quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pensando como grande

(Foto: Cristiano Andujar / Lancenet)
Uma das melhores maneiras de se formar um elenco é mesclando experiência e juventude. Os mais novos dão aquele gás e os mais velhos cadenciam. Os mais novos correm, os mais velhos freiam a correria. Os mais novos ficam ansiosos, os mais velhos tranquilizam. No fim, com a técnica dos dois lados, as coisas costumam dar certo.

Peguemos dois exemplos, as duas extremidades mais atenuantes dessa fórmula no elenco do Botafogo. Seedorf de um lado e o recém-chegado Bruno Mendes do outro. Seedorf é consagrado, jogador refinado dentro e fora dos campos. Trata a bola como a mãe mais carinhosa trata um filho. Pega, bota no colo e cuida bem. Seedorf, depois de tudo que conquistou, é sinônimo de grandeza. Assim como o Botafogo e sua bonita história. O holandês é o retrato do novo pensamento que está criando raízes em General Severiano. "Somos grandes, por que não podemos ser maiores ainda?". É assim, e tem que ser assim.

Enquanto Seedorf e Botafogo escreviam os capítulos mais recentes de suas histórias, Bruno Mendes dava os seus primeiro rabiscos no mundo da bola. Revelado pelo Guarani, comparado a Careca, o menino de cabelos encaracolados ainda tinha muito a percorrer para se tornar um grande jogador. Vai ser Romário, Ronaldo? Não sei. Mas parece querer. O primeiro passo foi dado. Saiu de um clube que já teve os seus momentos de glória, para chegar a outro que está tentando voltar ao caminho dos títulos. Assim como precisa de Seedorf, o Botafogo precisa de Bruno Mendes. Que precisa do Botafogo. Uma troca mútua de favores.

Bruno Mendes significa renovação. Significa olhar para a juventude como quem vê ali uma nova estrada rumo ao topo. Bruno Mendes é a mudança que o Botafogo deseja para si mesmo. Ter um jogador com fome de vitória e sede de títulos é fundamental. Ele vai crescer e carregar aqueles que estiverem ao seu lado. E para o jovem atacante, o Botafogo é a grandeza que ele precisa para aparecer, evoluir, e se tornar, quem sabe, um novo Careca, Romário ou Ronaldo. 

Que Bruno Mendes e Seedorf sejam a personificação dos novos pensamentos do Glorioso.

Que eles signifiquem renovação, grandeza e vontade de crescer ainda mais.

Afinal, para ser grande, não basta estar no meio deles.

É preciso pensar como um.

domingo, 21 de outubro de 2012

Correu... e venceu


O Flamengo voltou a vencer, para alívio da torcida rubro-negra, depois de cinco jogos.

Sem ser brilhante, sem a qualidade que os torcedores gostariam de ver, mas com muita vontade. E é assim que tem que ser. Quem briga para não cair, precisa jogar dessa forma, mais na raça, na força, do que no jeito. Também não adianta cobrar mais nada a essa altura do campeonato. Nem esquema tático perfeito, nem futebol bonito, nem melhores jogadores e, talvez, nem coerência, que tem faltado, e muito, a Dorival. A hora é de ganhar, do jeito que der.

E foi exatamente isso que o Flamengo fez. Correu, marcou, se aplicou, teve Felipe pegando pênalti e conseguiu a vitória na cabeçada de González, que resolveu marcar o seu primeiro gol pelo rubro-negro na melhor hora possível. A vitória em si, até certo ponto, foi inesperada. O São Paulo vinha de quatro vitórias seguidas, melhorou muito nessa reta final de campeonato e era ligeiramente favorito. Mas futebol não é ciência exata, para alegria da Nação.

O risco ainda existe? Sim. O time ainda está mal? Sim. Mas não deve cair e está se esforçando e correndo para evitar isso. Em uma rodada onde os rivais diretos na briga pelo rebaixamento venceram, a vitória ganhou um peso maior. Agora, faltando seis rodadas, é hora de pensar nos jogos mais importantes, contra Figueirense e Palmeiras, ambos em casa. Vencendo os dois, o Flamengo se livra de vez, mesmo se perder todos as outras partidas.

Bom mesmo nessa reta final é ver a boa fase de Felipe, as ótimas partidas que Renato Santos tem feito e a afirmação de Wellinton Silva como titular da lateral-direita. É pouco, mas não deixa de ser um pingo de alegria para quem teve, e ainda está tendo, um ano tão difícil como a torcida do Fla.

E se está sendo complicado, o alívio deve chegar em breve.

Basta que corram e vençam

Como fizeram hoje.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Em busca do recorde


Poderia ter sido uma rodada melhor? Sim. Mas foi ruim? Não. O que mudou? Nada.

O Fluminense até poderia ter saído com a vitória e aumentado ainda mais a diferença, que continua de nove (Atlético-MG) e onze (Grêmio) pontos. Isso basicamente sacramentaria o título tricolor, visto que ainda há 21 pontos em disputa. Como vacilou e cedeu o empate com um jogador a mais, nada mudou. A diferença para o segundo e terceiro colocados continua a mesma.

Se alguém ainda duvida do título, são os próprios tricolores. E, diga-se, os mais pessimistas ou falsos modestos. No fundo no fundo, todo mundo sabe que esse campeonato já acabou. Pelo menos no que tange à disputa pelo primeiro lugar. Só resta saber quando e onde o Flu vai definir de vez o Brasileirão 2012.

Mais interessante do que saber que o Flu vai ser campeão, só pensar no recorde que a eficiência deste assombroso time tricolor pode bater. No formato atual, ou seja, pontos corridos disputados por 20 clubes, o maior número de pontos foi do São Paulo de 2006, anotando 71 ao fim da competição. O Fluminense versão 2012 já tem 69 e ainda faltam sete rodadas. A possibilidade de o tricolor ser campeão com um número muito superior de pontos é imensa. 

Se ganhar apenas mais quatro jogos, o que é perfeitamente possível para este time, o Flu chegará a 81 pontos. Uma campanha realmente espetacular. Mesmo que não faça todos esses pontos, o tricolor deve ultrapassar a marca do São Paulo e fazer uma campanha de entrar para a história.

Se alguns ainda duvidam do título do Fluminense, tudo bem.

Mas a situação é bem simples.

É tudo uma questão de tempo

E de correr atrás de um recorde.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Pistoleiro


Os duelos no faroeste eram simples. Dois pistoleiros, cada um de um lado, frente a frente, com suas armas no coldre, esperando o exato momento de sacar e disparar. Nos duelos, não bastava ser rápido. Era necessário velocidade e precisão.

Assim também é o futebol. Vejam só o Campeonato Brasileiro. São dois times representando o papel dos pistoleiros. Um para cada lado, munidos com suas armas e colocando a vida em jogo. Para viver, e sobreviver, cada time tem que ser melhor que o seu adversário e fim de papo. Neste duelo de vida ou morte, é importante atacar, mas também defender. Se um pistoleiro  encurrala o outro e começa a disparar, este precisa se esquivar, se esconder, e pode até contar com a ajuda de um colete à prova de balas reforçado.

Mas quando consegue escapar, a resposta deve ser dada de forma mortal, tão fatal quanto a picada de uma cobra venenosa que atrai a presa para a armadilha e espera o exato momento de dar o bote traiçoeiro. E é assim que tem sido com o Fluminense. É atacado, bombardeado, fuzilado, mas nunca atingido. Quando reage, é assustador. Preciso e veloz, não deixa brecha para que a vítima da vez tenha tempo de correr, se esconder ou se defender. É avassalador, seco. Mira, dispara, mata.

Não importa o tamanho do rival, sua fama ou suas habilidades. O Fluminense é o pistoleiro mais cruel do Brasileirão 2012. O terror do faroeste. Mata sem pena, sem dó. À medida que o tempo passa, vai eliminando todos os outros pistoleiros. Alguns, creio eu, se pudessem escolher, jamais gostariam de cruzar o seu caminho, pois, sabem, o destino será um só.

Neste faroeste moderno, onde as pernas e cabeças dos jogadores são armas, o Fluminense é quem conta com o melhor arsenal. Forte na defesa, veloz e mortal no ataque.

No duelo de vida ou morte que são os jogos do Campeonato Brasileiro, só um pistoleiro pode ficar vivo.

E que as vítimas estejam preparadas para morrer.

Porque o Fluminense está sempre preparado para matar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Futebol, Sonhos e Ignorância

A jovem torcedora sendo cercada por torcedores do Coxa
O futebol é um esporte passional. E a paixão, como sabemos, engloba ódio e amor ao mesmo tempo. Se você ama o Flamengo, precisa odiar o Vasco. Se ama o Palmeiras, precisa odiar o Corinthians. Se ama o Inter, precisa odiar o Grêmio e assim por diante, não importando a região, estado, cidade ou se o clube é grande ou pequeno. No futebol, na maioria das vezes, a razão é goleada pela paixão.

No último domingo, essa paixão levou alguns torcedores a reprimirem o sonho de uma criança (veja aqui). Milena tem apenas 13 anos e é torcedora do Coritiba. No fim do jogo entre Coritiba e São Paulo, a menina quis realizar um sonho. Pegar uma camisa de Lucas, meia do São Paulo e da Seleção Brasileira, portanto, um ídolo de dimensões nacionais. Idolatria não veste camisa, não tem cor, não tem hino. Um ídolo é alguém que você admira, que te inspira de alguma forma, alguém que você gosta. Simples assim.

Mas idolatrar um jogador de outro time, sonhar em ter a camisa dele e pedi-la, pode ser um gesto ofensivo para alguns pseudo-torcedores. Por tentar fazer o sonho virar realidade, Milena foi xingada, quase agredida e teve que devolver a camisa que havia conseguido. Não bastasse a selvageria dos que estavam presentes, tem sido comum ver a atitude deles aprovada por outros torcedores nas redes sociais, principalmente no Twitter. 

A imbecilidade aconteceu no Couto Pereira, mas poderia ter acontecido no Engenhão, no Independência, no Olímpico, no Morumbi, não importa. Poderia ter acontecido também em solos europeus, é verdade. Mas a discussão não é mais sobre a atitude de torcedores de um clube específico. A discussão gira em torno do ser humano. Quando uma criança é ameaçada, xingada, simplesmente por ter um ídolo que não seja do time para o qual ela torce, estamos perto do fim. Isso significa que a ignorância está vencendo, que a paixão por um esporte pode ser capaz de destruir até a ingenuidade de uma criança.

Quando esse tipo de pessoa começa a dominar os estádios, os bons e os verdadeiros torcedores acabam se afastando, tudo em nome da própria segurança. 

Se o sonho de uma criança vira um pesadelo, alguma coisa está errada.

Poderia ser o time A, B, C ou D. O problema não é a cor da camisa

E sim quem está embaixo dela.

domingo, 30 de setembro de 2012

A vitória da liberdade


O Fla-Flu foi um jogo bem movimentado. Chances para os dois lados, pênalti perdido pelo Flamengo, bolas na trave do Fluminense, golaço de Fred - mais um - e bons motivos para os dois lados comemorarem.

Os rubro-negros podem ficar felizes porque começam a ver um time dentro de campo. Organizado, aplicado, raçudo. O esquema, com dois volantes, dois meias e dois atacantes de ofício, tem dado certo e é a hora de Dorival não mudar mais. Que mudem as peças, não a formação. Comparando os elencos, obviamente o Fluminense era considerado favorito. Mas foi o Flamengo quem dominou o jogo, teve mais posse de bola. 

As oportunidades mais claras foram de Cléber Santana, que isolou uma chance quase embaixo da trave, Bottinelli, que perdeu um pênalti, e Nixon, que acertou bonita cabeçada para defesa de Cavalieri. O Flamengo ainda briga para não cair, mas o panorama mudou. Nos 3 últimos jogos, contra os 3 primeiros colocados, fez partidas convincentes, que indicam um caminho menos complicado na luta contra o rebaixamento.

Para o Fluminense, o resultado é o que importa. E é isso que deve valer até o fim do campeonato. Jogar mal tem sido uma regra, assim como vencer. Hoje, mais uma vez, foi o que aconteceu. O Flu jogou atrás, explorou os contra-ataques e decidiu o jogo na liberdade e no talento. Thiago Neves, autor de duas bolas na trave em cobranças de falta, rolou para Deco, completamente sozinho, cruzar para Fred. O artilheiro do brasileiro apareceu livre, como se não precisasse ser marcado, e fez o que sabe de melhor. Gol. Golaço. 

Depois, foi a vez de Cavalieri ser o Fred da defesa. Pegou pênalti e cabeçada à queima-roupa. Apesar de jogar mal, o Flu é líder, tem o artilheiro do campeonato, melhor ataque, melhor defesa. Não tem como discutir. É o melhor time do campeonato. Pode não ser o que joga mais bonito, mas certamente é o mais eficiente.

Diante dos fatos, só uma catástrofe será capaz de tirar o título do Flu nas 11 rodadas que restam.

A 6 pontos do segundo colocado, o tricolor continua cada vez mais líder.

E se Deco e Fred tiveram liberdade no lance do gol,

O Fluminense tem liberdade em sua estrada.

Basta olhar para frente.

Afinal, não há ninguém para atrapalhar a vista.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

FMH Entrevista - Ibson

(Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia)

Ele chegou ao Flamengo aos nove anos de idade. Passou por todas as categorias de base do clube até se tornar profissional, em 2003. Em 2004, conquistou o primeiro título com a camisa do clube. Depois, saiu para o futebol europeu e retornou em 2007 para participar de uma das arrancadas mais impressionantes do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, fazia parte do grupo melancolicamente eliminado da Libertadores pelo América do México. Agora, aos 28 anos, ele voltou à Gávea para jogar no clube que ama. Na entrevista abaixo, Ibson Barreto da Silva, o Ibson, fala das alegrias e tristezas no Flamengo, da passagem pelo futebol europeu, de jogar ao lado de Neymar e garante que o Flamengo não será rebaixado. Confira.

Futebol e Mau Humor: Você chegou ao Flamengo aos 9 anos, cresceu no clube, se profissionalizou, saiu e, hoje, está de volta. Como é a sua relação com o clube e com a torcida?

Ibson: Minha relação com o clube e com a torcida é ótima. O Flamengo é a minha casa, onde fui criado e cresci como homem e atleta. Para jogar aqui é preciso amar o clube e por isso que eu voltei.
  
FMH: Você teve uma passagem pelo futebol europeu atuando no Porto e no Spartak Moscou. Em ambos os clubes, retornou ao Brasil por empréstimo, uma vez para o Flamengo e, outra, para o Santos. O que faltou para você se firmar na Europa?

Ibson: Realizei o sonho de todo atleta que é atuar na Europa, fui bicampeão português, da taça e supercopa de Portugal. Infelizmente sofri duas lesões graves e nesse meio tempo houve uma troca no comando da equipe e acabei perdendo espaço. Na Rússia eu vivi dois anos incríveis e optei por voltar ao Brasil porque morávamos em um condomínio onde havia vários jogadores brasileiros e, aos poucos, eles foram retornando ao Brasil. Aí decidi que também era a hora de voltar.
  
FMH: Em 2007 você voltou, o Fábio Luciano foi contratado e o Flamengo deu aquela incrível arrancada no Brasileirão. Acha que ali foi a melhor fase da sua carreira?

Ibson: Acredito que sim. Foi um ano muito marcante onde puder reencontrar o meu melhor futebol após a primeira passagem no futebol europeu. O Flamengo estava nas últimas posições e conseguimos a classificação para a Libertadores e ainda conquistei o prêmio de melhor meia direita do Brasileirão.  

FMH: Já em 2008, o Flamengo teve um capítulo triste em sua história. A derrota para o América do México pela Taça Libertadores. Quando acabou aquele jogo, como você se sentiu, qual foi a sua primeira reação?

Ibson: Parecia que estava vivendo um pesadelo, foi uma grande decepção, na verdade um vexame muito grande, comparado a perda do título da Copa do Brasil, em 2004. Acho que nos deixamos levar pelo clima de festa pelo título carioca e pela vitória no primeiro jogo fora de casa, entramos desligados e infelizmente fomos eliminados.

FMH: Dos títulos que você ganhou no Flamengo, qual foi o mais importante e por quê?

Ibson: Acho que o Carioca de 2004 foi o mais marcante. Como citado anteriormente, cheguei ao clube aos nove anos, minha infância e adolescência foram no clube, então este título coroou todo esforço, foi a realização de um sonho, meu primeiro título profissional.

FMH: Qual o jogo inesquecível da sua carreira?

Ibson: Foram vários jogos importantes, mas a estréia no profissional com vitória sobre o nosso maior rival (Vasco) foi muito marcante.

FMH : No Santos você atuou ao lado do Neymar e trabalhou com o Muricy. Como foi poder atuar com o melhor jogador do Brasil? E o Muricy, ele é realmente um técnico diferenciado?

Ibson: Construímos uma amizade muito boa, ele é um jogador fora de série, tranquilo e muito humilde. O Muricy é um grande treinador e os títulos conquistados nos últimos anos demonstram isso.
  
FMH: Agora você retornou ao Flamengo e o clube não passa por um bom momento, tanto dentro quanto fora dos campos. O que está faltando para o time encaixar uma série de vitórias e subir na tabela?

Ibson: Acho que não é o momento de procurar culpados, precisamos dividir as responsabilidades entre todos do elenco. O Flamengo está vivo, fizemos alguns bons jogos, porém pecamos por erros nossos. Estamos todos juntos, no mesmo barco e a tendência é conseguir emplacar uma sequência positiva para subir na tabela.
  
FMH: Você mesmo não vem em boa fase. O que está faltando para render aquilo que a torcida espera de você?

Ibson: Estava atuando fora de posição e isso me prejudicava. Consegui emplacar uma sequência boa de jogos e espero crescer ainda mais nessa reta final.

FMH : A possibilidade do rebaixamento está assustando os jogadores?

Ibson: É um momento delicado, uma possibilidade que assusta, mas o momento é de dar apoio a todos. A equipe já melhorou, já mudou de atitude e essa fase já está passando. O Flamengo não será rebaixado.

FMH: Deixe um recado para a torcida do Flamengo.

Ibson: Deixei o Santos para ajudar esse clube que está no coração de todos nós. O Flamengo sempre foi raça, vontade e coração na ponta da chuteira. Precisamos do apoio da nossa torcida para sair desse momento delicado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Um jogo, seis pontos


Depois de sete jogos sem vitória, o que mais importava para o Flamengo era vencer e não convencer. Ainda mais fazendo um jogo de seis pontos, contra um time que também está brigando contra o rebaixamento. E foi isso que aconteceu. O rubro-negro carioca venceu o rubro-negro goiano por 2 a 1.

Apesar de fazer um jogo ruim, repleto de erros, o rubro-negro conseguiu sair com a vitória. 

Vitória que foi alcançada graças aos gols do estreante Cléber Santana e de Liédson. Mas o resultado não deixa de escancarar os equívocos da equipe da Gávea. O Atlético Goianiense é um time fraco e, mesmo assim, o Flamengo passou sufoco. 

Ramon continua sendo uma avenida pela esquerda. Não apoia e não marca e, no jogo de hoje, ainda vacilou no lance do gol adversário. Um desastre completo. Luiz Antônio e Ibson parecem disputar para ver quem está na pior fase. Hoje Luiz Antônio ganhou fácil, fácil. Cléber Santana fez uma boa estreia, mas ainda precisa achar o seu posicionamento em campo. Julgar Adryan pelo jogo de hoje soa, no mínimo, pouco racional, já que ele foi criado como armador e foi escalado como atacante, posição onde, obviamente, não se dá bem. 

O ponto positivo que pode ser tirado do jogo de hoje é que Wellinton Silva mostrou ser um lateral superior a Ramon e Léo Moura. Apoiou muito bem (inclusive no fim do jogo, quando criou algumas jogadas) e não deixou espaços na marcação. Diferentemente do camisa 2 do Fla, corre, vai à linha de fundo, cruza, enfim, tenta jogar. No próximo jogo, Dorival terá a volta de Léo. Resta saber se deixará Wellinton na lateral ou não.

Por fim, Vágner Love. Correu, se esforçou e até jogou bem, mas a má fase parece não querer abandoná-lo pela segunda vez neste campeonato. Deu as duas assistências para os gols do Flamengo, mas, no fim, quase pôs tudo a perder. Cobrou muito mal o penalti sofrido por Bottinelli e ainda perdeu um gol em cima da linha, após boa jogada de Wellinton Silva. 

Com erros, mudanças e jogadores em má fase, o Flamengo capenga no campeonato.

Mas, no jogo de seis pontos, fez o que tinha de fazer.

Venceu.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Devolvam o meu futebol

Edmundo rebola na frente de Gonçalves e provoca
o zagueiro alvinegro
Devolvam o meu futebol, pois roubaram ele de mim.

O meu futebol era o verdadeiro futebol arte, folclórico, moleque. Tinha malandragem na medida certa. Nos tempos em que reinava o meu futebol, reinavam também a alegria e as brincadeiras sadias entre rivais. Adversários, inimigos dentro de campo, cúmplices de gozações fora dele. O vencedor pegava no pé do amigo, derrotado, que daria o troco dias depois, quando os papéis se invertessem. Tudo na paz, na amizade, na boa, tudo dentro do espírito esportivo.

No meu futebol os jogadores eram espertos, malandros, mas na medida certa. Hoje, cada contato é um mergulho, a busca sórdida por uma falta, um pênalti, um cartão para o adversário. E ai dele, do jogador rival, se resolver provocar jogadores e torcedores que estão defendendo as outras cores envolvidas na disputa. "É desrespeito, é absurdo, é um abuso, não pode, quebra ele!", vão gritar os arquibaldos. E os adversários vão quebrar, vão meter o dedo na cara, vão mostrar que são machos. Até a semana seguinte, quando os machos do último jogo serão os engraçadinhos da vez. No meu futebol o Romarinho podia correr na direção da torcida adversária, mostrar o escudo do seu time, fazer gesto pedindo silêncio, podia, enfim, sacanear. Assim como faziam Renato Gaúcho, Romário, Edmundo, Edílson e tantos outros. E o assunto acabava ali, dentro das quatro linhas. Quem foi sacaneado hoje, sacaneava amanhã.

Hoje, meu futebol foi roubado. Se o goleiro mata a bola no peito, leva pito do atacante. Coitado do Heguita e do Jorge Campos, mestres na arte de fazer gracinhas embaixo da trave, se agarrassem nos tempos atuais. Se o atacante comemora um gol de forma diferente, ironizando o rival, leva amarelo, o jogador adversário vem tirar satisfação e o pau quebra. Isso quando não aparece um tal de STJD para te suspender por dar um simples beijo no escudo do Botafogo querendo provocar o Flamengo, não é, Loco Abreu? Fora a violência descabida, desmedida, de torcidas organizadas, que matam, brigam, assustam e ameaçam torcedores de bem, jogadores e dirigentes.

O futebol atual está invertendo valores. O que deveria ser uma diversão, motivo de conversa animada, está virando guerra. Malandro não é o cara que sabe zoar ou ser zoado, é aquele que tira vantagem em cima do outro que, automaticamente, vira otário. O futebol virou o palco dos atores, todos vilões, que tentam se dar bem em cima dos rivais.

O futebol perdeu aquilo que tinha de melhor. A brincadeira sadia dentro e fora dos campos, a risada, a gargalhada amiga.

Devolvam o meu futebol, pois roubaram ele de mim.

E colocaram essa merda no lugar.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quando correr é mais importante

Ramon ergue Adryan para comemorar o gol do meia
Tem horas que o suor é mais importante que o talento. Talvez seja por esse ponto de vista que o time do Flamengo deva se guiar daqui para frente. Está faltando talento ao time, então, tem que sobrar suor, transpiração.

A camisa 10, tão essencial em qualquer equipe, simplesmente não existe no Flamengo. Nenhum jogador foi contratado para a posição e quem foi criado assim na base, como Adryan, acaba sendo deslocado para o ataque. Aqueles que um dia foram solução, hoje são problemas. Léo Moura não joga bem na lateral desde o ano passado e, como ficou provado hoje, também não deve jogar bem no meio. Ibson tão pouco vem rendendo o que a torcida espera dele. Luiz Antônio caiu de rendimento e Cáceres dá a impressão de estar no mesmo caminho dos companheiros. Liédson parece estar sem sorte e Love entrou de novo naquela fase em que a bola não entra.

Não bastasse tudo isso, Dorival troca de escalação como quem troca de camisa. Cada rodada é uma diferente, todas sem o sucesso esperado. Ao técnico, tem faltado coerência. Talvez seja hora de escolher um time, uma formação e insistir com eles. Pelo que parece, a equipe do segundo tempo, com dois atacantes e Adryan jogando mais atrás, é a ideal. Adryan, inclusive, marcou um gol de falta que até lembrou o mais famoso camisa 10 rubro-negro, Zico.

Com todos esses problemas, o Flamengo ainda conseguiu empatar com o bom time do Grêmio comandado por Vanderlei Luxemburgo. E empatou porque correu, correu, correu e suou. Transpirou e mostrou vontade. A faixa da torcida que explicitava o sentimento de indignação de cada torcedor se transformou em confiança e apoio ao fim do cotejo. Hino sendo cantado nas arquibancadas e músicas de incentivo na saída do estádio.

Quando o talento e a técnica não estão funcionando, é preciso achar outra forma de buscar os resultados.

Se não vai na criação, vai na transpiração.

Assim, a torcida volta a confiar.
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