois lados, chuta, cabeceia, se posiciona, é um marqueteiro do caralho, uma presença, um carisma desgraçado, resolve jogo sozinho. É um puta jogador, mas não adianta jogar tudo nas costas dele. Fui ver o Neymar algumas vezes em estádio e percebi o senso de colocação, o quanto ele procura o jogo. Nós estamos diante de um negócio que não sei o tamanho, mas é bom".

Ídolos brasileiros

"Ninguém supera o Pelé, porque ele foi o primeiro e ninguém tira isso. Sabe quando um piloto vai superar o Senna? Nunca, porque ele morreu na pista. Sabe quando um jogador do Flamengo vai ser melhor que o Zico? Nunca, porque ele foi o primeiro a ganhar tudo pelo Flamengo. Tem coisas que não têm dimensão, que são definitivas. Não é um numero que vai mudar. O Brasil não tem um ídolo de todo mundo. Em outros esportes não têm. No futebol tem ídolos de clubes, como o Rogério Ceni. Mas, no geral, acho que é isso mesmo, não tem. O Ronaldo parou e ficou só o Neymar de extraterrestre. O Ronaldinho joga para cacete mas é um mongol falando, ele não consegue desenvolver, não tem carisma. Isso é dele, não tem o dom da comunicação, então não vai se tornar um ídolo. Poderia, mas não vai".

Relação ídolos x torcedor brasileiro

"O brasileiro debocha demais dos ídolos. Em qualquer lugar do mundo o Zagallo seria Deus, aqui ele é piada. Brasileiro tem dificuldade de lidar com o sucesso alheio. Todo ator famoso é viado, toda atriz é puta. Jornalista tem uma dificuldade maior ainda. O jornalista é o cara que não conseguiu jogar bola.  Eu sou um frustrado, porque todo jornalista esportivo, em algum momento da vida, quis ser jogador e não conseguiu. Aquela dose de tentar diminuir o cara para colocar ele no seu patamar, é um mal do caralho. Se o jogador arrebenta, bate palma, não veja o porém. O Zagallo é um Deus do futebol. Você não gosta? Foda-se. Esse cara é tetracampeão do mundo pela Seleção, tem que bater palma de joelho para ele, é um ícone nacional. O Ronaldo é um fora de série e hoje neguinho lembra de travesti, não da recuperação, da Copa de 2002, do que ele representou economicamente para o futebol brasileiro com a vinda para o Corinthians. O Zico foi um monstro e as pessoas falam em pênalti perdido Foda-se o pênalti, tem que olhar o que o cara representou e representa para o futebol. Prefiro 10 Zicos perdendo pênalti, mas com a personalidade de entrar machucado e pedir para bater, do que 10 covardes. O que acontece no Brasil é uma inversão de valores".

sábado, 11 de agosto de 2012

Mentalidade dourada


O time não é bom, a geração tem carências, mas o problema é outro. A mentalidade.

Nos acostumamos a ver o futebol brasileiro sempre no topo. Somos os maiores campeões mundiais, já emplacamos vários craques como melhores do mundo e, alguns deles, mais de uma vez. Sempre fomos protagonistas, o modelo, o exemplo a ser seguido. Hoje, infelizmente, não somos mais. A realidade é essa, aceitemos ou não.

O problema é que nossa mentalidade, nossa cabeça, continua deixando o Brasil em primeiro, apesar dos olhos mostrarem outro panorama. É preciso perceber que, nessa Seleção Olímpica - praticamente a mesma da principal -, tivemos um jogador de exceção, que é Neymar. Outros são excelentes em suas posições, como Marcelo e Thiago Silva. O resto são apenas jovens buscando afirmação ou jogadores comuns que, por conta da nossa mentalidade, parecem ser superiores ao que realmente são.

O torcedor brasileiro nunca aceita uma derrota porque o adversário foi melhor. "O goleiro errou, o zagueiro falhou, nosso atacante perdeu os gols", vão dizer. E os méritos do adversário, onde ficam? Nossa mentalidade leva alguns a acreditarem que Neymar é o terceiro melhor jogador do mundo, quando ele está longe disso. É achar que Hulk, Damião, Rômulo, Sandro, Rafael, entre tantos outros, são melhores que os jogadores rivais, muitas vezes desconhecidos por nós.

Nossa mentalidade leva alguns a afirmarem que "nosso time é infinitamente superior". Poderia até ser verdade, desde que o Brasil tivesse massacrado o México na final e perdido por um infortúnio. Não foi o caso, como também não foi contra Honduras, quando passamos sufoco para conseguir a classificação. No jogo de hoje, levamos um nó tático, não conseguimos sair da marcação e neutralizar as jogadas rivais. Mesmo no segundo tempo, quando pressionou, o Brasil teve raras chances de gol. Mas na nossa mentalidade, eles não ganharam, nós é que perdemos. 

Essa mentalidade de eternos vitoriosos só atrapalha.

E o resultado do futebol brasileiro nas Olimpíadas é simples.

A medalha é de prata

Mas a mentalidade é de ouro.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A burra malandragem e o mau perdedor

Enquanto Neymar está caido, Sheik recebe o vermelho
Santos x Corinthians era um jogo muito esperado. Clássico de proporções nacionais, entre times do mesmo estado, em uma competição internacional. Muitos ingredientes interessantes. De um lado estava Neymar, o melhor jogador brasileiro em atividade. Do outro, o Corinthians, o time mais arrumado, eficiente, com o melhor conjunto (conjunto, não elenco), a melhor defesa da Libertadores, em suma, um time perigoso.

Aparentando cansaço devido a imensa quantidade de jogos que tem feito, Neymar não conseguiu realizar suas jogadas individuais e decidir o jogo. Ganso, longe das condições físicas ideais, tampouco conseguiu furar a boa marcação armada por Tite. O Corinthians entrou disposto a marcar e contra-atacar. Conseguiu os dois e saiu com a vitória por 1 a 0.

O que mais me chamou atenção foram dois fatos, cada um envolvendo um dos times. Vamos a eles.

Emerson Sheik é ótimo jogador. Veloz, driblador, boa finalização. Meteu um golaço no jogo de ontem. Mas, como muitos jogadores brasileiros, faz escolhas erradas em nome da estúpida malandragem que os nossos boleiros insistem em utilizar em campo. No segundo tempo, driblou o zagueiro santista e saiu na cara do gol. Ao invés de concluir, preferiu reduzir a passada para tentar cavar um pênalti, o que não conseguiu. Por que não chutou? Por que preferiu transferir a responsabilidade? Por medo de perder o gol? Não, a atitude foi em nome da malandragem. Não satisfeito, Sheik ainda foi pouco inteligente e aplicou um carrinho em Neymar no campo de ataque do Corinthians. Resultado? Expulsão e suspensão da próxima partida.

O fato que envolve o Santos foi após a partida. Com a inesperada derrota (duvido que algum santista esperasse o revés com Neymar em campo), o sempre tranquilo e sereno presidente do clube, Laor Oliveira, que costuma ter uma postura diferente de outros dirigentes brasileiros, resolveu mostrar a sua faceta de cartola pacheco. Bradou aos quatro ventos que há um complô entre Corinthians e CBF, já que alguns jogadores do Timão poderiam ser convocados para a seleção, assim como Neymar é. O presidente santista só esqueceu que os possíveis convocados do rival (Ralf e Paulinho) não têm idade olímpica, prioridade de Mano Menezes no momento.

Em uma competição internacional, segue assim o futebol nacional.

Nas mãos de maus perdedores.

E nos pés burros malandros.
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