quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tragédia anunciada

Ronaldinho está fora do Flamengo. O que isso significa?

É preciso muita calma para analisar todo este caso. Então, vamos lá.

A contratação começou errada. O irmão-empresário-mercenário de Ronaldinho, Assis, fez um leilão entre Flamengo, Grêmio e Palmeiras. Um se esforçando para ser mais patético que o outro. O Flamengo venceu a disputa e levou o jogador. Com salário milionário de 1,2 milhão divididos entre o clube e a parceira na negociação, Traffic, que arcava com a maior parte (1 milhão). O camisa 10 chegou, subiu ao palco e declarou: "Flamengo é Flamengo". Alguns, tolos, acreditaram nas palavras de quem um dia havia dito ser gremista de coração. Ronaldinho passou o Grêmio para trás e, depois, o PSG.

Nos meses que se seguiram, uma eliminação no Copa do Brasil, um título Carioca invicto, algumas boas partidas no Brasileirão e...polêmicas com Luxemburgo. Com notícias e mais notícias dando conta do impecável desempenho do "craque" nas noites cariocas, a torcida chegou a criar o "Disque-Dentuço", um serviço que pretendia informar onde ele estava para que a torcida fosse atrás.

Na virada do ano, com erros aqui e ali no contrato com a Traffic, eu falei que seria o melhor momento para sair dessa furada e mandar ele embora. Era simples. "Não tenho esse dinheiro para te pagar. Você está livre e pode procurar outro clube". Um abraço. Sem dor, sem choro, sem problema nenhum para ambas as partes, que sairiam por cima. Melhor assumir que não tem dinheiro do que ficar arrotando caviar enquanto come carne de segunda.

Mas não. "Flamengo é Flamengo". Patrícia Amorim bateu no peito e falou que pagava quando todo mundo sabia que não pagaria (leia post do blog sobre o assunto aqui). A esperança era usar a imagem do menino tímido, sem personalidade, incapaz de falar por si mesmo, para angariar um patrocínio e utilizar esse dinheiro, de forma errada, para pagar o jogador. O problema é que Ronaldinho só traz ônus. A imagem dele não é atrativa para investidores. Avesso às entrevistas, pouco futebol dentro de campo, festeiro nato, quem vai associar o seu produto a ele? Ninguém. Adriano e Ronaldo, mesmo com mil problemas, são completamente diferentes de RG 10.

Depois de bater de frente com o jogador, Luxa caiu. O recado do Dentuço era claro. "Quem manda aqui sou eu". O problema é que muita gente acreditou, principalmente a presidente, que se tornou refém do jogador. Joel chegou e o panorama foi o mesmo. Ausências em treinos por motivos variados, pouco futebol em campo, gols de pênaltis e noitadas. O que fez essa situação estourar? Três fatores fundamentais.

A chegada de Zinho, que soube peitar as atitudes do jogador de forma correta e limpa. A malandragem de Joel para expôr e cobrar o camisa 10 pela imprensa, sempre tomando o cuidado de elogiá-lo. E, por incrível que pareça, a postura da torcida, que mudou de um tempo para cá e começou a pegar no pé do jogador. Há informações de que Ronaldinho estava temendo pela própria integridade física. Balela de alguém que escolheu um clube para passar férias até se tornar um problema para ele.

Agora, a dupla dinâmica entra com uma ação judicial no valor de R$ 40 milhões (com todo direito, diga-se) e pede a rescisão do contrato. Pobre de quem acreditou em um ex-jogador em atividade. Que seja esse valor ou não, Ronaldinho vai mamar nas tetas do Flamengo por muitos anos, podem apostar. O clube ainda vai pagar essa dívida durante muito tempo, e vai pagar por ser comandado, mais uma vez, por dirigentes amadores e despreparados. A instituição virou uma terra sem lei. Todos fazem o que querem, a hora que querem. É o império da bagunça. Ao torcedor, resta lamentar. Sim, lamentar. Todos queriam a saída do jogador e ela aconteceu. Mas da forma como o caso foi conduzido desde o começo, quem sai por baixo é o Flamengo, que tem sua imagem arranhada de novo e vai pagar uma nova dívida milionária. Contratou uma furada, não pagou e agora é chacota na praça.

Parabéns, Patrícia. Você contratou o pior custo-benefício da história do Flamengo.

A frase do camisa 10 serve bem a calhar.

Flamengo é Flamengo.

A vergonha nacional.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Enfim, renovação

Foto: Agência Reuters
Parece que a tão falada e cobrada renovação da Seleção Brasileira começa a funcionar na era Mano Menezes. Deu gosto de ver o jogo contra os EUA (4 a 1). Seleção leve, tocando a bola, jogando com calma, três atacantes, marcação pressão. Muito do que se vê no futebol moderno.

Pensando nos Jogos Olímpicos, o técnico entrou em campo com um time jovem. Rafael, Danilo, Juan, Sandro, Rômulo, Oscar, Neymar e Damião. Todos com idade para ir aos jogos de Londres. Além deles, Thiago Silva, Marcelo e Hulk completaram o time que jogou como há muito não se via. Claro que precisamos ver essa garotada contra equipes mais gabaritadas, mas a impressão que fica é boa. Ao que tudo indica, a Seleção Olímpica estará muito forte, podendo render frutos à principal.

Vamos por partes.

Rafael deve ser o goleiro da Olimpíada. Mas está longe de ser da equipe principal. É comum. Eu gostaria de ver o Diego Alves, goleiro do Valência, sendo testado. Hoje, Jefferson é titular.

As laterais têm donos. Daniel Alves na direita, Marcelo na esquerda. Danilo destoou do resto do time contra os EUA. Marcelo, pelo contrário, foi o melhor em campo ao lado de Oscar. Marcou e atacou com muita eficiência. As temporadas no Real Madri sendo treinado por Mourinho parecem estar elevando o nível do lateral revelado pelo Fluminense.

Thiago Silva reina absoluto na zaga. David Luiz é ótimo, mas Dedé é melhor. Ambos não foram convocados e o jovem Juan fez boa partida, apesar de algumas falhas, que são compreensíveis, visto que ele fez apenas uma partida na última temporada pela Inter de Milão. Os três primeiros são nomes certos na Copa de 2014. A quarta vaga está aberta.

Na contenção, Sandro e Rômulo me agradam muito. Marcam e jogam, assim como Casemiro, reserva imediato. Lucas, do Liverpool, pode completar esse quarteto de volantes sem problemas. Ainda temos Ramires, que fez ótima temporada no Chelsea.

Na frente sobra qualidade. Ganso, Oscar, Giuliano, Lucas, todos ótimos jogadores. Ganso precisa se livrar das lesões. Oscar começa a pegar gosto pela camisa 10 da Seleção. O que fez contra os EUA foi sacanagem. Criou, errou apenas um passe o jogo todo, deu opções, roubou bolas, fez o diabo. Os outros dois precisam amadurecer. Kaká pode voltar, mas precisa fazer temporadas regulares até lá. Ronaldinho? Por favor, né...

O ataque é forte e pode se tornar ainda mais. Neymar dispensa comentários. Hulk parece realmente ser um bom valor, mas precisa provar isso com o tempo. Damião está fora de tom na Seleção. Se não jogar, vai ser mais um daqueles famosos casos de ser "jogador de clube". Para completar esse ataque temos opções interessantes, que podem variar até a Copa. Fred, Love, Jonas e Pato podem ser as opções do momento. Os dois primeiros eu gostaria de ver sendo convocados novamente. 

Lembrando que, até lá, outros talentos podem aparecer.

Por ora, o Brasil começa a deixar de lado os antigos jogadores e investir na molecada. De forma correta, com calma. Mano Menezes começa a acertar a mão e os jogadores a corresponder. Perto do que tínhamos há pouco tempo, já é um grande avanço.

A renovação está começando a dar certo, só não vê quem não quer.

O primeiro passo foi dado.

Basta seguir em frente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pitacos do Brasileirão: os jogos dos cariocas

Terminada a segunda rodada do Campeonato Brasileiro, hora de analisar os jogos dos quatro clubes cariocas no  fim de semana.

Flamengo 3 x 3 Internacional

Ronaldinho deixa o campo enquanto é xingado pela torcida
Falar do Flamengo anda se tornando mais do mesmo. Joel consegue a proeza de jogar com quatro volantes e sofrer três gols. No primeiro e no terceiro, onde estava um dos quatro para fazer a cobertura? Um time sem criatividade, bagunçado, sem padrão tático, que não conseguiu sustentar uma vantagem de dois gols diante de um adversário desfalcado de seus principais jogadores. Ficou nítida também a postura de Joel perante Ronaldinho. Se Luxa bateu de frente, o atual técnico prefere usar a malandragem. Ao tirar o camisa 10, Joel sabia que tipo de manifestação a torcida teria. Ronaldinho saiu hostilizado e a situação deve piorar. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.





Portuguesa 0 x 1 Vasco

Alecsandro no momento do chute de bicicleta
Sem Juninho, sem Felipe, sem Dedé. Sem seus três principais jogadores, o Vasco se recuperou da eliminação para o Corinthians pela Libertadores. Em um jogo morno, venceu a Portuguesa com um gol de bicicleta marcado por Alecsandro, uma verdadeira pintura. Depois de perder um gol inacreditável na competição continental, Diego Souza saiu vaiado ao ser substituído por Carlos Alberto. Mesmo pressionada no segundo tempo (foram 17 finalizações da Lusa durante o jogo), a equipe de Cristóvão confirmou a vitória. Diante de um adversário frágil, o Vasco fez a sua obrigação. E é isso que interessa nesse começo de campeonato, marcar pontos e acumular gordura. Os cruzmaltinos vêm fazendo o seu papel e esses resultados podem fazer diferença lá na frente. 





Coritiba 2 x 3 Botafogo

Lucas: herói alvinegro no Couto Pereira
Depois do vice carioca e de uma melancólica eliminação na Copa do Brasil, parece que o Botafogo vai voltando aos trilhos. Bater o Coritiba no Couto Pereira é tarefa para poucos, tanto que a equipe paranaense vinha de uma invencibilidade de 28 jogos. Com direito a virada e dois gols de Lucas, aquele mesmo, expulso duas vezes seguidas contra Fluminense e Vitória, respectivamente. Como redenção, foram dos pés do lateral que saíram dois gols alvinegros, o que, obviamente, ajudou a sacramentar a vitória. Outros destaques da equipe de Oswaldo de Oliveira foram Herrera e Vitor Júnior. Com seis pontos conquistados em cima de dois adversários complicados, o Botafogo lidera a competição. Início animador. A torcida espera que continue assim.



Fluminense 2 x 2 Figueirense

Jogadores do Fluminense comemoram o gol de Wágner
(Foto: Bruno Lima / Lancenet)
O resultado poderia ser considerado ruim. Mas diante das circunstâncias, foi ótimo. Com nove desfalques (quase um time inteiro!) e uma expulsão ainda na primeira etapa, o empate com a equipe catarinense ficou de bom tamanho para o tricolor. Além disso, um alento. Wágner fez seu primeiro gol e sua primeira boa partida com a camisa verde, branca e, agora, mais grená. Se era importante vencer para levantar a moral dos jogadores depois da traumática eliminação na Libertadores, o jogo serviu para observar alguns garotos e dar mais confiança a Wágner e Marcos Júnior (autor de uma assistência e do outro gol). Como disse em outras oportunidades, o elenco do Flu é muito forte e acho que isso ficou evidenciado hoje. Se o departamento médico permanecer vazio, é sério candidato ao título.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Dois sonhos, uma realidade

Uma noite, dois jogos, dois times cariocas. E o mesmo final infeliz.

Essa foi a quarta-feira que envolveu Fluminense e Vasco. Jogos diferentes, finais idênticos.

Foto: AP
O Fluminense foi superior ao Boca Juniors no Engenhão. Mas não transformou a superioridade em gols, apesar de ter aberto o placar logo cedo em um gol de falta de Tiago Carleto (exatamente como havia sonhado o pai do jogador). Falei durante a semana para alguns amigos que o Boca se classificaria pelo simples fato de não ter levado gol em casa. Mas, com requintes de crueldade, o castigo dos tricolores chegou aos 45 minutos do segundo tempo. Uma bola vadia, um passe de Riquelme, bola na trave, Cavalieri salvando e... gol de Santiago Silva. Sem Fred e Deco, o time de Abel Braga perde demais, tanto no meio quanto na frente. Se não são ruins, os reservas imediatos também não são do quilate dos titulares. Wagner está muito mal e Rafael Moura não fez boa partida. Além disso, Thiago Neves não correspondeu o que era esperado depois do alto investimento feito. Classificado ou não, os torcedores podem ter certeza que têm um belo time e um belo elenco, que será muito favorito ao Brasileirão, ainda mais levando a sério desde o começo. O Fluminense não precisa buscar vilões ou motivos para a eliminação. Simplesmente não deu. Faz parte. Vida que segue.

Foto: Ari Ferreira / Lancenet
O Vasco não levou gol em casa. Mas também não fez. Foi ao Pacaembu como o Boca, esperando uma bola vadia. Enfrentou o Corinthians de igual para igual. Jogo amarrado, pegado, brigado, com os dois times marcando melhor do que atacando. O Corinthians não é um time brilhante, mas é incrivelmente eficiente. Único invicto na Libertadores, com dez jogos feitos e só dois gols sofridos. Melhor marca da competição desde 1960. Sim, um absurdo. O Vasco também é carne de pescoço, adversário duro de ser batido. Tanto que fez gol em todos os jogos da temporada... até enfrentar o Corinthians. Na hora mais importante do ano, a bola não quis entrar. Lembram daquela tão falada bola vadia? Ela caiu nos pés de Diego Souza. O camisa 10 vascaíno carregou, carregou, carregou e... perdeu o gol que o atormentará o resto do ano. Como castigo, um gol aos 43 minutos do segundo tempo. Assim como o Flu, o Vasco tem um time pronto. Se o elenco não é tão completo, pode vir a ser com três contratações pontuais. Chegar forte no Brasileirão é mais do que possível. Lembrando também que Dedé foi um sério desfalque na fase final.

Após as eliminações, é natural que as duas torcidas se apeguem ao "se". Se aquela bola entrasse, se o Diego Souza driblasse o goleiro, se o juiz não anulasse o gol, se o juiz desse o penalti, se o Deco não tivesse se machucado, se o Dedé estivesse em campo, se o Prass pegasse aquela bola, se o Cristóvão tivesse feito aquela substituição, se o Riquelme errasse aquele passe. Os detalhes sempre serão lembrados, principalmente em jogos assim. O "se" não faz parte do futebol. Os fatos sim.

E os fatos, amigos, são cruéis.

Acabou a Libertadores. Que venha o Brasileirão.

Fim dos sonhos.

Hora de voltar à realidade.

domingo, 20 de maio de 2012

Chega de conversa

Depois de um mês inteirinho sem jogar, o Flamengo voltou a campo no sábado, contra o Sport, na Ilha do Retiro. Mostrou à torcida que realmente passou um mês de férias. Afinal, o que o time apresentou na partida de ontem foi para deixar o torcedor desanimado. Após o jogo, Joel Santana disse que precisa de mais tempo para acertar a equipe. Como?!?! Mais de três meses no comando, com direito a pré-temporada forçada, e o técnico diz que precisa de mais tempo? Só pode ser piada.

Quem acompanhou o noticiário durante a semana viu os jogadores rubro-negros dando declarações que iriam começar vencendo, que o time ia se empenhar, que estavam comprometidos. Pura conversinha fiada. Na hora que a bola rolou, o que se viu foi um time preguiçoso, sem criatividade nenhuma, desorganizado taticamente (Bottinelli estava dando carrinho na entrada da área e cobrindo Magal), cometendo os mesmos erros de antes.

Agora, vamos analisar alguns casos específicos. Wellinton deu uma entrevista durante a pausa forçada alegando que era perseguido pela torcida e pela imprensa. Ontem, mostrou que precisa dar razão a quem o "persegue". Quase que o Sport fez dois gols em lambanças dele. Rômulo é uma grande interrogação que só Joel pode responder. Não aparece o ano todo e, do nada, entra como titular. Deivid sempre entra bem e bota a cara para bater nas entrevistas. Precisa jogar e é um exemplo a ser seguido. Alguns jogadores não estão em boa fase, mas acho que isso é mais um reflexo da equipe do que culpa deles. Casos de Léo Moura, Bottinelli, Luiz Antônio e González. Outros dois personagens merecem reflexões à parte.

Paulo Victor não pode ser reserva de jeito nenhum. Felipe é um bom goleiro, mas não está em melhor forma técnica do que o garoto. Além disso, seria excelente saída para um clube com problemas financeiros se livrar do jogador, que possui alto salário, e ainda fazer caixa em um empréstimo ou venda. O Flamengo não foi goleado ontem porque PV não permitiu. Principalmente no primeiro tempo, quando fez pelo menos quatro defesas salvadoras. Vale ressaltar também, que Paulo Victor não deu rebotes nos pés dos atacantes adversários (um erro sempre cometido por Felipe). Ele não está imune às falhas e, claro, vai errar em algum momento. Mas, se permanecer atuando, vai adquirir experiência e pode se tornar um grande goleiro.

E Ronaldinho? Ah, o "craque" de 1,2 milhão! Chegou para treinar sob efeitos de álcool durante a semana, deve ter passado o período de "férias" na farra e não jogou nada, como sempre. Apático, preguiçoso, alheio ao que acontecia em campo. Sua postura continua a mesma de outrora. Se esconde do jogo sempre que possível. Quando aparece, é para errar, reclamar do juiz, ou comemorar o gol, geralmente feito em jogada dos companheiros. Ontem, se não fosse o bom passe de Kléberson (um dos volantes) para Love, o Flamengo sairia derrotado. Depender e confiar em Ronaldinho é dar um tiro no pé. Mas quem tem moral para tirar o "presidente" do clube do time titular? Ninguém. O jogador assumiu o comando e trata a instituição como bem entende, sempre tendo o saco puxado por Patricia Amorim.

Nessa levada, parece que o ano na Gávea será longo. Mas, quando forem mais uma vez criticados, dirigentes, técnico e jogadores vão dar as caras com entrevistas cheias de esperança, vontade, comprometimento, falando bom futebol, entre outras baboseiras.

Esse é o Flamengo, o clube do blá blá blá.

Parem com o papo furado e joguem futebol.

A torcida agradece.

sábado, 19 de maio de 2012

Os dois gigantes de Londres

Jogadores do Chelsea comemoram o inédito título
(Foto: AFP)
Bayern e Chelsea mereceram chegar à final da Champions League. Mas até os 35 minutos do segundo tempo não faziam um jogo que justificasse esse merecimento. Muito em parte por culpa do Chelsea, que poderia jogar de igual para igual mas se negava a fazer isso. Apostou no mesmo esquema adotado contra o Barcelona: retranca e contra-ataque. A primeira etapa era concluída com sucesso e a marcação funcionava. Enquanto isso, os contra-ataques não conseguiam ser encaixados. 

Superior em todo o primeiro tempo, o Bayern chutou muito. O problema era a pontaria descalibrada de todos os jogadores bávaros. No segundo tempo, o panorama seguiu o mesmo. Até surgir Thomas Müller e sua cabeçada de manual. Testada firme, para o chão. 1 a 0 Bayern. Faltando 10 minutos para acabar, era de se esperar que o Chelsea viesse com tudo para cima. Se não saiu naquela pressão desenfreada em busca do empate, saiu com precisão cirúrgica. No primeiro escanteio a seu favor durante todo o jogo, Drogba subiu e praticamente deu um chute com a cabeça. Outra testada firme e empate do Chelsea no fim do jogo.

Com o início da prorrogação, era de se esperar que o Chelsea se animasse e o Bayern arrefecesse o ataque. A torcida alemã era maioria esmagadora (já que a decisão foi realizada no estádio do clube alemão), mas sentiu o baque e não apoiava como deveria. Isso ficou evidente no penalti infantilmente cometido por Drogba. A torcida comemorou, mas se calou em seguida, mostrando toda a apreensão que pairava sobre a Allianz Arena. O silêncio sepulcral que se instalou parecia até um aviso. Robben bateu e Cech pegou.

Muito se falou nos dois goleiros no pré-jogo. Manuel Neuer (1,93m) e Peter Cech (1,97) são dois gigantes. Tanto em estatura, quanto em qualidade. Voltando aos gols que ambos sofreram, dá para dizer que eram bolas defensáveis. Mas não dá para dizer que foram falhas. Resumindo: com bola rolando, nenhum dos dois fez defesas absurdas, Cech pegou um penalti e ambos tomaram gols parecidos.

Eis que o jogo vai para os penaltis. As duas torcidas têm um bom motivo para torcer e comemorar: os tão citados goleiros. Ambos os times possuíam bons batedores, mas o cansaço, o respeito aos goleiros e o lado piscológico poderiam ser fatores decisivos para os dois lados. Na história recente, alento para os alemães, temor para os ingleses. Em 2001, o Bayern foi campeão nos penaltis. Em 2008, o Chelsea foi vice.

Nas cobranças, Neuer cresceu na frente de Mata. Peter Cech na de Olic e Schweinsteiger. Drogba, o herói dos 90 minutos, o gigante do Chelsea que fica no outro extremo do campo, fez a última cobrança e levou o Chelsea ao seu primeiro título de Champions League.

Os Blues nunca foram favoritos nessa Champions. Principalmente contra Barcelona e Bayern. Mas foram campeões.

Com a ajuda de dois monstros, entram no hall de grandes clubes europeus, com o título máximo do continente.

Para começar a ser um gigante europeu, o Chelsea contou com dois dentro de campo.

Os dois gigantes de Londres.

Drogba na frente, Peter Cech atrás.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Outra pedra no caminho

Com Abel ao fundo, Mouche comemora o gol do Boca
Podem falar o que quiser desse time do Boca. É fraco, o pior em muito tempo, o que for. Mas é preciso respeitar. Tem camisa, tem tradição, é cascudo e tem Riquelme, que se não é o mesmo de outrora, ainda contribui muito para o desempenho da equipe.

Carlinhos foi merecidamente expulso, Abel mexeu mal (era para sair o Wagner), Diego Cavalieri foi o herói da noite e, como sempre, o juiz foi o vilão. Ô mania chata dos times e torcedores brasileiros sempre colocarem a culpa na arbitragem. Teve penalti não marcado a favor do Flu? Teve e não teve. A regra é escrota e permite interpretações. O zagueiro do Boca não teve intenção de colocar a mão na bola (estava de costas e nem viu o lance). Mas, querendo ou não, interferiu na trajetória da bola. Se a regra fosse realmente clara, não caberia essa dubiedade no lance.

Mas, como sempre faço questão de dizer, é muito fácil colocar a culpa no juiz ao invés de olhar para o próprio umbigo. Carlinhos errou e mereceu ser expulso. Com um a menos, lógico que a pressão aumentaria e segurar o jogo seria complicado. Tudo bem que depois o Boca baixou a porrada, desceu a lenha nos tricolores sem que recebessem os merecidos cartões, mas se ater a essas miudezas é de uma escrotidão que eu não me conformo. Tem que parar com essa transferência de responsabilidade. Não deu o penalti? Joga bola e mete gol, melhor resposta não há. Time brasileiro entra em campo sempre olhando torto para o juiz. Qualquer coisa é motivo para dizer: "a culpa é dele!". Tem que entrar pensando em jogar bola, afinal, sabe fazer isso muito bem.

O resultado foi ruim porque, além de sair derrotado, óbvio, o Fluminense não conseguiu marcar um gol sequer fora de casa. Se tomar no Engenhão, pode complicar. Os desfalques foram preponderantes no placar. Sem Fred, Deco, Nem, Diguinho e Valencia, o Flu perde muito. Por sorte tinha Cavalieri em um dia inspirado, fazendo defesas salvadoras. Para o jogo da volta, vai ser necessário atacar com prudência. Um olho na frente e outro atrás. Sem perder a cabeça, sem vacilar, e sem entrar em campo preocupado em reclamar da arbitragem. Libertadores é assim, sempre foi e sempre vai ser. Pode ter razão em reclamar? Pode. Mas adianta? Não. Então esquece e bola para frente.

Semana que vem, é jogo nervoso na certa. Jogo para ser jogado com vontade, com garra, mas também com a cabeça. O Fluminense é melhor time e pode se classificar. Se alguns dos lesionados voltarem, melhor ainda, as chances aumentam. Mas o Boca é cobra criada e pode fazer esse sonho virar um grande pesadelo. 

Como disse em outro post, são muitas pedras no caminho.

E o Boca é aquela que está fincada no chão.

Para tirar, não dá para usar somente a força.

Também precisa de inteligência.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nada mais do que o normal

O que se pensava sobre Vasco x Corinthians?

Foto: André Portugal / Lancenet
Que seria um jogo duro, difícil para ambas as partes, um jogo em que o respeito estava em campo. O primeiro tempo foi pegado, com poucas jogadas de efeito e muita marcação. O campo molhado e escorregadio fazia a bola correr demais, mas não chegava a ser um problema. O Corinthians tinha uma proposta clara: marcar. Não de forma totalmente intensiva, mas, consistente. O Vasco procurou um pouco mais o jogo, mas o primeiro tempo terminou sem grandes chances para as duas equipes.

Na segunda etapa, o Vasco voltou mais arrojado, pressionando mais, só que sem muito resultado. O último passe sempre era ruim e, quando acertava, a zaga corintiana estava bem posicionada. Aqui, ponto para Tite. A equipe paulista está longe de ser brilhante, mas é muito bem organizada. A marcação funciona, a zaga é bem protegida e é difícil penetrar. Hoje, para os cruz-maltinos, faltou encaixar o contra-ataque. Lembrando: foi o primeiro jogo que o Vasco não marcou gols em 2012.

Quanto ao gol anulado do Vasco, vale discutir alguns pontos. Para começar, é evidente que foi um gol mal anulado, a posição era legal. Mas, cabe uma ressalva. O lance era milimétrico, difícil mesmo, e ainda havia a chuva para atrapalhar. Quem dava condição era Alessandro, que estava no extremo oposto do bandeira, e dificultava a visão. Erro sim, roubo não. Se o bandeira acerta, é gênio. Se erra, é roubo? Não pode.

É importante o torcedor vascaíno perceber que tem totais condições de passar pelo Corinthians. Mas não pode jogar a culpa na arbitragem. Quantas defesas fez o Cássio? Que eu me lembre, nenhuma difícil. Para o jogo de volta, é complicado prever quem se classificará. O Vasco tem uma leve vantagem pois não sofreu gol em casa. Se fizer, é meio caminho andado. O contra-ataque com Éder Luis (péssimo finalizador) é sempre muito perigoso e é nisso que o time de São Januário precisa apostar (desde que ele acerte o último passe, coisa que faltou no jogo de hoje).

Em um jogo que vale vaga na seminfinal da Libertardores, entre duas equipes gigantes do futebol brasileiro, era de se esperar um resultado mais ou menos. O empate não saiu ruim para um, nem bom para o outro.O resultado teve as suas vantagens para ambos os lados.

Em um jogo onde tudo podia acontecer, deu o resultado normal, um empate sem graça.

Se do Vasco esperamos gol em todos os jogos, do Corinthians esperamos um futebol correto, organizado.

Resta saber qual lado vencerá no fim.

Se em São Januário a bola do Vasco não entrou, o Corinthians foi do jeito que todos esperavam.

Resta saber se semana que vem as coisas se inverterão.

Aguardemos...

domingo, 13 de maio de 2012

Confirmação e merecimento

Foto: Cléber Mendes / Lancenet
Nem sempre o futebol é justo. Todos sabemos disso e já vimos diversas situações que confirmam a tese. Mas, no Campeonato Carioca de 2012, ele foi. Se alguém merecia o título de campeão, esse alguém era o Tricolor das Laranjeiras.

Poupando titulares aqui e ali por conta da Libertadores, o Flu fez uma Taça Guanabara muquirana, ruim mesmo. Se classificou somente na última rodada e passou de fase meio desacreditado. Na semifinal, não fez um primor de partida e eliminou o Botafogo nos penaltis. Na final, massacrou o Vasco e ficou com o título do primeiro turno, que automaticamente já lhe dava direito à final.

Na Taça Rio, ainda dividindo atenção com a Libertadores, mais jogos com times mistos. Com futebol pouco convincente, nem foi à fase final.

O Botafogo venceu a Taça Rio e se credenciou para pegar o Fluminense na final geral. Quando todos esperavam um jogo equilibrado, o que se viu foi um massacre da equipe de Abel Braga. O placar de 4 a 1 no primeiro jogo praticamente selou o título tricolor. Com as mãos na taça, só faltava confirmar a conquista hoje, o que aconteceu com a vitória por 1 a 0, com direito a olé no finzinho do jogo.

Mas se fez uma Taça Guanabara claudicante e uma Taça Rio onde não conseguiu nem a classificação, por que o Fluminense merecia mais que os rivais? Porque jogou mais que todos quando foi preciso. Na TG, pegou um Vasco 100% e levemente favorito. Deu aula de futebol e colocou o time de São Januário no bolso. Na final, pegou o invicto Botafogo e... outra aula de futebol. Deco mostrou por que é o maestro tricolor, enquanto Fred mostrou por que é o artista ao assinar uma verdadeira obra de arte com o pé direito. Além disso, Abel parece ter acertado o time taticamente.

Com o título, o Fluminense ganha mais fôlego para a continuidade da Libertadores, onde terá parada duríssima contra o Boca. Mas isso fica para quinta-feira.

Depois de seis anos, o Flu volta a ser campeão carioca e consegue seu 31° título.


Agora, é hora de comemorar, de gritar "é campeão".

Parabéns, Fluminense.

Você mereceu.

O título do City e uma louca paixão

Eu ia reservar o dia de hoje para postar sobre a final do Campeonato Carioca. Mas preciso fazer um texto extra sobre o título do Campeonato Inglês vencido pelo Manchester City.
Jogadores do City comemoram o gol de Aguero.
Virada aos 48 do segundo tempo

44 anos sem ser campeão nacional. Um time pequeno que procura ser grande. Contratações milionárias nos últimos anos graças ao dinheiro de um Sheik bilionário qualquer. Aguero, Tévez, Balotelli, David Silva, Dzeko, Touré, Nasri... muita gente, muita grana. Sempre via o rival, United, acumulando títulos e fazendo de Manchester uma cidade vermelha. Hoje, 13 de maio de 2012, ela está azul. Da forma mais absurda possível, daquele jeito que só o futebol pode proporcionar.

Jogando em casa, onde obteve 17 vitórias e um empate na temporada 11/12, precisando apenas vencer um time que brigava para não ser rebaixado, tudo parecia simples demais. Bastava que o protocolo fosse seguido. Mas o futebol é como o humor, a arte do improviso. O roteiro foi inteiramente alterado, de maneira que nem o mais louco torcedor poderia imaginar.

O City vencia por 1 a 0, fazia uma partida calma e segura. Até um dos zagueiros, Lescott, fazer uma grande lambança e dar um gol de presente ao QPR, 1 a 1. Após o empate, o time londrino resolveu dar uma mãozinha ao City e Barton foi expulso por agredir Tévez. Tudo parecia caminhar para um final feliz, mas não sem aquela pitadinha de emoção, só para dar um gostinho aos apaixonados pelo futebol. Com um a menos, o QPR virou o jogo, para delírio dos fãs do United e estarrecimento de um estádio lotado de azul.

O que se viu em seguida era o esperado por todos. Pressão, nervosismo, chutes e cruzamentos a esmo, bolas tiradas no sufoco e mais nervosismo. Quando tudo se encaminhava para um vexame de proporções tsunâmicas, apareceu Dzeko, uma das milionárias contratações. Empate aos 45 do segundo tempo. Mas não bastava. Era preciso vencer. Eis então que aparece Aguero, contratado no incio da temporada, aos 48 do segundo tempo. 3 x 2. E o Etihad Stadium vem ao chão. Apito final, invasão da torcida, festa azul em Manchester. Depois de 44 anos, o City reescreve a história do futebol e acrescenta mais um capítulo emocionante para o esporte.

Quem assistiu ao jogo, mesmo sem ter a menor relação com os clubes, se emocionou, tremeu, torceu, comemorou, se arrepiou, enfim, ficou extasiado de alguma forma. O Barcelona x Chelsea do mês passado ficou pequeno diante do que fez o futebol hoje. Nenhum esporte é capaz de tanta emoção em tão pouco tempo. Nenhum esporte consegue resumir 44 anos em cinco minutos. Nenhum esporte é capaz de mexer com tantos sentimentos ao mesmo tempo. O futebol é, e repetirei isso cada vez mais, o maior esporte de todos. Divino, genial, imprevisível, emocionante, louco.

O futebol é o esporte dos malucos, dos enlouquecidos, o manicômio da paixão.

Mas vamos por camisas de força em quem não gosta desse esporte.

Na verdade, os malucos são eles.

Nós somos apenas loucos apaixonados.
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