terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Família Scolari - Parte II


Eis que temos a primeira versão da nova Família Scolari. Como toda lista de convocação, há os questionamentos, os elogios, o famoso "chamou fulano mas deixou sicrano de fora? Que absurdo!" entre outras demonstrações de contento ou pesar. Lembrando que a mudança de técnico também implica mudança de filosofia, conceitos, variação tática e, claro, jogadores. Afinal, cada um de nós tem as suas preferências e não poderia ser diferente com os técnicos. Sem enrolação, vamos aos nomes e o que penso sobre cada um deles fazer parte dos convocados para o amistoso contra a Inglaterra, dia 6 de fevereiro, em Wembley.

Goleiros

Diego Alves (Valencia) - Sempre gostei dele e continuo gostando. Precisa ter mais chances como titular. Pela idade, 27 anos, pode ser dono da vaga na Copa de 2018. Até lá, pegar experiência na Seleção é importante.

Julio Cesar (QPR) - Depois de um tempo no banco, voltou a figurar entre os titulares do clube inglês. O momento de Jefferson e Diego Cavalieri é melhor? Sim, mas vale lembrar que goleiro é posição de confiança e Felipão gosta muita de Julio Cesar. Em tempo: não é o caso agora, mas estando em forma, Julio Cesar é superior a todos os goleiros brasileiros.

Laterais

Adriano (Barcelona) - Reserva de Marcelo. Como o lateral do Real Madrid está machucado, nada mais natural do que ele continuar na lista. Nenhuma surpresa.

Daniel Alves (Barcelona) - Com o esquema do Barça nem sempre faz, efetivamente, a função de lateral. Mas o Brasil carece de jogadores tanto para o lado direito quanto esquerdo da defesa. Assim, é o nome mais indicado.

Filipi Luís (Atlético de Madrid) - Vem se destacando no futebol espanhol há um tempo. Adriano é o reserva imediato mas não é absoluto. Vale o teste.

Zagueiros

Dante (Bayern de Munique) - Confesso que não conheço. Mas as primeiras informações que obtive são positivas. Zagueiro de 28 anos, titular, foi escolhido o melhor da posição no Campeonato Alemão. Quer saber mais sobre o cabeludo Dante? Acesse o post do Pedro Venancio no Blog da Trivela clicando aqui.

David Luiz (Chelsea) - Natural estar na lista. Continua bem no Chelsea e ainda é novo, tem muito para evoluir.

Leandro Castán (Roma) - Saiu bem do Corinthians e segue bem na Roma, apesar de jogar muitas vezes improvisado na lateral-esquerda. Bom nome.

Miranda (Atlético de Madrid) - Titular do clube espanhol que no momento é o 2° colocado no campeonato nacional, atrás apenas do Barcelona. Isso não credencia ninguém, mas é um bom começo. Miranda é bom zagueiro mas não é midiático, fazendo com que muita gente não se lembre dele. Ótima novidade.

OBS: Thiago Silva, titular absoluto, está machucado.

Volantes

Arouca (Santos) - Já esteve em melhores fases, mas não chega a ser um nome contestável.

Hernanes (Lazio) - Vive seu melhor momento no clube italiano, sendo um dos líderes do time. Bola dentro de Felipão.

Paulinho (Corinthians) - Melhor volante brasileiro na atualidade. E isso basta.

Ramires (Chelsea) - Não pode ficar fora.

Meias

Oscar (Chelsea) - Por questões táticas, nem sempre é titular no clube inglês mas, sem dúvida, é o melhor jogador que temos na posição hoje, mesmo sendo um garoto.

Ronaldinho (Atlético Mineiro) - Se jogar como o meia-atacante do Galo, merece a vaga. Agora, se for o Ronaldinho desinteressado e displicente de Flamengo e Seleção Brasileira, não precisa ser chamado na próxima.

Atacantes

Fred (Fluminense) - Gastou a bola no Brasileirão 2012. Um dos melhores centroavantes do Brasil. Precisa corresponder na Seleção.

Hulk (Zenit) - Foi comprado pelo clube russo por pouco mais de 60 milhões de euros (!) e ainda não justificou o alto valor. Entrou em rota de colisão com o técnico da equipe e falou até em sair do clube. No lugar dele, eu convocaria Kaká, tendo, assim, mais uma opção para o meio.

Lucas (PSG) - Jovem, excelente jogador e muito para contribuir. Assim como nas convocações anteriores, merece.

Luis Fabiano (São Paulo) - Sabe fazer gols e foi muito importante na Era Dunga. Com a cabeça no lugar, pode contribuir bastante.

Neymar (Santos) - O nome já fala por si.

Comentários finais

Como colocado acima, gostaria de ver Kaká no lugar de Hulk, até pelo que ele apresentou nas últimas convocações de Mano Menezes. Tirando isso, não vejo muito o que questionar. Talvez a convocação de Julio Cesar mas, como disse, goleiro é posição de confiança, cada treinador tem o seu. No mais, acho que é uma convocação correta e coerente com o estilo de Felipão. São jogadores que ele conhece e confia e, apesar do envelhecimento do grupo, pode dar liga.

Lembrando também que essa é apenas a primeira convocação. Alguns vão sair e outros vão entrar até que se chegue no grupo considerado ideal pelo treinador. Fato mesmo é que, ao menos esse ano, os testes pelos quais a Seleção irá passar são duros. Além da Copa das Confederações, amistosos contra grandes equipes, como Itália, Argentina, Alemanha entre outras estão no calendário.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Com razão, sem coração


Fiquei por alguns segundos pensando em um jeito criativo para fazer o texto sobre a saída do Love. Não consegui imaginar nada além dos clichês mais batidos do mundo como "acabou o amor", "o amor se foi" e coisas afins. Depois pensei o porquê de não ter conseguido criar uma metáfora para essa situação e a conclusão a qual cheguei foi: Vagner Love não instiga minha criatividade e isso tem uma explicação.

Ele é apenas um bom jogador. Média 6, 7, e é isso. Assim mesmo. Objetivo, direto, frio. O agora ex-atacante do Flamengo faz bons jogos aqui e ali, mete uns gols, perde tantos outros e fim de papo. Boa parte da torcida não gostou da saída do jogador por dois motivos: ele é ídolo dos rubro-negros e, querendo ou não, foi aquele pequeno oásis de técnica em meio ao deserto rubro-negro durante todo o ano de 2012. A saída dele enfraquece o time? Sim, e muito. Mas, como dito acima, isso acontece simplesmente pelo fato do Flamengo ainda não ter jogadores, muito menos atacantes, que possam servir como referência dentro de campo.

O torcedor é imediatista. Obviamente os flamenguistas gostariam que a nova diretoria chegasse e montasse um elenco estelar, que brigasse por todos os títulos e pudesse ser campeão de tudo. Depois de um pífio 2012, ninguém quer mais um ano na seca. E a torcida tem razão, vencer campeonatos é a melhor coisa que tem. Mas a proposta dos novos diretores é outra. É vencer, mas a longo prazo. É fazer um clube forte que consiga se manter sempre no topo. Só que isso demanda tempo, e nem sempre o torcedor entende. 

Por que gastar um dinheiro que não tem, aumentar as dívidas e criar mais um problema, apenas para manter um jogador nota 7? Por que não se livrar dele, dos salários e da dívida com o clube russo, pensando em manter os salários dos outros jogadores em dia e dando credibilidade ao clube? A filosofia mudou. Passou do "não tenho dinheiro e compro mesmo assim" para "não tenho dinheiro e não vou comprar". Bola dentro da diretoria, que agiu com a razão e sem o coração.

Seja paciente, torcedor. São atitudes como essa, profissionais, que o Flamengo precisa para voltar a ser bem visto no mercado por empresas, jogadores, treinadores e todos aqueles que fazem parte do meio futebolístico. São atitudes assim que levam qualquer clube a sair de um momento ruim e tornar a ser grande. 

Quem quer ser campeão carioca todo ano e ganhar um título importante a cada 10, 20 anos, vai sentir falta de Vágner Love e criticar a postura da diretoria.

Quem espera um clube forte, capaz de atrair mais jogadores acima da média e que esteja no topo sempre, vai entender.

A saída de Vágner Love pode significar a perda do Cariocão 2013 ou a conquista de inúmeros troféus mais importantes daqui a alguns anos.

São duas possibilidades. Uma pequena tristeza momentânea ou imensas alegrias futuras. Só depende de como cada torcedor enxerga a questão.

E para não desperdiçar o clichê,

Acabou o amor.

Começou o profissionalismo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O "coadjuvante" Cristiano

Para usar esse terno, só sendo melhor do mundo 4 vezes
Lionel Messi foi eleito o melhor jogador do mundo pela quarta vez consecutiva e se tornou o maior vencedor do prêmio. Mas deixemos Messi de lado. Vamos falar do vice, ou melhor, tri-vice, Cristiano Ronaldo.

Ronaldo diz que não se importa, que o prêmio nem vale tanto assim. Mas para quem afirma que "humildade em demasia é defeito", o prêmio é relevante, sim. E talvez o português ganhasse essa eleição nas três vezes em que foi vice. Talvez... se Messi não existisse, fosse 10 anos mais novo ou mais velho, enfim, se de alguma forma o argentino não fizesse parte da mesma geração. Cristiano Ronaldo é craque, gênio, um jogador completo e, pelo que dizem aqueles que o conhecem, profissional ao extremo. Se dedica, treina, treina, treina e treina cada vez mais, sempre procurando ser o melhor.

Mas Messi está sempre ali para lhe roubar os tão desejados holofotes. Não roubar por completo, até pela timidez do jogador do Barcelona, mas sempre na hora mais importante. Se Ronaldo for o melhor do mundo, Messi tem que ser o melhor do universo, o que torna tudo até mais irônico. O fato de Cristiano ser tão bom, e mesmo assim não conseguir ser o melhor do mundo, faz de Messi um jogador ainda mais espetacular. O português está em um patamar que nenhum outro jogador está. É superior a todos, sem discussão. Mas Messi está sempre um degrau acima e, a julgar pela diferença de idade (CR7 é 3 anos mais velho que Messi), Ronaldo deve entrar na parte descendente da curva primeiro. 

O que resta ao craque do Real Madrid é fazer o que vem fazendo temporada após temporada: jogar bola, marcar gols e ser decisivo para o seu clube. Com sorte, a maré vira um pouco de lado e ele inverte, pelo menos por um ano, a ordem natural do futebol, assim como o Real fez ano passado ao bater o Barça no Campeonato Espanhol.

Caso não aconteça, paciência. Seu nome estará na galeria dos maiores craques da história do futebol de qualquer jeito. 

Sempre sendo lembrado como o "coadjuvante" de Messi, sempre lembrado como o perseguidor do Pulga. 

Um "coadjuvante" de luxo, que poderia ser o melhor do mundo, mas não é

Simplesmente porque compete com o dono dele.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

FMH Entrevista - Rica Perrone - Parte 2


Na continuação da entrevista, Rica fala sobre a simpatia pelo Flamengo, idolatria por Zico, Messi, Lucas, Neymar e muito, muito mais.

Confira abaixo os principais trechos:

Simpatia pelo Flamengo

"A culpa é do Zico. O Zico é meu ídolo. Eu sou
da geração das Copas de 86 e 82 e o 10 era o Zico. A molecada hoje não tem noção do que a Seleção representava. Em 82, 86 nós adorávamos a Seleção, a gente discutia a semana inteira e o Zico era o cara, era o salvador da pátria. Ai veio o lado do pai que eu tenho. Perguntei para ele por que o Zico jogava tanto e não jogava no São Paulo. Meu pai podia dizer qualquer coisa, mas me explicou sem ódio nenhum e eu olhei aquilo com simpatia. Então eu sempre quis ver jogo do Flamengo na TV porque queria ver meu ídolo jogar. A torcida do Flamengo é do cacete, sempre me encantei com a combinação Maracanã e torcida do Fla, sempre quis conhecer. Foi o time que me fez olhar futebol fora do meu time. E a torcida do Flamengo, queira ou não, me fez aqui no Rio. Eu era um jornalista de São Paulo, odiado pelos paulistas porque sempre falei bem dos times do Rio, mesmo sem ter público aqui. Até que o Flamengo teve aquela arrancada em 2007 e alguns flamenguistas começaram a ler e colocar no orkut. Ai comecei a ter publico aqui".

Futebol europeu

"Não tenho nada contra o futebol europeu, eu assisto, desde que sejam dois times grandes. Chelsea x Manchester é um jogo legal. Agora, não precisa terminar o jogo comemorando ou chorando pelo time, quem faz isso é idiota. Os caras não se importam, o site deles não é traduzido para o português e neguinho fica igual uma gazela gritando. Você pode gostar, mas não exagera. Eu torço para o Real Madrid, gosto do Real, mas não muda nada para mim se ele perde ou ganha. Ele não mexe com minha paixão, mexe com o meu lado de quem gosta de futebol. Não gosto daquela história de "aqui é assim, mas se fosse na Europa...". Lá também tem problema, xingam jogador de macaco, tem briga, invadem o campo, mas aí é perfeito. Aqui o cara joga um copinho de plástico e no dia seguinte tem uma coluna inteira no jornal falando disso. Isso me incomoda, essa mania que temos de ser colônia. Tem coisa na Europa que é melhor, mas tem coisa aqui que é melhor que o deles. O americano não faz isso com o esporte dele, o europeu também não, só a gente. Os caras lá fora cagam para a gente. E eu não dou moral para quem não me dá moral, é simples".

Messi

"O Messi é um puta jogador. Para mim, não é melhor que o Zico, nem chega perto, até porque ele tem só 25 anos, não seria justo. Se um dia for, de fato não vou assumir, isso não é piada. O Ronaldinho jogou mais bola, o momento dele no Barcelona era igual, por isso acho que é precipitado. Em algum momento o Messi vai cair e ai, como ele vai administrar esse momento, ninguém sabe. O Ronaldinho caiu, afundou. O Adriano caiu, afundou. O Messi pode estourar um joelho, tomara que não aconteça, mas pode, pode separar da mulher, jogador é influenciado pela vida pessoal. Nessas horas a gente vai saber se ele vai arrebentar ou vai afundar. Pode acontecer com o Neymar também, ninguém sabe. Quando o Ronaldinho jogava no Barcelona a gente jurava que estava diante do novo Pelé, e não estava. Agora é a mesma coisa".

Rivalidade com Argentina

"Eu não posso ser torcedor contra o Fluminense, contra o Vasco. O que me resta? O Brasil. E aí eu fomento para caralho, porque eu posso debochar, extravasar. Com a Seleção me sinto totalmente no direito de não gostar do argentino, e tentar colocar como uma coisa racional, ponderada, é uma burrice do caralho. Quero pegar a Itália, Argentina, eles são meus inimigos dentro do campo, fora do campo não tenho nada contra ninguém. Agora, o que pode ser melhor do que torcer contra a Argentina? Eles não ganham nada, os jornalistas que eu mais odeio gostam da Argentina, então é um prato cheio. Na medida que a Copa for chegando, as pessoas que dizem que não estão nem ai para a Seleção vão mudar de ideia. Hoje o torcedor não sente aquela relação apaixonada porque você não tem com quem discutir. Na Copa nós vamos ter, a gente vai ver o adversário e essa relação vai mudar".

Saída do Lucas

"100 milhões, cara. Não tem o que fazer, não dá para discutir. O que eu vou falar para o moleque? Não vai? Impossível. Vai jogar numa liga mais fraca, mas é um time grande, com jogadores muito famosos, um time que vai estar em evidência, está jogando a Champions League, o que vou falar? Vamos dizer que ele não faça nenhuma loucura, ele passa 4 anos jogando no PSG e fica livre para fazer o que quiser. Como vou imaginar que o clube vai recusar 100 milhões e ele vai recusar a parte que cabe a ele? Não tem como discutir".

Neymar melhor do mundo

"Para a FIFA ele tem que sair, para mim, não, de jeito nenhum. No Brasil se joga mais jogos difíceis por ano que nos campeonatos europeus. Claro que o time grande europeu está acima do time grande brasileiro, não discuto isso. Mas ao final do ano, você fez 30 jogos contra times grandes, e o cara lá fez 9, 12. Nós somos muito mais competitivos. Acho que o Neymar poderia ser o cara a quebrar o tabu, ser o melhor do mundo jogando no Brasil, porque esse menino é uma coisa que eu nunca vi. Tenho 34 anos e nunca vi, na minha vida, nada parecido. Ele é um ET. Romário e Ronaldo são monstros mas, com 20 anos, não faziam o que esse moleque faz. Ele dribla para os dois lados, chuta, cabeceia, se posiciona, é um marqueteiro do caralho, uma presença, um carisma desgraçado, resolve jogo sozinho. É um puta jogador, mas não adianta jogar tudo nas costas dele. Fui ver o Neymar algumas vezes em estádio e percebi o senso de colocação, o quanto ele procura o jogo. Nós estamos diante de um negócio que não sei o tamanho, mas é bom".

Ídolos brasileiros

"Ninguém supera o Pelé, porque ele foi o primeiro e ninguém tira isso. Sabe quando um piloto vai superar o Senna? Nunca, porque ele morreu na pista. Sabe quando um jogador do Flamengo vai ser melhor que o Zico? Nunca, porque ele foi o primeiro a ganhar tudo pelo Flamengo. Tem coisas que não têm dimensão, que são definitivas. Não é um numero que vai mudar. O Brasil não tem um ídolo de todo mundo. Em outros esportes não têm. No futebol tem ídolos de clubes, como o Rogério Ceni. Mas, no geral, acho que é isso mesmo, não tem. O Ronaldo parou e ficou só o Neymar de extraterrestre. O Ronaldinho joga para cacete mas é um mongol falando, ele não consegue desenvolver, não tem carisma. Isso é dele, não tem o dom da comunicação, então não vai se tornar um ídolo. Poderia, mas não vai".

Relação ídolos x torcedor brasileiro

"O brasileiro debocha demais dos ídolos. Em qualquer lugar do mundo o Zagallo seria Deus, aqui ele é piada. Brasileiro tem dificuldade de lidar com o sucesso alheio. Todo ator famoso é viado, toda atriz é puta. Jornalista tem uma dificuldade maior ainda. O jornalista é o cara que não conseguiu jogar bola.  Eu sou um frustrado, porque todo jornalista esportivo, em algum momento da vida, quis ser jogador e não conseguiu. Aquela dose de tentar diminuir o cara para colocar ele no seu patamar, é um mal do caralho. Se o jogador arrebenta, bate palma, não veja o porém. O Zagallo é um Deus do futebol. Você não gosta? Foda-se. Esse cara é tetracampeão do mundo pela Seleção, tem que bater palma de joelho para ele, é um ícone nacional. O Ronaldo é um fora de série e hoje neguinho lembra de travesti, não da recuperação, da Copa de 2002, do que ele representou economicamente para o futebol brasileiro com a vinda para o Corinthians. O Zico foi um monstro e as pessoas falam em pênalti perdido Foda-se o pênalti, tem que olhar o que o cara representou e representa para o futebol. Prefiro 10 Zicos perdendo pênalti, mas com a personalidade de entrar machucado e pedir para bater, do que 10 covardes. O que acontece no Brasil é uma inversão de valores".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FMH Entrevista - Rica Perrone - Parte 1


Ele jura que não, mas é um dos blogueiros mais reconhecidos do momento, principalmente entre o público jovem que utiliza redes sociais. As opiniões dele fogem ao senso comum e, muitas vezes, é tido como polêmico. Fã do futebol brasileiro, é um dos principais críticos a bajulação que fazem ao futebol europeu. Seus textos sempre veem o lado positivo dos jogos e times, valorizando todos eles, desde que façam parte do seleto grupo dos 12 grandes, como ele mesmo diz. Em 1h30 de entrevista - quase um bate-papo- concedida em sua própria casa no Rio de Janeiro, Rica Perrone não fugiu de nenhum assunto e foi o mesmo cara de sempre. Autêntico, direto e objetivo. Nessa primeira parte da entrevista ele falou sobre o novo programa na BEAT 98, amizades na imprensa, polêmicas com outros jornalistas, vantagens de ter um blog autônomo e muito mais. 

Confira abaixo os principais trechos:

Ter um rosto famoso

"Eu não gosto mesmo, não tenho paciência de estar no restaurante e neguinho ficar olhando para mim. Tenho muito amigo famoso e quando saio para almoçar com eles eu vejo os caras e não me sinto a vontade. Sei que as pessoas estão apontando, falando, eles sabem, estão acostumados, mas eu não sei se me acostumaria. Mas isso é muito menor aqui no Rio de Janeiro, talvez porque todo mundo famoso more aqui, então o carioca está acostumado. A minha proporção de fama também é ridícula, uma coisa é a internet, outra é televisão".

Programa na BEAT 98

"Eles abraçaram o programa (BEAT Bom de Bola), a equipe da rádio foi sensacional comigo, me tratam como se eu fosse da casa há 10 anos. Sou um paulista falando em uma rádio carioca e todos me abraçaram. Meu jeitão de fazer, de falar, encaixa muito mais aqui. Não é que o paulista não tenha senso de humor, mas ele cobra muito o resultado do jogo. Aqui no Rio tem resultado, mas tem todo o resto. O carioca gosta de se iludir com o futebol e é do cacete, porque o futebol é uma grande ilusão. Talvez por terem sido criados com Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, lendo isso, você tem uma forma de ver futebol, e o paulista nunca teve isso, nunca teve a forma lúdica. Como sou muito brincalhão, encaixo aqui, a BEAT é uma radio popular, o meu jeito encaixa na rádio também".

Respeito de todas as torcidas

"Primeiro que eu tenho muito respeito por todos os grandes e escrevo igual para todos. Não tiro a grandeza do Atlético-MG por que ele está 40 anos sem ganhar. Acho que Botafogo e Atlético vão voltar a ganhar tudo. Eu sigo uma linha, o torcedor até pode ficar irritado com a brincadeira, mas ele não pode dizer que eu desrespeito o time dele, só se for pequeno (risos). Se eu fosse torcedor do Guarani, da Ponte Preta, esses times pequenos, eu iria preferir um cara que tirasse sarro do meu time do que um hipócrita da TV que diz: "Me preocupa a defesa do Náutico, porque o Náutico está mal". Preocupa o quê, irmão? Os caras nem sabem quem joga na defesa do Náutico. Se o Náutico cair, vão dar graças a Deus porque um pequeno caiu. O Náutico só preocupa a torcida do Náutico. O São Paulo preocupa, por exemplo, a imprensa, a mídia, patrocinador, televisão, audiência. O Náutico, a Ponte Preta, eles não preocupam ninguém, isso é um fato. Então eu prefiro ser prático e dizer que o time dele não me preocupa em nada, que ele é insignificante para mim, do que ser hipócrita".

Abismo financeiro entre os clubes

"O futebol brasileiro chegou em um nível de grana, não tão forte quando os tops europeus, mas dos médios para cima, e se a grana é desse tamanho, a divisão é de acordo com o que você vende. Um time do Nordeste tem muito menos poder de compra e influência de pessoas com poder aquisitivo alto do que um time do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais ou Porto Alegre. Portanto, ele vai fazer o ano dele com 20 milhões e o time daqui vai fazer com 200, que foi o que o Corinthians operou ano passado. Não tem mais nenhuma possibilidade disso se juntar, não dá mais. Até por uma questão social, demográfica. Infelizmente os estados do Nordeste são mais pobres e os clubes de lá valem menos, eu lamento muito mas não tenho culpa disso".

Fama de polêmico

"Muito disso é por que alguns colegas da imprensa insinuam isso para me menosprezar. Para mim, existem várias formas de polêmica. Tem gente que olha para mim, falando palavrão, brincando e pensam que eu sou o novo Kajuru. Cara, eu nunca levei um processo, e não vou levar. Se levar, vou ganhar, porque nunca ofendi ninguém, acusei ninguém de nada, simplesmente levo o futebol na brincadeira. Minha linha é outra, eu quero saber de futebol, de bola no campo, quero que se foda o político. Vou ficar dando cartaz para esses caras? Tudo que eles querem é isso. Esse lado murcha a paixão do torcedor e eu preciso da paixão dele para vender, se eu fizer isso, sou burro. Eu sou polêmico por ser diferente, mas não sou irresponsável e isso é difícil de entender. Já ouvi isso de editor de site grande. Os caras me veem falando palavrão, de bermuda e chinelo e acham que eu vou escrever alguma merda a qualquer momento. Não vou. Eu sou muito mais inteligente do que parece no twitter, lá é um bonequinho, um personagem que as pessoas tem que odiar ou amar".

Blog na Globo.com x autonomia

"Na Globo eu não podia fazer um texto como fiz outro dia falando um foda-se. Eu sei que para um jornalista de um site grande, TV, rádio, não pode falar palavrão, eu entendo totalmente, porque nesses lugares não está te ouvindo ou vendo quem te procurou, tem gente que está ali por estar. Agora, o cara que vai no meu blog, ele sabe o que quer ler e o que vai encontrar lá. Não vou mudar isso, o palavrão é uma coisa que me libera. Durante o ano que passei lá, eu sabia que ia sair, então o que fiz foi usar ao máximo a Globo.com para me dar audiência. Eu sai de lá com o dobro de audiência que cheguei. Mas foi bom para mim e para eles, porque dei muita audiência no site também. Mas nunca ninguém me mandou tirar nada do ar, se eu falasse isso, seria injusto. A única vez foi quando o Poli (NR: Gustavo Poli, editor-chefe do GE.com), me chamou e falou para eu diminuir o palavrão, ai eu zerei, só falava um porra e um merda de vez em quando. A independência é diferente porque me permite falar no tom que eu quero".

Amizades na imprensa

"Lógico que dá para fazer amizade na imprensa, mas a questão não é essa. Posso dizer que tem muita gente na imprensa, que por eu fazer uma coisa diferente e funcionar, fica muito incomodada, então tenho meus amigos, as pessoas que me conhecem, pessoas que não gostam do que faço mas me respeitam, o que é totalmente diferente. Só que tem gente que não gosta e não respeita e fica dando indiretinha. E ai eu respondo com diretas. 99,9% dos casos, eu estou revidando. Nunca partiu de mim, nunca. Eu nunca abri minha boca para falar deles. Quando teve a campanha no twitter para o Ricardo Teixeira  sair da CBF eu estava conversando com o Tiago Leifert (NR: apresentador do Globo Esporte SP) dizendo que não cabia a jornalistas participarem do protesto, e sim divulgar. Ai começaram a jogar indiretinha pelo twitter, e desde então passei a tirar sarro desses caras. Se manda indiretinha, e eu sei que é para mim, não finjo que não é, vou lá e mando tomar no cú. Briguei umas 3 ou 4 vezes publicamente, mas nenhuma fui eu quem começou".

Divulgação dos times por parte dos jornalistas

"Eu respeito o cara que assume que tem um time mas diz que não vai divulgar. Acho ridículo quando um cara inventa um pequeno, e aqui, pelo amor de Deus, não me refiro ao Alex Escobar (NR: apresentador do Globo Esporte RJ), o Escobar é América mesmo, e fica carregando o time o resto da vida só para fazer média com todo mundo, ai não dá, acho uma baixaria do cacete, não gosto. Mas está na hora do torcedor amadurecer, da relação amadurecer, o torcedor tem que entender que o jornalista é um ser humano e o jornalista tem que entender que o torcedor é um ser irracional na hora do jogo Os dois lados têm que se entender. Não consigo acreditar que ainda tenha animal que pense em agredir jornalista por causa de time. O Neto é corintiano e ninguém agride o cara. O torcedor é ignorante e tal, mas é ignorante com o cara que é muito exagerado. Eu assumo o time, entendo quem não assume, mas têm uns caras que todo mundo sabe para quem torcem e eles negam. Aí eu acho que o cara está fazendo papel de bobo".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tudo azul no Flamengo

Eduardo Bandeira, Zico e integrantes da Chapa Azul
(Foto: O Dia Online)
2013 vai chegar e, com ele, chegará também um novo presidente no Flamengo. Eduardo Bandeira de Mello (Chapa Azul) foi escolhido pela maioria dos sócios e deixou para trás Patrícia Amorim (Chapa Amarela) e Jorge Rodrigues (Chapa Rosa).

O carro-chefe de Eduardo Bandeira e da Chapa Azul foi a palavra modernização. Modernizar o Flamengo com uma gestão profissional é o que propõe o novo presidente e seus pares. Alguns cargos já têm seus nomes definidos e o que se espera é um grau de competência maior na administração do Fla. Todos os indicados são empresários reconhecidos em suas áreas e, assim, parecem ser os mais capacitados para levantar um clube inundado em dívidas e sucessivas gestões calamitosas. Em um ano de tantas notícias negativas, soa até estranho a melhor delas ter vindo logo da política, que na Gávea, como todos sabem, é um mar de lama.

O torcedor precisa ser realista e manter os pés no chão. Não adianta enxergar o vencedor como um Messias, como o salvador da pátria que vai transformar o Flamengo no Barcelona, Real Madrid ou Manchester United. Isso foge à realidade. Eduardo vai errar e acertar em todos os setores, até porque vai pegar um clube que vem sendo maltratado nos últimos anos. O trabalho, por mais competente que todos sejam, vai ser duríssimo. Há muito o que arrumar, principalmente nas finanças e no futebol. Nem de longe é das tarefas mais fáceis.

Mas se o trabalho vai ser duro, pelo menos há uma esperança na renovação. Renovação de pensamento, de filosofia, de nomes, de conduta. Os anos passam e as pessoas que se perpetuam no Flamengo são sempre os mesmos. Sopros de um vento renovado podem fazer bem ao Mais Querido. Além da renovação, há uma esperança no renascimento rubro-negro, não apenas como time de futebol, mas também como instituição. A instituição Flamengo precisa mudar, evoluir, voltar a ser referência de coisas boas e não de chacotas intermináveis. Clubes grandes, independentemente de ser o Flamengo ou não, precisam estar bem, no topo. É salutar para o futebol brasileiro como um todo.

E a chance do rubro-negro se reerguer parece ter chegado. Pode dar certo ou errado. São possibilidades que sempre vão existir.

Só o fato de tentar uma mudança já é altamente positivo.

Se vai funcionar, só o tempo dirá.

Uma coisa é inegável.

O céu vermelho e preto, que andou tão cinza em 2012, mudou de cor.

Agora tem uma pincelada de azul.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Carta aberta ao Palmeiras


É, Palmeiras, o que fizeram contigo...

Tantas e tantas glórias passadas, ídolos eternos, boas histórias para contar... e um presente de se envergonhar. Mas a culpa não é sua, Palestra, não. A culpa é deles. Senhores engravatados fingindo saberem de tudo quando não sabem de nada. E daqueles outros também, que usam suas cores e seu nome mas, na verdade, só querem balbúrdia e algazarra, brigas e violência, ameaças a dirigentes, jogadores e torcedores de verdade. Os culpados são todos eles, que não sabem te valorizar, não sabem cuidar, não sabem incentivar nem torcer, mas sabem destruir.

E como eles destruíram você, não é? O alviverde não é mais tão imponente assim e a torcida não canta nem vibra como antes. Você sabia o que vinha pela frente, como bem diz o hino, mas agora não sabe mais. Tudo é incerteza, como uma cortina de fumaça que chega trazendo com ela intermináveis interrogações. No fim das contas, quem sofre é você, quem paga é você... e os seus fiéis seguidores, amantes verdadeiros, que não pensariam duas vezes antes de gastar o último centavo do mês para lhe dar um buquê de rosas. Ah, os amantes à moda antiga. Se você só vivesse deles, Palmeiras, estaria em melhores mãos.

Mas não está. Hoje quem te conduz são interesseiros. Os senhores que nada entendem de amor, futebol e tradição, e também os machões, que sugam a sua alma, sua vida, em prol de camisas que carregam pouco Palestra e muitas manchas. E o que pode você fazer? Nada. Nada. Nada. Quando você depende de outros para evitar um vexame, quando depende de outros para evitar uma vergonha em sua história, esse é o sinal mais claro do poço de decadência que te colocaram. A situação chegou a tal ponto, que teve um tal de Clóvis Rossi dizendo que não te quer mais e que a culpa é sua. Que desfaçatez!

Mas não se preocupe, Palmeiras. Ainda há salvação, sempre há. Os bons, os verdadeiros, os heróis da sua história, que já foram tantos em várias épocas, chegarão de novo e te colocarão de volta no seu lugar. E não me refiro apenas ao primeiro escalão do futebol brasileiro. Me refiro também ao manejo, ao cavalheirismo, ao trato repleto de romantismo que os atuais responsáveis não sabem te dar. Os torcedores reais, aqueles que riem, pulam, cantam e comemoram as vitórias, que caem, choram, sofrem e sentem a derrota, te abraçarão. E vão exibir orgulhosos, seja hoje, amanhã ou depois, a sua camisa, sua verdadeira camisa, para mostrar ao mundo quem é o alviverde imponente. 

Assim, Palmeiras, eles vão mostrar também

Quem é de fato o Campeão.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cores quentes, frias e um tricolor campeão


No universo das artes existem cores quentes e frias. E elas não são flexíveis, não mudam de lado ao bel prazer do artista. Cor quente é cor quente, cor fria é cor fria. As quentes são vermelha, amarela e laranja, enquanto as frias são verde, azul e violeta. Branco e preto são cores neutras. Deixemos a aula de artes de lado e passemos ao campo de jogo.

Se o futebol tem a mania de subverter a ordem natural da vida em diversas situações, o Fluminense fez o mesmo com a regra das cores para ser o Campeão Brasileiro de 2012. Misturou as três cores que traduzem tradição (licença poética do autor para substituir o vermelho pelo grená), cada qual pertencente a um grupo, e criou um ser híbrido. Um time quente e frio ao mesmo tempo (grená e verde), além de ser neutro (branco), chegando a fingir certo desinteresse em alguns momentos das partidas. 

E a equipe só conseguiu atingir, digamos, esses estados térmicos, graças a alguns jogadores específicos. Diego Cavalieri e Gum, provavelmente os melhores goleiro e zagueiro do Brasileirão, respectivamente, abusaram da frieza ao defender o Flu tantas e tantas vezes. Assim como Deco e Jean, que comandaram o meio-campo tricolor com maestria e eficiência tática em muitas oportunidades. No extremo oposto, Fred e Wellington Nem esquentaram as defesas adversárias. O jovem atacante infernizou zagueiros, volantes e laterais com seus dribles rápidos, condução de bola veloz e até passes para gols, sendo extremamente importante na proposta tática do Fluminense, que era contra-atacar.

O que falar de Fred? Fred foi o mais puro vermelho, ou grená, no sistema de cores do Flu. A cor mais vibrante, mais explosiva, a cor quente mais importante. O centroavante já marcou 19 gols no campeonato e é o artilheiro isolado da competição. Foi decisivo para que o time das Laranjeiras conquistasse 31 dos 76 pontos que tem até o momento, ou seja, em jogos que o Flu empatou ou venceu por um gol de diferença, Fred marcou. O único que parece não enxergar que Fred está pegando fogo é Mano Menezes, que insiste em não convocá-lo para a Seleção Brasileira.

Além desses jogadores, outras peças foram fundamentais para o Tetracampeonato do Fluminense. No sistema de cores, eles seriam as quentes e frias secundárias. Thiago Neves, Carlinhos, Rafael Sóbis, Edinho, Samuel, Leandro Euzébio... em um jogo ou outro esses jogadores acabaram sendo os destaques, mas nada que alterasse o protagonismo dos citados anteriormente.

No Brasileirão 2012, temos um Tetracampeão. Um tetra em três cores.

E se são frias, quentes ou neutras, no fim das contas, tanto faz.

O que importa é que o verde, o grená e o branco são as cores campeãs.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não basta ser Imperador

(Foto: Ivo González)
Adriano vai parar de jogar futebol ou não? Talvez isso nem importe mais.

Adriano tem um talento indiscutível, que o levou a jogar no futebol europeu, ser ídolo na Inter de Milão, se tornar Imperador. Também conseguiu disputar uma Copa do Mundo, ser campeão da Copa América e da Copa das Confederações pelo Brasil sendo decisivo nos dois torneios. Em 2009, voltou para o clube que o revelou, o Flamengo, para ajudar o time a ser Campeão Brasileiro e sair da fila após 17 anos. Adriano fez tudo isso mesmo envolvido com polêmicas, bebidas alcoólicas, depressão, amigos traficantes, fotos comprometedoras, festinhas com anões e jumentos e muito, muito mais.

Por algum motivo, todas as coisas boas ficaram para trás, mas as ruins... Desde 2010, o Imperador só convive com lesões, mudanças de um clube para o outro, tentativas e mais tentativas de recuperação. Há quem acredite, entre dirigentes e torcedores, que Adriano ainda é solução. Mas, faça-se a pergunta. Como resolver os seus problemas com alguém que não consegue resolver a própria vida? Adriano simplesmente é incapaz, hoje, de ser um atleta. É incapaz de levar uma vida normal. Mas como é jogador de futebol e jogadores de futebol costumam ser elevados a deuses e ter os seus pecados perdoados, ele continua por aí, aprontando das suas, pedindo desculpas e novas oportunidades.

O maior problema é que o Imperador é uma criança grande. E uma criança grande com muito dinheiro e súditos. Consegue o que quer, a hora que quer, do jeito que quer e tem os seus fiéis seguidores para aplaudir tudo o que faz. Enquanto brinca de ser jogador e leva a sério a vida de boêmio inveterado, Adriano vai afundando em um lamaçal que parece, cada vez mais, sem fundo. Um dia, talvez realmente acorde e perceba onde está enfiando não somente a carreira, como também a própria vida.

Quem torce para que Adriano volte a jogar, seja rubro-negro ou não, deveria mudar o foco. A torcida precisa ser pelo ser humano, não pelo jogador. Adriano, como muitos brasileiros, tem os seus problemas e precisa cuidar deles. Mas o status, a condição financeira, os "amigos" e, talvez, até a profissão, o façam pensar que sairá dessa a qualquer hora. Mas nunca funcionou assim com ninguém, e duvido que algum dia funcionará com qualquer indivíduo.

Mesmo que ele seja um Imperador.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pontos de Vista


O resultado de um jogo pode ser analisado de diferentes formas. Vai depender de que lado está e quais são os interesses de quem estiver fazendo a análise. Altético-MG 1 x 1 Flamengo pode ter três avaliações diferentes. Uma de atleticanos, outra de flamenguistas e, ainda uma terceira, dos tricolores.

Para o Atlético o resultado foi péssimo. Jogando em casa, estádio lotado, torcida fazendo pressão contra o adversário, que tinha um time inferior, e ainda teve um jogador a mais durante todo o segundo tempo. Sem conseguir furar a retranca armada pelo Flamengo na base da técnica, os mineiros partiram para o abafa. Até conseguiram o empate, mas nada além disso. A sorte também não ajudou, já que Jô e Ronaldinho carimbaram a trave. Pensando em título, ficou muito difícil. Faltam cinco rodadas para o fim e a diferença é de 8 pontos para o Fluminense. O que fica é a boa campanha e a vaga na Libertadores, a não ser que aconteça uma catástrofe.

Para o Flamengo o resultado foi bom. Se considerarmos as circunstâncias do jogo, ótimo. Atuando fora de casa, contra uma equipe melhor e tendo que se superar para vencer. Como em todo o campeonato, o time não jogou bem, não teve um bom padrão de jogo, mas se fechou corretamente, correu e marcou. Passou o segundo tempo todo com 10 jogadores depois da expulsão de Wellinton Silva, o que chamou ainda mais o Atlético para o seu campo. Contou com a sorte e arrancou um empate, que o afastou mais um pouco da zona de rebaixamento. Deve consolidar a permanência na Série A nas próximas rodadas e terminar 2012 planejando 2013. Mais um ano assim, totalmente desorganizado dentro e fora de campo, pode ser fatal.

O Fluminense, que não entrou em campo, também gostou do resultado. Viu o Atlético mais longe da briga pelo título e agora está em uma posição mais confortável na tabela. E, pensando na rivalidade, ainda pode torcer para o rebaixamento dos rubro-negros que, apesar de difícil, seria um bônus junto ao título que se encaminha para as Laranjeiras.

No futebol é assim. O jogo é um só

Mas as visões são diferentes.
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